Fim da escala 6×1 e Reforma Tributária colocam bares e restaurantes diante de nova rodada de adaptações

Fim da escala 6×1 e Reforma Tributária colocam bares e restaurantes diante de nova rodada de adaptações

Mudanças podem afetar custos, levar à reorganização das equipes e ampliar a necessidade de eficiência na gestão dos negócios

Bares e restaurantes acompanham duas mudanças com potencial de afetar sua operação nos próximos anos. A proposta que acaba com a escala 6×1, aprovada pela Câmara, prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial, e agora tramita no Senado. Paralelamente, o setor passa pelas etapas de implementação da Reforma Tributária. As possíveis repercussões dessas mudanças para o setor estiveram entre os temas discutidos no Almoço de Líderes ANR 2026.

“A realização de encontros setoriais é fundamental para fortalecer o diálogo entre as lideranças, promover a troca de experiências e ampliar a compreensão sobre os desafios que impactam o setor. Esses momentos de aproximação contribuem para a construção de uma agenda comum e para o fortalecimento da representação empresarial”, afirma Alexandre Buarque Tubenchlak, diretor de Desenvolvimento de Negócios da ANR. Ele defende que o almoço de líderes “representa um importante espaço de diálogo e articulação entre os empresários do setor”.

Eduardo Ferreira, CCO da ACOM Sistemas, empresa de tecnologia voltada ao food service e participante do encontro, concorda. Ele entende que os debates propiciados por encontros como o almoço, permitem refinamento de discussões factuais e um entendimento mais claro sobre elas. No caso da Reforma Tributária, por exemplo, Ferreira comenta que ela chega em um momento de desaceleração das contratações no setor de alimentação fora do lar. Os dados confirmam: segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com base no Caged, julho por exemplo, terminou com saldo negativo de 1.304 empregos formais.

“Quando uma regra muda, a empresa precisa conseguir enxergar rapidamente onde está o impacto, qual processo será afetado, que informação precisa ser acompanhada e onde uma decisão pode gerar custo ou retrabalho. Quanto mais estruturados estiverem os dados e os processos, mais condições o gestor tem de simular cenários e se adaptar sem transformar a mudança em uma reação de última hora”, afirma.

Escala 6×1 avança no Congresso

A Câmara aprovou em maio a PEC 221/2019, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso para cada cinco trabalhados e sem redução salarial. A implementação prevista no texto é gradual, e a proposta agora tramita no Senado.

Para bares e restaurantes, que frequentemente funcionam à noite, aos fins de semana e feriados, a discussão envolve como reorganizar equipes para preservar os horários de atendimento caso a mudança seja aprovada definitivamente.

“Uma eventual mudança na escala 6×1 mexe diretamente com a organização das equipes. Para manter os mesmos dias e horários de funcionamento, alguns estabelecimentos podem precisar contratar mais pessoas, o que aumenta os custos. E esse impacto não é simples de absorver nem pode ser automaticamente repassado ao consumidor”, avalia Ferreira.

Reforma Tributária chega aos sistemas e à rotina fiscal

Enquanto a mudança na jornada ainda depende da tramitação no Congresso, a Reforma Tributária já está em implementação. Em 2026, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS vêm avançando nas regras e nos sistemas que darão suporte à CBS e ao IBS.

Bares e restaurantes têm tratamento específico na legislação. A Lei Complementar 214 prevê redução de 40% nas alíquotas de IBS e CBS aplicáveis ao fornecimento de alimentação e determinadas bebidas pelos estabelecimentos, além de regras próprias para itens como gorjetas e intermediação de pedidos por plataformas digitais.

Na rotina dos negócios, isso exige adequações nos sistemas responsáveis por documentos fiscais, registro das vendas e informações contábeis.

“O novo modelo tributário está sendo implantado por partes, em uma transição gradual, e, a partir de 2027, começam algumas novas validações, com mudanças importantes na rotina fiscal das empresas. Há muitas adequações a serem feitas e ainda existem sistemas, processos e procedimentos que precisam ser ajustados pelos órgãos responsáveis pela implementação”, afirma Eduardo Ferreira.

Além das duas mudanças nacionais, empresas do setor precisam acompanhar alterações tributárias estaduais e municipais, documentos fiscais eletrônicos e exigências regulatórias que também podem demandar ajustes na operação.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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