Alta da construção civil reforça atenção à segurança do trabalho

Alta da construção civil reforça atenção à segurança do trabalho

A construção civil foi o setor que mais abriu vagas em 2020, apesar da crise econômica provocada pela pandemia. E, segundo analistas, o segmento deve continuar em alta este ano, com a perspectiva de criar mais 200 mil vagas. Diante desse cenário, alerta o advogado Rafael Maluf, construtoras e incorporadoras devem redobrar os cuidados para prevenir os acidentes de trabalho, já que, pelas características inerentes do setor, há um risco maior de ocorrências.

“Quando boa parte das atividades econômicas e industriais parou nos últimos dois anos, a construção civil seguiu o rumo do crescimento e, diante desse cenário, construtores devem redobrar os cuidados na prevenção de acidentes para manter a integridade física dos trabalhadores e evitar demandas, sobretudo na área criminal”, comenta.

Entre 2012 e 2020, o Brasil registrou 446,9 mil acidentes de trabalho, segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho. Essas ocorrências deixaram 1.866 mortos. Por sua natureza, o setor também está exposto a ocorrências como danos em construções vizinhas e desabamentos. O advogado explica que, quando há vítimas, esses casos geram processos nas áreas cível e criminal.

“Embora no âmbito cível sejam aplicados critérios de responsabilidade solidária, quando um acidente deixa vítimas e origina um procedimento criminal, a responsabilidade sobre o fato é personalíssima”, explica Maluf.

O criminalista conta que o desafio, em casos de lesão corporal culposa ou homicídio culposo decorrentes de acidentes na construção civil, é estabelecer a responsabilidade penal de cada um dos envolvidos na cadeia de produção. “Em um canteiro de obras existem vários prestadores de serviços envolvidos além da construtora e incorporadora, pois há muita terceirização de serviços em todas as etapas da obra. Por isso, a delimitação de autoria em acidentes requer um trabalho cuidadoso e minucioso, pois não será permitido, simplesmente, apontar a responsabilidade ao topo da cadeia, ou seja, aos construtores e incorporadores”, comenta.

O grande desafio em persecuções penais é saber delimitar as responsabilidades criminais. “Se uma casa vizinha sofre um desabamento durante um processo de demolição feito por uma empresa terceirizada, gerando vítimas, não é crível imputar a responsabilidade criminal à construtora, sobretudo quando a perícia não consegue identificar os motivos que ensejaram a queda da construção. Por isso, é fundamental entender a participação de cada uma das empresas envolvidas na cadeia da construção civil, como por exemplo: projeto arquitetônico, elétrica, hidráulica, demolição, e inúmeros outros prestadores de serviço”, completa.

Em casos de acidentes de trabalho, por exemplo, a empresa terceirizada também deve se responsabilizar pela segurança dos seus empregados. “Ela é a responsável por fornecer os equipamentos de proteção individual (EPI) e orientação quanto às normas de segurança para que os riscos sejam minimizados no ambiente de trabalho”, informa.

Fiscalização e acompanhamento

Segundo Maluf, as construtoras e incorporadoras devem sempre fiscalizar a atuação das empresas terceirizadas no canteiro de obras. “Todo cuidado é pouco para garantir que todos os envolvidos em uma construção estejam em segurança, por isso sempre oriento os clientes a acompanharem de perto o cumprimento de todas as normas de segurança”, afirma.

Crédito da foto – Pixabay

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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