Brasil oferece a árabes ambiente de negócios que já atraiu R$ 1 trilhão em investimentos

Brasil oferece a árabes ambiente de negócios que já atraiu R$ 1 trilhão em investimentos

O secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Flávio Rocha (foto), disse nesta segunda-feira (4) que os países árabes têm à sua disposição no Brasil um fértil ambiente de negócios combinado com segurança jurídica que, desde 2019, já atraiu investimentos que somam cerca de R$ 1 trilhão em áreas como infraestrutura, energia e saneamento básico.

“O Brasil e o mundo árabe têm muitas oportunidades de negócios para desenvolver em conjunto”, afirmou Rocha em sua participação na quarta edição do Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizada em São Paulo pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB).

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, o atual ambiente de negócios a que se referiu o secretário de Assuntos Estratégicos é consequência de uma série de medidas adotadas pelo governo federal para reduzir o chamado Custo Brasil e ampliar a inserção do país no mercado internacional. Entre essas medidas, Ferraz ressaltou a redução de impostos e de entraves burocráticos, além da ampliação de acordos comerciais com outros países e blocos econômicos.

Terceiro melhor mercado

De acordo com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o mundo árabe constitui hoje o terceiro maior mercado para o Brasil no exterior, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. A corrente de comércio entre o Brasil e os 22 países da Liga Árabe alcançou em 2021 mais de US$ 24 bilhões de dólares.

No total, o Brasil exportou US$ 14,42 bilhões ao bloco dos países árabes, com aumento de 26% na receita gerada. Essas cifras devem seguir em expansão. De janeiro a abril, as exportações do Brasil para o mundo árabe saltaram de US$ 4 bilhões em 2021 para US$ 5,2 bilhões. Já no ranking das importações brasileiras, os árabes estão em quinto lugar entre os principais fornecedores. Em 2021, a receita com as compras de produtos árabes foi de US$ 9,82 bilhões, um aumento de 82% frente a 2020.

O Brasil é hoje o maior exportador de proteína halal do mundo. Além do comércio de carnes de frango e bovina, crescem igualmente as exportações de açúcar, soja e trigo. Em contrapartida, 26% dos fertilizantes que abastecem o agronegócio brasileiro vêm do mundo árabe, dado significativo levando em conta o conflito bélico entre Ucrânia e Rússia, tradicionais fornecedores desses insumos.

“É nosso objetivo concluir acordos com os países árabes que facilitem investimentos e evitem a dupla tributação”, afirmou Bolsonaro. “No âmbito do Mercosul, os resultados alcançados pelo acordo de livre comércio com o Egito inspiram outras iniciativas, como as negociações avançadas com os Emirados Árabes Unidos. Estou convencido de que estamos apenas começando a explorar o potencial de cooperação econômica entre o Brasil e o mundo árabe.”

“Mais acordos desse tipo são necessários e, neste fórum, podem ser avaliadas formas para superar entraves e sensibilidades que travam discussões para a celebração de novos acordos de livre comércio entre o Brasil e os países árabes”, completou Osmar Chohfi, presidente da CCAB, para quem a relação comercial bilateral Brasil-mundo árabe tomou impulso em outro momento do mundo que, como agora, exigiu de diferentes países adaptação a novas e desafiadoras condições da economia e do comércio mundiais.

“Refiro-me aos anos 1970 e 1980, durante os quais o Brasil, por sua política de ponderação e equilíbrio, intensificou suas trocas comerciais com o mundo árabe, tendência que cresceu na década de 1990 e nestas duas décadas do século 21”, explicou Chohfi. “Petróleo, gás, fertilizantes, veículos, aviões, materiais de construção e serviços de engenharia de empresas brasileiras enriqueceram o intercâmbio. Com o passar dos anos, desenvolvemos com os países árabes uma troca comercial expressiva e de grande complementaridade.”

Sameer Abdulla Nass, vice-presidente da União das Câmaras Árabes e presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Bahrein, endossou as palavras de Osmar Chohfi, ao destacar que outro ponto importante nas relações Brasil-países árabes é a solução de gargalos logísticos, com a criação de linhas marítimas diretas entre portos brasileiros e árabes, o que reduziria custos e o tempo demandado para o transporte, que pode incrementar o comércio bilateral em termos de volume, renda e complementaridade estratégica.

“Mesmo com a pandemia de covid19 e a crise econômica mundial, o avanço do comércio entre o mundo árabe e o Brasil é uma prova de que ainda temos várias oportunidades a serem aproveitadas”, analisou Sameer Abdulla Nass. “Temos de fortalecer a cooperação econômica e os investimentos de qualidade de ambos os lados para aproveitar as várias vantagens existentes tanto no Brasil quando nos países árabes.”

Ao final da abertura do Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, o presidente da CCAB, Osmar Chohfi, e o presidente da Apex-Brasil, Augusto Pestana, assinaram um termo de compromisso de convênio para promoção de negócios hallal no período de 2022 a 2025.

O convênio tem como objetivo promover internacionalmente os produtos halal em ações organizadas em países como a Arábia Saudita, Egito, Indonésia, África do Sul, Malásia, França e Emirados Árabes Unidos. Também pretende posicionar o Brasil como referência em produtos halal, destacando-se como principal competidor nessa categoria e referenciando ações e resultados relevantes que possam ser divulgados internacionalmente.

Inclui ainda formatar um novo projeto setorial dedicado ao mercado halal, a fim de fomentar as exportações do setor e ampliar ainda mais os mercados, bem como coordenar ações de atração de investimentos estrangeiros para o fortalecimento da cadeia produtiva e das empresas do setor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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