Caminho mais fácil para recuperar dívidas de empresas extintas gera insegurança para os negócios

Caminho mais fácil para recuperar dívidas de empresas extintas gera insegurança para os negócios

Uma nova brecha jurídica para que credores consigam recuperar valores devidos por empresas extintas pode ter um imenso potencial danoso para o ambiente de negócios no Brasil, acredita a advogada tributarista Mary Elbe Queiroz. Acatada por muitos tribunais, a chamada tese de “sucessão processual do sócio”, que permite que os sócios, em qualquer ocasião, arquem com seu capital pessoal para ressarcimento de dívidas das empresas, passa por cima da regra da autonomia da personalidade jurídica, na qual o sócio da empresa deve ser responsabilizado pela dívida da pessoa jurídica, única e exclusivamente, pelo total do seu capital social, salvo na hipótese prevista no artigo 50 do Código Civil, ou seja, em caso de abuso da personalidade jurídica.

De acordo com Mary Elbe, a base da criação da pessoa jurídica é exatamente a distinção entre personalidade jurídica e personalidade dos sócios da empresa. “Essa separação foi pensada justamente para proteger a personalidade e patrimônio dos sócios como um estímulo à expansão de negócios”, diz. Dessa forma, quando os sócios abrem uma empresa com capital social, é este que deve responder pelas dívidas da pessoa jurídica e não o patrimônio pessoal dos sócios. Contudo, por meio da tese, os sócios estão sendo chamados para responder com seu capital pessoal ao ressarcimento das dívidas com credores. “Isso acaba gerando uma insegurança muito grande para quem abre pessoa jurídica no Brasil”, afirma a advogada.

Desconsideração da personalidade jurídica

Mary Elbe Queiroz - professora e pós-doutora em direito tributário pela Universidade de Lisboa
Mary Elbe Queiroz.

Antes, para que os sócios fossem chamados a responder com seu capital pessoal, era preciso preencher os requisitos da chamada “desconsideração da personalidade jurídica: abuso de personalidade, desvio de finalidade ou confusão patrimonial. “Claro, nem todo mundo é inocente. Existem aqueles que abrem pessoas jurídicas e desviam o patrimônio delas para a pessoa física e para outras empresas exatamente para não pagar os devedores” diz. Nesses casos, tem-se fraude que, se devidamente comprovada, segundo a advogada, é que se pode aplicar a ‘desconsideração da personalidade jurídica’, para alcançar os bens dos sócios e assim pagar os credores.

Agora, porém, segundo esse novo entendimento, basta demonstrar que a empresa foi extinta e comprovar quem eram os sócios. Para Mary Elbe, essa nova forma de proceder em casos de dívida de empresa extinta é inadmissível. “Isso não pode jamais ser alcançado porque fere o conceito do que é a pessoa jurídica”. Há também, conforme a advogada, que estabelecer uma diferença entre um fraudador, uma pessoa que age ilegalmente, e uma pessoa jurídica inadimplente, que deu errado, como, por exemplo, milhares de empresas que durante a pandemia não puderam quitar seus débitos, porque não tinham receita. “O patrimônio pessoal não pode responder nesses casos”, afirma.

Conforme Mary Elbe, os credores estão buscando saídas para receber o que lhes é devido e encontraram essa brecha na “tese de “sucessão processual do sócio”. “Contudo, isso não pode ser levado a cabo à custa do desprezo e da supressão da proteção legal existente”, declara. De acordo com a advogada, existem devedores que realmente não conseguem arcar com suas dívidas, ainda mais levando em conta as correções com atualizações absurdas.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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