Instabilidade econômica, alta dos insumos e câmbio elevado pressionam custos da indústria de papelcartão

A crise de abastecimento de insumos pela qual o Brasil passa tem pressionado preços, e o papelcartão não é uma exceção. A questão ultrapassa nossas fronteiras: a retomada econômica em todo o mundo, especialmente na China, interfere na dinâmica global de oferta e demanda – tudo isso somado a incertezas em nosso cenário político e econômico. Como reflexo, a partir de maio, a Ibema reajustará seus produtos em 15%. Na linha Royal Coppa, o aumento será de 18,8%.
A chamada “retomada em V” das indústrias de transformação, que ocorreu entre maio e junho de 2020, consequência de um cenário de baixo inventário e aquecimento de alguns setores, provocou uma forte pressão de oferta e preços, que se manteve neste início de 2021 (segundo a FIESP, em 2021 tivemos o melhor janeiro desde 2015, 9% acima dos últimos 60 meses).
A demanda aquecida por insumos estrangulou a cadeia de abastecimento de papel/papelão, resinas, aço e outras, provocando uma escalada geométrica dos preços. Se, por um lado, a desvalorização da moeda nacional trouxe oportunidades para alguns setores exportadores, por outro impactou diretamente no preço de insumos representativos na composição de custo.
“Como nosso segmento trabalha com margens enxutas, o aumento dos insumos na velocidade em que ocorre hoje reflete diretamente em toda a cadeia”, esclarece a gerente de Suprimentos da Ibema, Irlene Demeneck.
Momentos de crise, com forte restrição de oferta de insumos, exigem muita atenção e decisões rápidas. A gerente de Suprimentos afirma que a maior mobilização da Ibema está na prevenção do desabastecimento de papelcartão, apostando no diálogo transparente com seus parceiros comerciais para encontrar soluções de contingenciamento em conjunto.
“Sabemos que a escassez do nosso produto atingiria em cheio os setores de medicamentos e alimentos, entre outros bens de consumo básico. Por isso, trabalhamos para garantir o fornecimento com o reforço de nossos inventários de insumos, consolidação de acordos comerciais e desenvolvimento de alternativas para garantir o abastecimento.”
Ela ainda complementa: “passada a tempestade, teremos grandes desafios no restabelecimento das bases reais de preços, expurgando os efeitos especulativos econômicos, a fim de entender o novo patamar pós-crise”, finaliza.








