Humor nas redes sociais cresce como estratégia de negócio em tempos de crise

Humor nas redes sociais cresce como estratégia de negócio em tempos de crise

Se, há algumas décadas, a meta de vida de boa parte dos jovens era ter um emprego fixo, com carteira assinada, e a permanência nele até a aposentadoria, a realidade hoje é bem diferente.

O empreendedorismo tem trazido novas perspectivas, sobretudo para os mais jovens, que veem nisso a oportunidade de trabalharem com algo que tenha a ver com seus sonhos e propósitos. Segundo dados do Mapa de Empresas, do Ministério da Economia, no primeiro trimestre de 2021 o Brasil registrava cerca de 56,7% de Microempreendedores ativos – um total de 11.262.383 de novos empreendedores.

Em um cenário nebuloso e de futuro incerto, indivíduos comuns passam a enxergar além e se arriscam no empreendedorismo sem medo, mas com visão de mercado. É o caso de negócios como a Panos Sinceros, pequena loja virtual criada por Nina Masnik, com panos de prato que “enxugam as louças e também dizem umas verdades”, slogan que se encaixa perfeitamente ao modelo de negócio.

Com uma pegada mais sarcástica, irônica e pitadas de humor, as peças, que são sucesso entre o público, trazem dizeres como: “O Brasil me obriga a beber” e “O Brasil tá lascado”, frase que viralizou nas redes sociais com o ex-BBB Gil do Vigor.

Sorte ou visão estratégica?

Identificar um modelo de negócio assertivo em tempos nublados não é apenas “ganhar na loteria” ou “sorte”, como diriam alguns, e sim visão de mercado.

É o que explica o Consultor de Transformação Digital Ricardo Martins. “Muitas pessoas ainda têm dificuldade de compreender que visão de mercado não tem nada a ver com sorte, pelo contrário. Sorte é você pegar algo desproposital e cair no gosto popular, sem nem mesmo prever a reação das pessoas. Visão de mercado é você criar um produto ou serviço que compartilha da mesma necessidade e/ou desejo do coletivo”.

Enxergar uma oportunidade de negócio onde ninguém até então via, de fato, não pode ser considerado sorte. Além disso, não se trata apenas de surfar na crista da onda, ir de acordo com a maré, mesmo porque, se for assim, é bem provável que o negócio não dure muito tempo.

“A internet abriu novas perspectivas para todos os setores da sociedade. Estar conectado implica estar atento às novas tecnologias, tendências e modelos de negócio que atendam as necessidades dos consumidores cada vez mais exigentes e antenados. Quando um microempreendedor cria panos de pratos com frases irônicas e sarcásticas, que demonstram a insatisfação ou indignação de uma grande parcela da população, isso é genial, é o insight que todo empresário busca para seu negócio”, destaca Ricardo, que conclui “Este é o típico negócio que une a fome com a vontade de comer”.

Criação de comunidades

Esse tipo de abordagem estimula a criação de verdadeiras comunidades em volta de uma marca ou produto. É o caso da Aff The Hype, que tem como slogan “Papelaria Grossa – uma marca ranzinza para pessoas bem-humoradas (e vice-versa)”. Com sarcasmo, bom humor e a simpatia da “Moça do Marketing”, personagem que é a porta-voz da empresa nas redes sociais, a Aff The Hype conquistou um séquito fiel de mais de meio milhão de seguidores no Instagram. Entre os produtos, cadernetas, ecobags e outros itens divertidos.

“Nesses tempos, saem na frente as marcas que estabelecem diálogos reais com seus clientes. Não tem milagre, nem fórmula pronta. Por trás – ou ao lado, caminhando junto – das piadas, brincadeiras e ironias, há a construção de comunidades fortalecendo o nome da empresa. Pode parecer paradoxal para alguns, mas a transformação digital necessariamente passa também pela humanização dessa comunicação. E é isso que esses e outros negócios sabem fazer tão bem”,  finaliza Ricardo Martins.

Crédito da foto: Rawpixel

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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