Indústria nacional de ônibus faz 70 anos e se consolida como polo global de inovação

Indústria nacional de ônibus faz 70 anos e se consolida como polo global de inovação

Segmento é representado pela Anfavea desde sua criação, em 1956

A Lat.Bus 2026, maior evento da indústria de ônibus na América Latina, terá sua abertura oficial na próxima terça-feira (11/8) no São Paulo Expo. A data marca os 70 anos de produção nacional e a consolidação do Brasil como um dos mais importantes centros globais de desenvolvimento, engenharia e fabricação de veículos para o transporte coletivo.

Ao longo das últimas sete décadas, as empresas instaladas no país passaram a projetar e produzir veículos adaptados às condições brasileiras, desenvolvendo soluções para corredores exclusivos, sistemas BRT, acessibilidade, eletrificação, conectividade e descarbonização do transporte coletivo, seja urbano ou rodoviário.

A engenharia desenvolvida no Brasil tornou-se referência para operações na América Latina, África e Oriente Médio, enquanto as exportações consolidaram o país como fornecedor relevante para dezenas de mercados.

“Mais do que uma história industrial, a evolução da produção nacional de ônibus representa a mobilidade de milhões de brasileiros. Os ônibus conectaram cidades, aproximaram regiões, transportaram trabalhadores, estudantes e famílias e desempenharam papel decisivo na integração econômica e social do país”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Ao longo desse período, a indústria estruturou uma cadeia produtiva completa, reunindo fabricantes de chassis, encarroçadoras, fornecedores de componentes e centros de engenharia que fizeram do Brasil uma referência internacional em soluções para mobilidade urbana e transporte rodoviário de passageiros. Desde 1957, o Brasil já produziu quase 1,2 milhão de chassis de ônibus, com o registro de 900 mil emplacamentos e de 276 mil unidades exportadas.

O início dos ônibus

A trajetória do setor acompanha a própria história da industrialização brasileira e da Anfavea. Os primeiros ônibus que circularam em maior escala no país eram, em grande parte, veículos importados ou montados sobre chassis de caminhões, substituindo gradualmente as antigas jardineiras e os bondes.

O grande marco da produção nacional ocorreu em 1956, quando a Mercedes-Benz inaugurou sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e colocou em linha o chassi LP 312, o primeiro ônibus produzido no Brasil.

Dois anos depois, o lançamento do monobloco O 321 inaugurou uma nova etapa tecnológica ao integrar chassi e carroceria em um único conjunto, estabelecendo novos padrões de qualidade, durabilidade e eficiência.

Essa inovação abriu caminho para que o Brasil se transformasse em um importante centro de produção e exportação de ônibus.

Indústrias fabricantes

Até hoje, a Mercedes-Benz permanece como uma das protagonistas dessa história, com centenas de milhares de veículos produzidos no país. Mais recentemente, a empresa reforçou seu pioneirismo ao desenvolver no Brasil o chassi urbano elétrico eO500U, de piso baixo, apresentado na Lat.Bus 2022.

A expansão da indústria ganhou novo impulso a partir dos anos 1960 com a nacionalização da produção da Scania.

Depois dos primeiros modelos importados da Suécia, como o L71, a empresa iniciou a fabricação local dos chassis B75 e B76, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do transporte rodoviário e urbano de maior capacidade.

A trajetória da Scania no Brasil é marcada por sucessivos avanços tecnológicos: a introdução da direção hidráulica em ônibus (1963); a suspensão pneumática no eixo traseiro (1968); o primeiro ônibus com motor traseiro (1972); o primeiro ônibus articulado do país (1977); o chassi 8×2 (1995); o primeiro ônibus urbano de piso baixo (1999); o ônibus de 15 metros (2001); e o primeiro ônibus nacional movido a GNV e biometano (2016).

Na década de 1970, a Volvo ampliou a competitividade e o conteúdo tecnológico da indústria brasileira ao instalar sua operação industrial em Curitiba (PR). A empresa trouxe avanços em segurança, conforto, suspensão e motorização, além de desempenhar papel fundamental na difusão dos ônibus articulados e dos sistemas BRT.

O chassi B58, lançado em 1979, introduziu o conceito de motor central, ampliando o espaço interno e o conforto dos passageiros.

A evolução dessa plataforma contribuiu para a consolidação dos corredores de ônibus e dos sistemas estruturados de transporte coletivo.

Nos últimos anos, a Volvo ampliou sua atuação em soluções de baixa emissão, com modelos elétricos produzidos localmente e veículos preparados para operar com biodiesel B100.

A partir dos anos 1990, a Volkswagen Caminhões e Ônibus passou a integrar de forma decisiva o desenvolvimento da indústria nacional de ônibus por meio da linha Volksbus.

A empresa diversificou a oferta de chassis para aplicações urbanas, escolares, fretamento e transporte regional, ampliando a capacidade de atendimento às diferentes demandas do mercado brasileiro.

Nos últimos anos, a Volkswagen intensificou investimentos e a família Volksbus incorporou motores mais eficientes, soluções de conectividade e telemetria, sistemas eletrônicos de gestão da frota e recursos voltados à redução do consumo de combustível e das emissões.

A empresa também desenvolveu plataformas específicas para o programa Caminho da Escola e expandiu sua atuação em veículos preparados para diferentes matrizes energéticas, reforçando o compromisso com a mobilidade sustentável.

Aumento da concorrência

Já neste século, a Iveco passou a integrar o ecossistema industrial brasileiro, ampliando a concorrência e acelerando a renovação tecnológica do segmento. O primeiro modelo voltado ao mercado brasileiro foi o ORE 1, lançado em 2009, seguido pelo chassi BUS 17-280, apresentado em 2014 na FetransRio e desenvolvido especificamente para as condições operacionais do país.

A Iveco Bus consolidou sua presença com soluções voltadas ao transporte urbano, escolar e de passageiros, incorporando avanços em acessibilidade, eficiência operacional, conforto e redução de emissões.

Entre as inovações mais recentes destacam-se o desenvolvimento de plataformas com maior padronização de componentes, recursos de conectividade embarcada, tecnologias de diagnóstico remoto e a ampliação do portfólio de veículos preparados para operações com combustíveis renováveis e aplicações de baixa emissão.

 

Celebrar 70 anos de produção nacional é reconhecer a contribuição de empresas associadas da Anfavea — como Mercedes-Benz, Scania, Volvo, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Iveco — para a construção de uma indústria competitiva, inovadora e profundamente integrada ao desenvolvimento brasileiro.

 

Em um cenário em que a mobilidade sustentável ganha protagonismo global, essa trajetória demonstra que o Brasil reúne capacidade industrial, engenharia e experiência para liderar a próxima geração do transporte coletivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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