Pandemia reforça os desafios para a competitividade do Brasil

Pandemia reforça os desafios para a competitividade do Brasil

O Brasil perde uma posição no Anuário de Competitividade Mundial (World Competitiveness Yearbook – WCY) e passa a ocupar a 57ª posição do ranking, interrompendo a trajetória de 4 anos de ganhos. O estudo, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center e que tem no Brasil o apoio do Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, compara a prosperidade e a competitividade de 64 nações com base em dados estatísticos e pesquisa de opinião executiva.

Em um ano com muitas movimentações no ranking, a Suíça, antes em 3ª posição, toma a liderança de Singapura (5ª posição), que ficou atrás também de Suécia (2ª posição), Dinamarca (3ª posição) e Países Baixos (4ª posição). Se por um lado o bom desempenho dos países europeus se explica pelas condições pré-existentes para enfrentamento da pandemia da Covid-19, tais quais diversificação das atividades econômicas e políticas públicas, por outro, o recuo de Singapura é justificado por perdas de emprego e produtividade.

Em sua nova edição do Anuário de Competitividade, o IMD propõe o exercício de buscar entender como as diferentes estratégias adotadas pelos países para enfrentamento da crise econômico-sanitária ainda em curso afetaram o cenário da competitividade mundial. Como destacado, a pesquisa de opinião executiva ministrada entre março e maio deste ano revela que, mesmo nas economias altamente competitivas, a Covid-19 ainda é identificada como um dos principais desafios para a economia mundial.

Nesse contexto, os países da Ásia Oriental, Europa Ocidental, Ásia Central e os antigos membros da Comunidade dos Estados Independentes alcançaram, na média, avanços em seus rankings de competitividade. As outras sub-regiões, por outro lado, experimentaram declínio em suas posições. É este o caso da América do Sul, que enfrentou uma reversão do quadro de melhorias na competitividade registrado entre 2019 e 2020: no último ano, todos os países da região caíram no ranking, com níveis médios de competitividade regredindo da 54ª para a 57ª posição. Mais ainda, com exceção do Chile, que caiu da 38ª para 44ª colocação, todos os demais países figuram entre as 10 piores economias do ranking.

Vale observar, ainda, a trajetória dos outros BRICS comparativamente ao Brasil. Enquanto o país caiu da 56ª para a 57ª posição, a Rússia ganhou 5 posições em relação à última edição, ocupando agora a 45ª colocação, a Índia manteve-se na 43ª posição e a China sustentou sua trajetória ascendente, passando do 20º para o 16º lugar. Apenas a África do Sul também registrou queda, declinando da 59ª para a 62ª colocação.

O desempenho excepcional da China se fundamenta na redução contínua da pobreza e no aumento da infraestrutura e dos níveis educacionais. Desde 2012, já foram quase 100 milhões de pessoas retiradas da pobreza, o que torna o país responsável por mais de 70% da redução da população em pobreza mundial. Dessa maneira, a China cumpriu com 10 anos de antecedência o primeiro objetivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, erradicando a miséria absoluta.
Como esclarecido por Yang Wanming, embaixador da China no Brasil, esse êxito pode ser explicado, primeiramente, pela priorização da redução da pobreza como agenda de Estado, assegurando prosseguimento das políticas desenvolvidas a médio e longo prazos. Além disso, a adequação das estratégias à realidade local tem sido fundamental na trajetória do país, com foco nas condições de desenvolvimento das áreas pobres, elevação dos níveis de escolaridade e qualificação da mão de obra carente, consideradas sempre as disponibilidades e atividades produtivas regionais.

Em terceiro lugar, a mobilização simultânea do governo, sociedade e mercado tem assegurado a convergência de esforços conjuntos, por meio de incentivos tributários e outras políticas para promoção do fluxo de talentos, capital e tecnologia de localidades mais desenvolvidas para outras menos favorecidas, emprego da tecnologia digital para impulsionar novas formas de negócios e motivar o empreendedorismo e a criatividade na população de baixa renda, bem como outros estímulos focados na indústria, ciência e tecnologia, educação, cultura saúde e consumo.

Por fim, a promoção da cooperação internacional também tem sido cara ao governo chinês, que empreende esforços para combate à pobreza externa e implementação eficiente dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Convém pontuar que a edição deste ano do WCY contou com a incorporação da Botswana no ranking, ocasionando um deslocamento na porção inferior.

Para além das condições sócio institucionais, destaca-se a importância do setor privado no fortalecimento do mercado de trabalho através, por exemplo, de promoção de incentivos e oportunidades para o desenvolvimento de habilidades da mão de obra.

Finalmente, os sistemas de saúde e educação permanecem no centro do bom desempenho dos países altamente competitivos e devem receber atenção especial para avanços nas demais economias.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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