Sentir que profissões anteriores valeram a pena é essencial para transição de carreira sem traumas

Sentir que profissões anteriores valeram a pena é essencial para transição de carreira sem traumas

Mudar de profissão é uma atitude cada vez mais normal na sociedade atual. Seja porque se é obrigado a escolher uma carreira muito jovem e com o número crescente de opções profissionais se fique tentado a mudar, ou seja, porque, com o aparecimento cada vez mais rápido de novas tecnologias, determinados nichos de trabalho se tornem obsoletos ou se saturem. O fato de a mudança ter se tornado corriqueira não significa, porém, que ela seja fácil. Com o intuito de fazer com que a experiência seja menos traumática, alguns passos e métodos devem ser seguidos.

Do alto de quem já mudou de carreira três vezes e agora se encontrou profissionalmente, a produtora de conteúdo, especialista em mídias sociais e fundadora da Like Marketing, Rejane Toigo (foto acima), relata sua experiência visando facilitar a vida de quem está descontente ou inseguro com a opção profissional atual e deseja dar uma guinada. Com o mesmo intuito, a psicóloga, treinadora comportamental e mentora de carreira, Fernanda Tochetto, oferece algumas dicas para se fazer uma transição profissional tranquila.

Em 2010, Rejane estava em uma situação profissional delicada. Ela, que havia se formado e trabalhado como dentista, tentado uma carreira como instrutora de ioga, tornara-se proprietária de uma loja de artigos infantis, que lhe rendeu franquias. “Eu não compreendia o modelo de negócio da empresa, pois ele não se sustentava, não era lucrativo e acabei me endividando bastante”, conta. Sua estratégia para resgatar os negócios não funcionou e Rejane sentiu o baque. “Foi muito frustrante, porque parecia que todos aqueles que disseram para eu não largar a odontologia tinham razão”, diz.

Nessa ocasião, ela conheceu Fernanda Tochetto, que foi de grande valia para que Rejane conseguisse achar uma saída rápida para seus problemas. “Ela fez um trabalho muito interessante comigo, recuperando minha autoestima que estava bem baixa e me mostrando que tudo que havia feito até então tinha valor”, afirma. Rejane já estava decidida, então, a fazer mais uma transição de carreira: passar de lojista para social media, gerenciando redes sociais de empresas. 

Inicialmente, Fernanda mostrou a Rejane que estudo e conhecimento eram essenciais para poder gerir o próprio negócio. Assim como para seguir a nova carreira que já almejava. “Com o incentivo dela, eu me inscrevi em um MBA de administração e marketing na FGV”, relata. O curso contava com um processo seletivo para admissão e Rejane acreditou que não tivesse chance. “Eu achava que era uma fracassada porque havia mudado tanto de profissão. Achava que toda essa minha experiência não tinha serventia alguma”, diz.

De acordo com a treinadora comportamental e mentora de carreira, o menosprezo das emoções é um aspecto que pode bloquear a transição de carreira. “São pensamentos negativos que não nos permitem focar no processo de transformação”, explica. Rejane conta que, na ocasião, Fernanda fez um trabalho de recuperação da autoestima, mostrando como o que ela tinha realizado até então havia sido importante. “Naquele momento foi importante tomar posse da minha história”, diz.

Hoje, a especialista em mídias sociais acredita que aqueles que passaram por várias transições de carreira são profissionais com mais chances de se adaptarem e encontrarem melhor soluções para seus desafios, justamente por terem frequentando diversos ambientes e se deparado com distintas situações.

Citando seu próprio exemplo, Rejane afirma que foi no comércio de varejo que aprendeu como a mente do consumidor funcionava, habilidade essencial sua profissão atual. A estrategista digital acredita que sua experiência seja essencial para que ela tenha se transformado em uma profissional que enxergue soluções sob um prisma quase único. “Eu posso dizer que foi a transição de carreira que me trouxe até aqui”, enfatiza.

Como fazer uma transição profissional sem turbulências

Conforme a psicóloga, treinadora comportamental e mentora de carreira, Fernanda Tochetto (foto), uma transição de carreira mais tranquila começa com responsabilidade. “Aquele que almeja mudar de profissão precisa entender que somente ele mesmo sabe onde está inserido e o como pode ou não se comprometer com sua mudança. Nesse sentido, evitar comparar-se com os outros é de suma importância”, afirma.

A partir daí, inicia-se o planejamento. Segundo Fernanda, sem planejamento não há transição profissional tranquila. Para começá-lo da melhor forma, a mentora de carreira recomenda que se trace um “road map”. Nele, deve-se colocar todos os fatos importantes de sua trajetória profissional, para que se tenha ciência de onde se veio, do que foi conquistado, dos acertos e dos erros e das competências desenvolvidas. “Ao construir esse mapa, a pessoa identifica suas principais referências, os primeiros modelos seguidos, e começa a entender melhor no que acredita e o que deve fazer para as mudanças acontecerem”, explica.

Rejane lembra que a realização desse “road map”, com o suporte e sob a tutela de Fernanda, foi essencial para que conseguisse se valorizar. “Eu passei por processo de autoconhecimento”, explica a especialista em mídias sociais, destacando mais uma vez o episódio em que Fernanda lhe mostrou que todas as suas experiências anteriores haviam sido e seriam importantes para o que desejava fazer futuramente.

Fernanda explica que fazer o ‘”road map” é começar o planejamento pelo diagnóstico. “Nesta ferramenta, você ficará sabendo quais são seus pontos fortes, aqueles que ainda precisa desenvolver e o quanto está disposto a se dedicar para isso”, diz. De acordo com a mentora de carreira, um bom mapa deve conter ainda as competências que precisarão ser aprendidas e a gestão do tempo para que suas ações rumo à mudança sejam eficientes. “O diagnóstico é extremamente importante para fazer o movimento certo e não se deparar com o mesmo problema logo ali na esquina”, destaca.

Muito importante nessa etapa de planejamento, segundo Fernanda, é o alinhamento familiar. “Você, muitas vezes, terá que mudar radicalmente sua rotina para conseguir seu objetivo. Nesse sentido, a compreensão e o apoio do companheiro e dos filhos facilitará sua missão”, diz. Conforme a psicóloga, esse suporte ajudará a pessoa a se dedicar com mais afinco a si mesma. “Quando você se cuida, você tem foco, consegue produzir mais, consegue entregar mais”, diz.

Rejane concorda com a importância que a conversa e o entendimento familiar tem no planejamento para uma nova etapa de vida. Segundo a estrategista digital, essa falha na comunicação foi um dos erros cometidos por ela em sua primeira transição. “Eu só falei para o meu pai que queria largar a odontologia, sem traçar um plano de mudança. Isso se transformou em um verdadeiro fardo emocional para mim à época”, lembra.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *