Crise da Covid-19 aumenta número de jovens das classes C e D que largam estudos para ajudar em casa

Crise da Covid-19 aumenta número de jovens das classes C e D que largam estudos para ajudar em casa

Diante da crise econômica, agravada pela pandemia da Covid-19, as famílias da classe C e D estão vendo seus jovens desistirem de estudar para ajudar em casa. É o que revela a 2ª Pesquisa Go2Mob/FirstCom Pós-Vacina Covid-19, realizada pela Go2Mob, empresa que oferece soluções integradas para o setor mobile com foco em mídia, dados, consultoria e pesquisa, e a FirstCom Comunicação, agência de relações públicas.

Entre as pessoas que participaram do levantamento, 42,9% disseram que seus filhos pararam ou pretendem parar de estudar para ajudar em casa. O número é maior em relação ao registrado na primeira edição da pesquisa, realizada em março de 2021. Na ocasião, 31% dos entrevistados fizeram esta afirmação.

Já o número de pessoas que perderam o emprego depois da pandemia se manteve praticamente o mesmo de março para outubro. Na primeira edição, 50,6% disseram ter sido dispensados. Já na segunda, esse índice passou para 50,7%, sendo que, dentro deste grupo, 73,3% ainda não conseguiram recolocação no mercado de trabalho.

A pesquisa também procurou saber sobre o acesso ao Auxílio Emergencial. Na primeira edição do levantamento, em março, 46,9% dos entrevistados declararam ter recebido o recurso do governo em 2020. Entretanto, na segunda rodada do benefício – paga no decorrer de 2021 -, esse número caiu para 37,9%.

Dos que receberam a extensão do auxílio este ano, a maior parte utilizou o dinheiro para* comprar alimentos (31,1%) e pagar dívidas (11,4%). Os participantes também disseram ter comprado remédios (9,8%) e produtos de higiene e limpeza (9,5%). Apenas 2,7% gastaram com atividades de lazer e 2,3% conseguiram poupar os valores recebidos.

“Nossa pesquisa demonstrou um dado triste e preocupante: o forte impacto da pandemia no desemprego levou a um aumento da evasão escolar de jovens que precisaram largar os estudos para ajudar em casa. Com este cenário de queda de renda, o pouco recurso disponível através do auxílio emergencial foi direcionado principalmente para suprir necessidades básicas e saldar dívidas”, observa Alexandre Ramalho, CEO da Go2Mob.

“Os dados deste segundo levantamento demonstram que a vacinação ainda não teve um reflexo tão positivo na retomada de geração de empregos, um cenário que poderá melhorar dependendo de como a pandemia irá se comportar nos próximos meses”, acrescenta Luis Claudio Allan, CEO da FirstCom Comunicação.

Realizada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2021, a 2ª Pesquisa Go2Mob/FirstCom Pós-Vacina Covid-19 contou com a participação de 4.520 brasileiros das classes C e D, dos 26 estados e do Distrito Federal. Os participantes responderam, por celular, perguntas sobre economia, emprego, saúde, vacinação, educação e consumo. Confira abaixo outros destaques do levantamento.

Otimismo apesar da crise

Mesmo em um cenário de incertezas, o conhecido otimismo do brasileiro se manteve: 68,6% dos entrevistados afirmaram acreditar que a economia do país vai melhorar depois da completa vacinação da população e do fim da pandemia. Entretanto, para 27%, a situação não deve melhorar, nem piorar. Apenas 4,4% imaginam que vai piorar.

Home office: somente 12,9% estão trabalhando remotamente

Dentre os 49,3% dos trabalhadores das classes C e D que afirmaram não ter perdido o emprego depois da pandemia, somente 12,9% disseram estar trabalhando no modelo home office. Quando questionados se irão continuar exercendo suas atividades de forma remota no futuro, 63,9% responderam que sim.

Educação: 62,9% concordam com a volta às aulas antes do fim da pandemia

Dos participantes da pesquisa, 28,7% afirmaram ter filhos em idade escolar. Destes, 65,7% disseram que as crianças e adolescentes já voltaram para a escola. Quando questionados se concordam com o retorno às aulas antes da vacinação e do fim da pandemia, 62,9% responderam que sim.

Ainda no grupo de respondentes com filhos em idade escolar, 34,3% disseram que os estudantes ainda não retornaram às aulas presenciais e 19% declararam que os jovens não estão conseguindo acompanhar as aulas em casa. Os motivos apontados para essa dificuldade foram a falta de acesso à Internet (45,1%), problemas para se concentrar nas aulas online (37,2%) e ausência de computadores ou celulares para eles estudarem (17,7%).

Consumo: 34,1% começaram ou aumentaram as compras pela Internet

Com as restrições de circulação para barrar a disseminação do coronavírus, 34,1% dos entrevistados iniciaram ou aumentaram o hábito de comprar pela Internet. Dentro deste grupo, 85,1% disseram utilizar o celular e 14,9% o computador para realizarem suas compras. Mesmo após o fim da pandemia, 81,8% pretendem continuar comprando online.

No ranking dos produtos mais comprados pela Internet* foram citados alimentos (18,5%), roupas (11,4%), medicamentos (8,7%), produtos de higiene e limpeza (7,9%), cosméticos (6,5%), eletrônicos (7,2%), celular (5,7%) e eletrodomésticos (4,3%).

Passaporte da vacinação: maioria é a favor

Quando perguntados se concordavam com a exigência do passaporte de vacinação para o acesso a lugares públicos, como estádios de futebol, shoppings centers e shows, 58,1% dos entrevistados responderam que sim.

A porcentagem dos que são contra a medida ficou em 19,7%. Outros 22,2% assinalaram a opção “não sei”. Sobre a possibilidade de as empresas exigirem o comprovante de vacinação para que os colaboradores possam voltar a trabalhar presencialmente nos escritórios, 61,1% afirmaram que são a favor.

Ainda sobre o tema vacinação, 76,3% dos respondentes disseram já ter tomado pelo menos uma dose do imunizante contra a Covid-19. Destes, 85,2% declararam que vão continuar com distanciamento social e uso de máscara e álcool gel, mesmo depois de serem completamente vacinados.

Em relação aos hábitos sociais depois da flexibilização da quarentena, 65,5% afirmaram que só saem de casa quando necessário, 19,4% saem frequentemente e 15% disseram que ainda estão totalmente isolados.
 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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