Araupel cria Millpar para atender demanda internacional

Indústria do setor de madeira tem exportação consolidada em 250 contêineres/mês e projeção de crescimento de 12% até o início de 2023
No ano em que completa 50 anos de atividades, a indústria paranaense Araupel, que atua nas áreas florestal e industrialização de madeira para exportação, decidiu fazer uma cisão de seus dois negócios, criando a Millpar.
Eu conversei com o Ceo da Araupel, Norton Fabris (foto), e ele me explicou que a nova empresa passará a concentrar toda a atividade industrial que antes era desenvolvida pela Araupel nas plantas dos municípios de Quedas do Iguaçu e Guarapuava. Já a Araupel, que até então atuava no setor industrial e florestal, reforçará a sua vocação agrícola, através da florestadora, direcionando seus projetos às atividades exclusivamente ligadas ao agronegócio, além de direcionar esforços na busca por uma solução das questões agrárias que se arrastam há anos.
Em entrevista exclusiva, o executivo me informou que a Millpar terá sede em Guarapuava. Aliás, esta planta industrial está recebendo investimento de R$ 40 milhões e vai gerar cem empregos diretos, que se somarão aos 1.700 da Araupel.
A Millpar atuará exclusivamente como indústria, com foco nas etapas de beneficiamento de madeira e exportação do produto, o que permitirá acelerar processos de inovação e crescimento. Hoje a produção nas duas fábricas, tanto de Guarapuava quanto de Quedas do Iguaçu, é de 250 contêineres/mês de molduras em madeira. Com os novos investimentos a previsão é de um aumento de 12% na produção até o início de 2023, totalizando 280 contêineres/mês nas duas fábricas.
Hoje, a Araupel é a segunda maior fabricante do setor no Brasil, e a quarta em toda a América Latina. Com a Millpar, 20% das exportações brasileiras de madeira para a construção civil para os Estados Unidos deverão sair dos pavilhões da indústria em Quedas e Guarapuava.
A Millpar vai exportar também para 9 países na América do Norte, Europa e Austrália. Estados Unidos é o destino de cerca de 93% da produção, justificando o nome da nova empresa: Mill (de millwork, trabalho de marcenaria em inglês) e par (de partner, negócio em inglês). O restante da produção, em torno de 7%, vai para o mercado Europeu (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Itália e Reino Unido), Canadá e Austrália, além do Brasil.
Outro ´trabalho importante é que toda a madeira que chega nas fábricas, na forma de toras, é utilizada. Nada se perde da madeira processada anualmente para a fabricação de molduras, painéis, guarnições e componentes de portas, escadas, janelas e móveis, entre outros produtos destinados ao mercado mundial. Os subprodutos decorrentes dos processos (biomassa) são 100% aproveitados.
Um dos destaques relacionados aos compromissos de sustentabilidade é o pellet. Esse produto é destinado à geração de energia térmica, inclusive dentro da linha de produção da empresa. Além do pellet, os processos sustentáveis geram cavaco para as indústrias de celulose e de chapas reconstituídas (MDF e MDP), maravalha (aparas de madeira seca), que são usadas na forração de aviários e posteriormente viram adubo para diferentes culturas, e serragem e casca, que são usadas para geração de energia térmica em vários tipos de indústrias.








