Participação das mulheres em cargos de liderança cresce 5% no Brasil

Participação das mulheres em cargos de liderança cresce 5% no Brasil

Em pleno ano marcado pela crise causada pela pandemia de Covid-19, as mulheres brasileiras conquistaram mais 5% dos cargos de alto escalão nas empresas de médio porte e passam a representar 39% dos executivos no país. Com isso, o Brasil salta da oitava para a terceira posição no ranking elaborado pelo International Business Report da Grant Thornton, empatado com a Índia e atrás apenas das Filipinas, com 48%, e África do Sul, com 43%, que registram índice muito acima da média global de 31%.

Apenas 4% das mais de 250 empresas brasileiras pesquisas afirmaram não manter nenhuma mulher em postos de comando, muito abaixo dos 43% do Japão, 40% da Coreia do Sul e 16% da Alemanha, por exemplo, e abaixo também da média global de 10%. No pico, em 2015, essa porcentagem era de 57% aqui no Brasil.

Com relação aos cargos, o Brasil também avançou. O índice de mulheres no posto de diretor-presidente (CEO) passou de 32% em 2020 para 36% este ano, 10 pontos percentuais (p.p.) acima da média global, que é de 26%. No cargo de diretor de Operações (COO) o salto foi ainda maior: de 16% para 28%, contra uma média global de 22%.

Todos os outros cargos de diretoria pesquisados seguiram a tendência de alta no Brasil, como o de diretor Financeiro (CFO) 43% (34% em 2020); diretor de TI 23% (12% em 2020); diretor de Recursos Humanos 43% (32% em 2020); diretor de Marketing 40% (16% em 2020); Controlador 9% (8% em 2020) e diretor de Vendas 25% (12% em 2020). O único que ficou com índice abaixo da média global (15%) foi o cargo de Controlador.

Mesmo com esses avanços na carreira em diversas áreas, somente 4% das mulheres aparecem como sócias de empresas no Brasil, mesmo porcentual de 2020 e abaixo da média global de 7%.

Em termos práticos, a pesquisa levantou ainda quais iniciativas as empresas vêm adotando para remover barreiras à paridade de gênero em níveis mais seniores. Nesse sentido, o levantamento aponta maior conscientização nas corporações brasileiras, com evolução das ações quando comparadas ao ano passado. Para se ter uma ideia, 29% dos entrevistados afirmaram que estabelecem metas ou cotas para o equilíbrio de gênero nos níveis de liderança, mesmo índice da média global e 11 p.p. acima do registrado em 2020 (18%) no país.

Outros pontos destacados foram:

Tema

Brasil

Média Global

Vincular a recompensa da alta administração ao progresso nas metas de equilíbrio de gênero

25%

28%

Oferecer treinamento

34%

25%

Permitir trabalho flexível

29%

31%

Criação de cultura inclusiva

42%

36%

Rever abordagens de recrutamento

28%

28%

Fornecer orientação e treinamento (coaching)

51%

32%

Garantir igual acesso a oportunidades de trabalho de desenvolvimento

57%

39%

Em tempo de pandemia

Nesta edição, a pesquisa quis saber de que forma a covid-19 vem influenciando a vida profissional das mulheres.

Na afirmação “as novas práticas de trabalho em função da covid-19 permitiram que as mulheres desempenhassem papéis de liderança mais importantes nos negócios”, 39% dos empresários brasileiros concordaram e 30% concordaram fortemente, contra uma média global de 39% e 20%, respectivamente.

Seguindo a mesma linha, 40% concordaram e 44% concordaram fortemente que as novas práticas de trabalho vêm beneficiar as trajetórias de carreira das mulheres no longo prazo. Na média global, o índice ficou em 46% e 23%. No sentido contrário, que a covid-19 tenha efeito negativo nas trajetórias de carreira das mulheres, 52% dos brasileiros discordam e 23% são neutros (nem concordam, nem discordam). Para os outros países, a média ficou em 32% e 22%, respectivamente.

Finalmente, com relação ao aumento da pressão externa (clientes, reguladores, fornecedores, investidores etc.) para a organização alcançar e/ou manter o equilíbrio de gênero, 25% dos brasileiros são neutros e 61% concordam ou concordam fortemente com essa perspectiva. Na média global, os índices ficaram em 26% e 56%, respectivamente.

A inovação, a adaptação a mudanças e a coragem/iniciativa são as três principais características ressaltadas por 58%, 54% e 38% dos líderes brasileiros, contra 43%, 44% e 25% da média global.

Para Élica Martins (foto acima), sócia da Grant Thornton Brasil, a pesquisa mostra uma clara ascensão das mulheres em cargos de direção nas empresas brasileiras. “O melhor é que esse aumento da participação das mulheres em postos de comando vem ocorrendo de forma voluntária, pois não está atrelado a cotas ou a obrigações legais, como aconteceu em alguns países. É um fato muito representativo e que ganha maior importância no Brasil”, ressalta.

“Apesar de alguns executivos acreditarem que a pandemia pode ter um efeito negativo na carreira das mulheres, por conta do trabalho remoto, elas estão provando que conseguem dar conta de seus diversos afazeres, conciliando a família com um bom trabalho, por meio da tecnologia. No entanto, é preciso avançar com as políticas que garantam diversidade de pensamento na tomada de decisão e a igualdade de gênero nas oportunidades de desenvolvimento de carreira nas empresas. Houve avanço, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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