Após queda de 18,6%, setor calçadista deve crescer 12% em 2021

Após queda de 18,6%, setor calçadista deve crescer 12% em 2021

Impactado pela pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 registrou queda em todos os indicadores da indústria calçadista brasileira. A produção de calçados caiu 18,4%, somando 764 milhões de pares, com o setor retornando a patamares de 15 anos atrás. A exportação, que responde por 14% das vendas, caiu 18,6%, para 93 milhões de pares, pior número em quase quatro décadas. Apesar de um primeiro trimestre de 2021 de incertezas, com o recrudescimento da Covid-19, a atividade deve registrar crescimento de cerca de 12% na produção e 13% na exportação de calçados. Os dados foram apresentados durante o Análise de Cenários, evento realizado ontem (15) pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) no formato digital.

Na oportunidade, o doutor em Economia Marcos Lélis ressaltou o papel da crise internacional e brasileira no resultado da indústria calçadista, mais impactada do que a média da Indústria de Transformação. Segundo ele, o Brasil deve levar mais tempo para sair da crise, especialmente em comparação com alguns dos seus principais concorrentes no setor calçadista.

A China, por exemplo, cresceu 2,4% no ano passado, enquanto o Brasil viu seu PIB minguar em 4,1%. Em 2021, contando com um segundo semestre de retomada mais substancial na demanda, o Brasil pode crescer 3,7%. A China 8,4%. “Desde 2008 a economia brasileira vem fragilizada. O impacto de 2020 tornou a retomada muito mais difícil, com empresas cortando investimentos e perdendo ainda mais competitividade”, destacou Lélis, ressaltando que, mesmo antes da pandemia, o Brasil vinha crescendo pouco em relação aos concorrentes.

Lélis disse, ainda, que a dificuldade de retomada, especificamente para o setor calçadista, passa pelo mercado doméstico, que representa mais de 85% das vendas do segmento. “A taxa de desemprego elevada, em mais de 14%, somada ao endividamento recorde das famílias brasileiras, na casa de 67%, dificultam muito a retomada do consumo”, comentou. O papel dos auxílios emergenciais, que seguraram, em parte, a queda na demanda em 2020, também deve diminuir, passando de 4% para 0,6% do PIB brasileiro, o que deve impactar na recuperação da atividade.

Projeções

Em 2021, o setor ensaia uma recuperação, embora deva terminar com níveis produtivos abaixo dos registros pré-pandêmicos, em 2019. A análise é da coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck. Segundo ela, mesmo crescendo na casa de 12% em 2021, a indústria calçadista deve terminar o ano, no cenário mais otimista, 7% menor do que em 2019. “Devemos ter um primeiro semestre mais difícil, para retomada a partir da segunda parte do ano”, disse.

Segundo Priscila, no primeiro bimestre do ano, a atividade cresceu 1% em relação ao mesmo período do ano passado. “Provavelmente por reposição dos estoques das vendas do final de 2020, já que as vendas internas caíram 20% no mesmo período”, explicou a coordenadora.

Já as exportações, impulsionadas pela desvalorização do real sobre o dólar, devem ter um crescimento de cerca de 13% em 2021. Assim como a produção, as exportações devem encerrar o ano menores do que o registro pré-pandemia, neste caso em cerca de 6%.

Emprego

O reflexo das dificuldades do setor calçadista brasileiro se deu, sobretudo, no emprego. Segundo Priscila, em 2020 foram perdidos mais de 21 mil postos, com o setor encerrando o ano empregando 247,7 mil pessoas, 8% menos do que no ano anterior. Já no primeiro bimestre de 2021, embalada pela recuperação na produção, a atividade criou 18,6 mil postos, terminando fevereiro com o registro de 266 mil postos diretos, 6,4% menos do que em fevereiro de 2020. Para 2021, Priscila revelou que a estimativa é encerrar o ano com 6% mais empregos do que em 2020.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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