Marcas brasileiras nos EUA: confira o caminho para a internacionalização

Marcas brasileiras nos EUA: confira o caminho para a internacionalização

Ter sucesso no mercado americano passa por adaptação cultural, posicionamento e escolha do momento certo

A internacionalização de marcas brasileiras nos Estados Unidos exige preparo estratégico, visão a médio e longo prazo e entendimento da cultura local. O movimento acompanha um cenário de forte expansão: quase 3 mil empresas brasileiras já possuem investimentos ou operações no mercado americano, segundo levantamento da CNI divulgado em 2025. Marcelo Goulart (foto), CEO e fundador da AMG, conhece esse cenário de perto. À frente da agência, participou da entrada de grandes marcas brasileiras nos EUA como Oakberry, BB Americas Bank, Lugano, BEES (AB InBev), Gerando Falcões, Prat’s e Forno de Minas.

De acordo com o empresário, um dos principais erros cometidos por muitas empresas já consolidadas no Brasil é acreditar que o mesmo modelo será automaticamente validado e aprovado nos EUA. “O mercado americano opera com base em referências locais, histórico comprovado e consistência na execução. É como começar do zero. Até mesmo os brasileiros que moram em solo estadunidense e consomem marcas locais também precisariam ser novamente impactados pelo marketing e projeção da empresa brasileira”, pontua o executivo.

Marcelo, que já mora em Miami há mais de 10 anos, entende a importância do networking como estratégia para criar relações genuínas e de confiança para firmar negócios no país norte-americano. Confira três principais caminhos para empresários que querem avançar com a internacionalização:

  1. Expansão exige preparo, não apenas capital

Marcelo avalia que é importante fazer a análise do nível de maturidade da organização e entender se o momento é realmente adequado para a expansão.

“Os Estados Unidos têm alto poder de consumo e um potencial de escala incomparável, mas os resultados não acontecem a curto prazo, em muitos casos o break even só é atingido após 18 a 24 meses de operação estruturada. Além do investimento, é preciso muito planejamento e estudo de mercado. Conquistar o consumidor americano passa menos por levar um produto brasileiro para fora e mais por compreender profundamente como esse consumidor pensa, compra e se relaciona com marcas”, diz Marcelo.

  1. Mentalidade de startup faz diferença

Segundo o executivo, empresas brasileiras que se estabelecem em outro país têm características em comum e a principal delas é ter uma postura semelhante às startups do foco em aprendizado, testes e adaptação contínua.

“Essas marcas começam menores, validam canais de venda, ajustam posicionamento e expandem gradualmente conforme encontram aderência real junto ao consumidor. Outro ponto importante, a construção de um ecossistema local sólido, com parceiros especializados em áreas como jurídico, contabilidade, distribuição e marketing. Também é recomendável validar fornecedores e histórico comprovado de atuação”, explica.

  1. É essencial que a liderança esteja na operação  

Marcelo ressalta que uma forma de analisar e alavancar os resultados da expansão, é ter lideranças trabalhando in loco. Para ele, as operações exclusivamente à distância costumam enfrentar mais dificuldades de alinhamento e menor velocidade de aprendizado.

“Quem quiser vender nos EUA precisa entender bem o que o americano procura na prateleira, qual nome ele consegue pronunciar e por que escolheria aquele determinado produto em vez de algo que conhece há mais tempo. Por isso, precisa estar aqui”, finaliza.

Crédito da foto: Demetrius Borges

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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