Ineep aponta Bacia de Pelotas como estratégica para segurança energética

Mesmo com a expansão das fontes renováveis, a demanda global e doméstica por petróleo e gás deve seguir crescendo até 2050
A ampliação dos investimentos exploratórios na Bacia de Pelotas pode desempenhar papel decisivo para fortalecer a segurança energética brasileira, ampliar a arrecadação de royalties para municípios do Sul do país e gerar recursos capazes de financiar a transição energética nacional. Essa é uma das principais conclusões do novo Policy Brief do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
O estudo destaca que, mesmo diante da expansão das fontes renováveis, a demanda global e doméstica por petróleo e gás deve seguir crescendo até 2050. Nesse cenário, a manutenção da autossuficiência energética brasileira dependerá da ampliação dos investimentos em exploração e produção, especialmente em novas fronteiras exploratórias.
Segundo a análise, o avanço da fronteira petrolífera não deve ser compreendido como incompatível com a agenda climática. Pelo contrário. O setor brasileiro de exploração e produção apresenta menor intensidade de carbono quando comparado a importantes produtores internacionais e está inserido em uma matriz energética relativamente mais limpa. Essa combinação permite que os excedentes econômicos gerados pela atividade petrolífera contribuam para financiar investimentos em descarbonização, inovação tecnológica e adaptação às mudanças climáticas.
Nesse contexto, a Bacia de Pelotas desponta como uma das regiões mais promissoras do mapa exploratório brasileiro. Após décadas ocupando posição secundária nos investimentos do setor, em razão da concentração das atividades nas bacias do Sudeste e das incertezas geológicas iniciais, a região passou por um processo de reavaliação de risco ao longo da década de 2020, ampliando seu potencial estratégico para o país.
Além dos impactos sobre a segurança energética nacional, o desenvolvimento das atividades de exploração e produção na região poderá gerar efeitos econômicos relevantes para Santa Catarina e, principalmente, para o Rio Grande do Sul, cuja costa está integralmente inserida na área de influência da bacia. A expansão da atividade petrolífera tende a estimular a demanda por infraestrutura, serviços e instalações industriais, além de ampliar a distribuição de royalties para municípios diretamente ou indiretamente afetados pela cadeia produtiva.
Investimentos
Diante desse cenário, o Policy Brief recomenda a ampliação dos investimentos exploratórios na Bacia de Pelotas como parte de uma estratégia nacional voltada ao fortalecimento da soberania energética e ao desenvolvimento regional.
O documento também defende que o avanço da exploração seja acompanhado por investimentos na ampliação da capacidade de refino, em âmbito regional e nacional, fortalecendo a integração da cadeia petrolífera brasileira. Entre as recomendações estão ainda a priorização da contratação de embarcações de apoio e plataformas com elevado conteúdo local e a criação de instrumentos regulatórios e financeiros que assegurem o direcionamento estratégico das receitas oriundas de uma eventual produção de petróleo e gás na região.
Para o Ineep, a Bacia de Pelotas representa uma oportunidade de articular desenvolvimento econômico, segurança energética, geração de receitas públicas e financiamento da transição energética, consolidando uma estratégia capaz de responder simultaneamente aos desafios do presente e do futuro energético brasileiro.
Crédito da foto: Divulgação Petrobras








