Apesar do ajuste monetário global, gestor de fundos prevê recuperação da bolsa brasileira

Apesar do ajuste monetário global, gestor de fundos prevê recuperação da bolsa brasileira

Brasil pode se beneficiar do cenário de incertezas dos investidores estrangeiros após aumento da taxa de juros do banco central americano

Nesta quarta-feira(04), ocorre o que o mercado financeiro conhece como Super-Quarta, data em que coincidentemente o Federal Reserve (Fed, banco central americano), nos EUA, e o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), no Brasil, estão se reunindo para fazer um novo ajuste monetário. Isso porque diante da inflação global, o mercado financeiro aguarda uma decisão e tem a expectativa de aumento da taxa de juros brasileira (Selic), de 11,75% para 12,75%, e na taxa de juros americana, com elevação de 0,50 ponto percentual.

Os investidores globais têm demonstrado cautela crescente desde a última semana, quando o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, chancelou os discursos de membros do comitê de que uma alta de juros mais rápida no país é uma opção. No Brasil, segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado na última terça-feira, dia 26/04, a expectativa é de que a taxa básica de juros chegue a 13,25% ao ano até o fim de 2022 para conter a inflação.

Felipe Reymond Simões, diretor de Investimentos da WIT Asset, lembra que o Banco Central já vem aumentando os juros no Brasil desde março do ano passado e que este ajuste do Fed pode contribuir positivamente para a bolsa de valores brasileira. Em sua análise, o Brasil e os países emergentes, de modo geral, se beneficiam do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. A lógica é a seguinte: historicamente existe uma relação inversamente proporcional entre a bolsa de valores e as taxas de juros de um mesmo país. Dessa forma, a alta na taxa de juros americana pressiona a bolsa dos EUA. “Muito provavelmente, em algum momento vamos ter um fluxo de saída mais forte da bolsa americana. Boa parte desse fluxo estrangeiro é de investidores grandes e institucionais, que precisam entregar uma taxa mínima de rentabilidade para os seus cotistas”.

Segundo o diretor da WIT Asset, historicamente, todas as últimas vezes que os Estados Unidos elevaram a taxa de juros de forma relevante, houve uma alta bastante expressiva na bolsa brasileira dolarizada. A expectativa é que os gestores desses fundos busquem oportunidades em outros mercados. Por consequência, o Brasil e outros emergentes poderão ser os principais beneficiados deste movimento. A compra de ações do setor de commodities por parte de estrangeiros após a invasão da Ucrânia impulsionou o Ibovespa recentemente. Dados da bolsa de valores brasileira mostram que no primeiro trimestre de 2022, o fluxo de investimento estrangeiro na B3 somou R$ 68,3 bilhões, o que ajudou a empurrar o Ibovespa para uma alta de 14,48% no período. Mesmo com o anúncio do erro na metodologia de cálculo desses aportes, o que está fazendo a B3 revisar os números de 2020 e 2021, o valor é expressivo e representa um recorde ante os anos anteriores.

Atratividade da bolsa brasileira, atenção aos desdobramentos da bolsa americana e humor do investidor estrangeiro. Neste contexto, o momento é de cautela, pois não se sabe ainda exatamente quais serão as implicações dessa alta de juros na inflação elevada para a bolsa americana, que vem de um longo ciclo de alta desde a crise de 2008. Para Simões, a probabilidade é de que o ano de 2022 se encerre com os juros americanos no patamar de 2,5% a.a. e para 2023 espera-se uma continuidade desse movimento de alta e deve atingir um patamar acima de 3% a.a., algo em torno de 3,25% a.a. “A bolsa dos EUA seguiu basicamente em linha reta para cima, não de maneira ininterrupta, porque tivemos a crise do novo coronavírus. Mas esta foi muito rapidamente recuperada. Esse movimento mais adverso pode trazer uma pressão para uma correção mais relevante na bolsa americana”.

Em relação à composição de carteira de investimentos em posição mais defensiva ou à procura de oportunidades, a diversificação ainda é uma estratégia interessante, apesar de o investidor voltar os esforços financeiros para produtos de renda fixa. Simões considera que os investidores com foco no médio prazo (5 anos) também deveriam ter uma parcela aplicada na bolsa. E as oportunidades estão justamente na bolsa brasileira e em algumas outras bolsas de outros países emergentes, mas principalmente o Brasil deve ser um dos principais destinos, com valores de ações atraentes. “Atualmente, negociamos em um nível de preços muito baixo, comparado com o nível histórico, então existem muitas oportunidades na bolsa brasileira”.

O diretor de investimentos da WIT Asset acredita em uma forte recuperação da bolsa brasileira, com um ciclo de alta após o mercado ter sido penalizado nos últimos meses, e aposta em ações voltadas ao setor interno da economia. Algumas companhias até chegaram a negociar abaixo do valor de caixa que elas têm atualmente na empresa. “Nessa correção que temos na bolsa brasileira, abriram-se muitas oportunidades em empresas que negociam próximo ao seu valor patrimonial. Como o cenário que está sendo precificado para as empresas brasileiras é muito pessimista, qualquer surpresa positiva, ou mesmo apenas levemente negativa, em seus balanços financeiros pode ser motivo para a valorização dessas ações. Então, atualmente, minha posição para o nosso fundo de ações (WIT Kapta) está no mercado interno brasileiro vislumbrando essa recuperação da bolsa”.

Já o investidor mais conservador deve montar uma carteira defensiva e se beneficiar da taxa de juros acima dos dois dígitos sem grandes riscos e volatilidade. “O aumento dos juros nos EUA e Brasil beneficia o investidor brasileiro. Para o investidor que gosta de renda fixa, é bastante positivo porque aumenta a rentabilidade dos produtos mais conservadores”, finaliza Felipe Reymond Simões, diretor de Investimentos da WIT Asset.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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