Guerra das entregas rápidas: como competir com os marketplaces sem sacrificar a margem

Guerra das entregas rápidas: como competir com os marketplaces sem sacrificar a margem

Especialista orienta marcas sobre como reduzir prazos de entrega e competir com os grandes marketplaces sem comprometer a margem

O prazo de entrega pode decidir uma venda antes mesmo do pagamento. Segundo a pesquisa Frete e entregas no E-commerce, do Opinion Box, de maio de 2026, 82% dos entrevistados já desistiram de uma compra online por causa de um prazo longo de entrega. Ao mesmo tempo, 37% afirmam que aceitariam pagar mais para receber a compra mais rápido ou no mesmo dia. Para marcas que vendem nos próprios sites, o desafio é competir com a velocidade dos grandes marketplaces sem deixar que o custo dessa conveniência consuma a margem da venda.

Segundo Lucas Silva,  head de Vendas & Growth da Cubbo, empresa de infraestrutura operacional e tecnológica para o comércio moderno, a resposta começa antes de contratar um transporte mais rápido. A velocidade depende de onde o produto está armazenado, da disponibilidade do estoque e do tempo necessário para preparar e despachar cada pedido.

“Não adianta prometer entrega no mesmo dia se o pedido passa horas esperando para ser separado. A marca precisa olhar para o caminho inteiro, da confirmação da compra até a chegada ao consumidor. O transporte é uma parte dessa conta”, afirma o diretor da Cubbo.

A disputa começa na localização do estoque

Para encurtar prazos, uma das decisões é aproximar os produtos das regiões onde estão os compradores. Isso exige conhecer a distribuição dos pedidos e identificar quais itens têm demanda suficiente para justificar sua presença em cada ponto de armazenagem.

Distribuir estoque, porém, também tem custo. A decisão precisa considerar o risco de deixar produtos parados em uma região enquanto eles fazem falta em outra, além das despesas de armazenagem e reposição.

“Uma marca não precisa começar oferecendo sua entrega mais rápida para todo o Brasil. Pode priorizar as regiões em que concentra pedidos e os produtos com maior saída. O importante é definir onde a operação consegue sustentar essa promessa”, explica Silva.

Quem paga pela velocidade?

A entrega expressa pode ser cobrada do consumidor, parcialmente subsidiada pela marca ou oferecida a partir de um valor mínimo de compra. Em qualquer modelo, a decisão precisa considerar quanto sobra da venda depois dos custos de preparação e transporte.

Para Silva, avaliar apenas o preço do frete deixa parte do problema de fora. Distância, volume de pedidos, características do produto e margem ajudam a determinar quando acelerar a entrega é viável.

“Vender mais não resolve se cada pedido deixa de pagar a própria operação. Antes de oferecer frete rápido ou gratuito, a empresa precisa entender quanto essa escolha custa e qual resultado espera obter. Pode fazer sentido em uma região ou categoria e não em outra”, diz Silva.

Prazo curto exige uma promessa precisa

Além da estrutura logística, as regras apresentadas no site precisam corresponder à capacidade da operação. Horário limite de compra, CEPs atendidos e disponibilidade dos produtos devem estar claros para que o consumidor saiba quando receberá o pedido.

A recomendação é começar com uma cobertura que a marca consiga atender de forma consistente e ampliar a oferta conforme a operação demonstre capacidade. “Competir em entrega não significa anunciar o menor prazo a qualquer custo. Significa oferecer uma condição atraente e conseguir cumpri-la. Se a marca promete para hoje e entrega amanhã, a velocidade anunciada vira frustração”, afirma Lucas..

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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