Com pressões de preços no atacado e aperto nos juros, CNC reduz expectativa de vendas para 2022

Com pressões de preços no atacado e aperto nos juros, CNC reduz expectativa de vendas para 2022

PMC de novembro aponta crescimento, mas não é suficiente para melhorar projeções

Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de novembro de 2021, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram um crescimento de 0,6% no volume de vendas no varejo. E, apesar da revisão do desempenho de outubro, que havia apurado queda de 0,1% e agora aponta alta de 0,2%, o resultado não é suficiente para compensar a perda de 5% acumulada em agosto e setembro. Esses dados, aliados ao descasamento entre os reajustes dos preços no atacado e no varejo, ao cenário de deterioração das condições de consumo e ao encarecimento do crédito, levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a revisar de +1,2% para +0,9% a expectativa de variação do volume de vendas no comércio varejista para 2022.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros (foto), avalia que o aumento da circulação de consumidores, que permitiu a reação do setor após as duas ondas da pandemia, já não é o bastante para impulsionar as vendas. Na semana que antecedeu o Natal, a média semanal de fluxo de consumidores chegou a superar em 20% o nível pré-pandemia. “A rápida disseminação da variante Ômicron e a natural desaceleração das compras após as festas de fim de ano passaram a constituir um cenário desafiador para o setor no início de 2022”, observa.

Segundo os dados do IBGE, em novembro, o volume de vendas no varejo voltou a se situar acima do nível observado em fevereiro de 2020 (+1,2%). No entanto, com exceção das vendas em segmentos essenciais como supermercados (+0,9%), produtos farmacêuticos (+1,2%) e artigos de uso pessoal e doméstico (+2,2%), os demais ramos pesquisados revelaram contrações nas vendas, destacando-se as perdas apuradas nos segmentos de móveis e eletrodomésticos (-2,3%), vestuário e acessórios (-1,9%) e combustíveis e lubrificantes (-1,4%).

Faturamento evolui, mas cenário abala volume de vendas

O economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, avalia que, apesar da evolução do faturamento, a deterioração das condições de consumo tem levado o comércio a experimentar perdas sucessivas de volume de vendas também nos comparativos interanuais. Em relação a novembro de 2020, por exemplo, houve avanço de 8,8% na receita, porém, descontada a variação dos preços (+13,0%), o setor observou uma retração de 4,2% no volume após apresentar variações de -4,1%, -5,2% e -6,8% de agosto a outubro.

Ele também destaca o ritmo intenso dos reajustes no atacado e a incapacidade de repasse integral das altas de preços ao consumidor final como determinantes para a esse panorama. Enquanto no varejo os preços subiram, em média, 13% nos 12 meses encerrados em novembro de 2021, no atacado os preços ao produtor, coletados pelo próprio IBGE, avançaram 27,1% durante o mesmo período. “É improvável a reversão deste cenário no curto prazo e, por isso, reduzimos a projeção”, explica.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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