Dívida no ensino superior alcança 30% e coloca empresas em risco

Dívida no ensino superior alcança 30% e coloca empresas em risco

A inadimplência no âmbito escolar e a evasão foram das que mais cresceram na pandemia, com impacto direto no serviço prestado pelas escolas. Além da dívida ter crescido, muitas escolas fecharam as portas, principalmente no ensino infantil. No ensino superior, a falta de pagamentos era, em média, de 6% e foi para 30%, de acordo com o Semesp, que reúne as escolas de ensino superior privado de São Paulo.

Trata-se de um problema bastante complicado quando se trata de cobrar a dívida. Como fazê-lo sem prejuízo para a marca da instituição de ensino, levando em consideração a situação difícil financeira durante a pandemia, e ao mesmo tempo recuperar esse passivo das empresas?

“Durante a pandemia, muitos pais com filhos pequenos preferiram não pagar – mas e a dívida? Houve cancelamentos, trancamentos, evasão, mas também dívidas de pais indignados com as aulas online, em que, em geral, eles precisam ajudar no ensino de seus filhos”, explica Edijane Ceobaniuc, advogada, professora universitária e fundadora da Reaver Cred. E ela acrescenta: “houve muita judicialização de famílias solicitando descontos de mensalidade no modelo online”.

Quem paga a dívida estudantil?

De acordo com a advogada, é importante ter em mente que não são os pais, necessariamente, os responsáveis financeiros – e sim qualquer adulto que assuma o compromisso com tal finalidade no ato de matrícula, ou seja, assine o contrato de prestação de serviços, mesmo não tendo o vínculo familiar com o aluno.

Mesmo quando for maior de idade, o aluno pode ter um responsável financeiro. Nesse caso, numa situação de cobrança, ambos respondem de igual forma. “Se o menor de idade assina em conjunto com um adulto, e na sequência torna-se maior, ele pode ser inscrito em sistemas restritivos de crédito em caso de dívida”, explica a advogada.

“Isso porque, mesmo não assinando o contrato de prestação de serviços, há vários documentos que comprovam que quem se valeu dos serviços prestados foi o aluno, seja o boletim, o histórico escolar ou outros, o que significa que ambos respondem pela dívida.”

Cobrança humanizada de dívidas

Um grande problema enfrentado pelas duas partes – credores e devedores – é que as empresas terceirizadas de cobrança, normalmente, são muito mais frias no trato do que o próprio credor – que tem interesse em receber, mas, ao mesmo tempo, em não romper o relacionamento com o cliente. Porém, quando repassa essa atividade a uma contratada, por vezes, esse serviço é feito sem empatia com o devedor e sua realidade. É comum que as cobranças sejam feitas apenas por sistemas tecnológicos, os conhecidos “robôs”, dificultando ou até mesmo impossibilitando a negociação da dívida.

“Nesse sentido, conhecer o segmento empresarial de ensino e, portanto, as dores dos credores, o quanto é importante receber o seu crédito, personalizar o atendimento ao cliente tornou-se crucial. Assim, o diferencial da Reaver Cred também está no tratamento individualizado no momento da negociação. Isso significa que, para dar efetividade na recuperação do crédito, é necessário analisar a circunstância atual do devedor. Notamos que, na esperança de realizar um sonho, o aluno assume o ônus do contrato, num momento em que estava empregado, ou, até mesmo, na expectativa de obter um financiamento estudantil, entre outras circunstâncias”, explica Edijane.

Além disso, é importante destacar que a eficiência no recebimento dos créditos é resultante de um processo organizado, ou seja, por meio de abordagens adequadas, que gerem eficácia no recebimento da dívida, e não constrangimentos ao devedor. Para isso, é fundamental haver treinamento contínuo da equipe, a fim de que se incorpore a cultura da humanização.

O implemento da cobrança humanizada, ao contrário do que se imagina, traz enormes vantagens para ambos os lados, além de efetivos resultados: evita-se a a judicialização da dívida, ou seja, diminuição dos custos de uma demanda judicial arcada por ambas as partes, além de possibilitar a continuidade na relação contratual.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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