Pesquisa mapeia tendências de remuneração no setor financeiro

Para ajudar as empresas do segmento financeiro a definir a melhor estratégia de remuneração e de Recursos Humanos e, assim, se adaptar com agilidade e embasamento confiável às novas realidades, a Mercer realizou sua pesquisa anual Financial Services, que avalia os programas de remuneração do setor financeiro. A edição deste ano contou com mais de 170 empresas, divididas nos segmentos Bancário, de Meios de Pagamentos e Seguros, Previdência e Saúde.
“Durante todo o ano, interagimos intensamente com nossos clientes do setor financeiro por meio de reuniões virtuais, projetos, webinars e pesquisas spot para analisar em tempo real o que está acontecendo com os pacotes de remuneração do segmento”, afirma Roberto Rosseto, líder de Career para Financial Services da Mercer Brasil.
“Verificamos que o setor experimentou queda no pagamento de bônus, que atribuímos, entre outros, ao impacto da Covid-19 nos negócios. Também houve crescimento no número de desligamentos, que acreditamos ser uma consequência do processo de digitalização dos bancos em detrimento, em alguns casos, ao atendimento presencial”, explica Rosseto.
Área mais valorizada
A pesquisa mostrou que a área de Tecnologia da Informação vem sendo a mais valorizada, sendo a que experimentou a maior variação na remuneração média, alcançando 6% de crescimento real, frente ao blackout de mão de obra pelo qual o seguimento vem passando, impactando não apenas os bancos, mas de forma estrutural a economia brasileira como um todo.
Ainda que tradicionalmente a remuneração seja tratada no geral de forma regionalizada é importante observar que tais deflatores não se aplicam, necessariamente, para a indústria financeira, até porque o acordo coletivo dos bancários tem caráter nacional. Ao contrário, foi observado que na área de tecnologia há uma tendência de remuneração em caráter nacional, visto que com o homeoffice, as empresas estão contratando profissionais em diferentes localidades de sua sede. É uma preocupação ainda o fato de que muitas empresas estrangeiras estejam contratando no Brasil em dólares ou euros e empresas brasileiras contratando no exterior na mesma moeda. Surge então a questão: Seria esse um início de um processo de globalização da remuneração?
Impacto dos benefícios de curto e longo prazo nos salários
Uma tendência verificada na pesquisa, relacionada à remuneração executiva, é a diminuição do peso dos Incentivos de curto prazo (Bônus, gratificações, PLR, etc) e intensificação do pacote de Incentivos de longo prazo na remuneração total. Para os cargos executivos, houve queda de 5% nos incentivos de curto prazo oferecidos pelo setor Bancário e 3% no setor de Seguros.
Apenas no setor de Meios de Pagamento não houve variação. Porém, de forma geral na Indústria Financeira, os pacotes de longo Prazo cresceram 10%, assumindo maior protagonismo sem, no entanto, impactar positivamente a remuneração dos executivos, face a desvalorização das ações negociadas em bolsa, conforme resultado no mercado de capitais brasileiro.
Setores e remuneração por funções
Entre os setores que compõe o segmento financeiro, o que experimentou maior alta na remuneração mensal média foi o de Meios de Pagamento, com alta de 6%; seguido pelos segmentos de Seguros, com 2% e Bancário, 1%. “A menor variação verificada no setor Bancário é explicada pelo fato de ser o segmento mais impactado pela digitalização das atividades”, pontua Roberto Rosseto. Dentro de cada um dos segmentos, o salário anual experimentou variações diferentes por cargos em cada nível de contribuição.
Enquanto no setor Bancário os cargos de base tiveram queda de 1% na média salarial mensal, -2% nos cargos intermediários e 4% de alta nos cargos com nível de gerência para cima. No setor de Seguros a variação foi de 5% de alta no salário médio anual dos cargos de base, 2% para os cargos intermediários e 1% nos cargos mais altos. Já o segmento de Meios de Pagamentos viu a média salarial dos cargos de base subir 4%, para os cargos intermediários a variação foi de 1% e para os cargos de topo, chegou a 10%.
Com relação às funções executivas, no setor bancário as mais valorizadas foram às ligadas à área de marketing, com 18% de variação positiva na remuneração total; TI, com 17%, e Finanças, com 14% de crescimento. No setor de seguros as maiores altas foram observadas junto aos departamentos jurídico, financeiro e underwriting (subscrição). Já no setor de meios de pagamento, os cargos executivos mais valorizados estão ligados às áreas de finanças e financiamento de veículos.
“As estimativas para 2022 frente ao processo inflacionário global traduzido pelo incremento nos custos dos alimentos e do petróleo, os efeitos climáticos previstos, as incertezas políticas em geral e particularmente no Brasil, por se tratar de um ano eleitoral, nos levam a crer que a demanda por profissionais “fora da curva” em todos os segmentos continuará aquecida. Nos demais níveis nossa crença é de que não haverá grandes variações nos pacotes de remuneração”, pontua Rosseto.
Vale ressaltar que as organizações atualmente estão cada vez mais diversas em termos das gerações que a habitam com reflexos nos pacotes de benefícios tradicionalmente praticados, dando lugar ao conceito de beneflex para ajustar à necessidade as diferentes demandas de cada geração.
“Outro ponto singular a ser observado é a presença cada vez mais frequente da geração dos Millennials dentro da indústria financeira, exigindo das organizações um maior foco em educação financeira indicando a necessidade de estabelecer desde já a poupança necessária para um futuro planejado, no qual a previdência privada passa a ter um papel mais relevante considerando-se que a previdência social cumpre cada vez menos com o seu papel”, conclui Rosseto.








