Parecer da CVM sobre criptoativos não representa um novo marco regulatório para essa indústria

Parecer da CVM sobre criptoativos não representa um novo marco regulatório para essa indústria

Maior parte do texto apenas consolida interpretações que a CVM já havia oferecido sobre o assunto

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou, na última semana, o Parecer de Orientação 40, que traz o entendimento da autarquia sobre as normas que incidem sobre os criptoativos considerados valores imobiliários, além de apresentar regras sobre a fiscalização e disciplina dos agentes de mercado. Os advogados do escritório Cescon Barrieu explicam, porém, que ela não representa uma nova regulamentação ou um marco regulatório da indústria de criptoativos.

“Na verdade, a maioria das questões ali colocadas apenas consolidam, em um único documento, diferentes interpretações e orientações que a CVM já havia dado ao mercado de forma esparsa, por meio de precedentes e Ofícios Circulares anteriores. A CVM já havia julgado, por exemplo, alguns casos avaliando os requisitos que os criptoativos deveriam atender para serem considerados valores mobiliários, como os casos do Niobium Coin e EQ9”, ressalta a sócia do Cescon Barrieu na área de mercado de capitais, Julia Franco. Ela destaca ainda que já havia sido emitido um ofício circular que esclarecia que os fundos de investimento apenas podem adquirir criptoativos diretamente se tais ativos fossem classificados como ativos financeiros no exterior e respeitassem algumas orientações de diligência.

“A principal virtude do Ofício Circular foi organizar as diferentes discussões que estavam ocorrendo dentro da Autarquia, deixando mais claro para o mercado e seus participantes o alcance e os limites da regulamentação da CVM sobre os criptoativos”, explica.

O advogado associado do Cescon Barrieu na área de Regulatório CVM, Frederico Calmon, ressalta que o parecer trouxe maior clareza sobre que informações específicas os emissores de criptoativos considerados valores mobiliários deveriam se preocupar em divulgar ao mercado e conferiu maior detalhamento sobre o papel esperado dos intermediários que atuam na distribuição dos criptoativos. O texto, segundo Calmon, ainda deixa claro que esses participantes podem distribuir criptoativos que não sejam classificados como valores mobiliários.

“Ainda precisaremos enfrentar um caminho mais profundo de discussões sobre como conferir maior segurança e previsibilidade para emissores que de fato queiram emitir security tokens (aqueles criptoativos que sejam caracterizados como valores mobiliários) e investidores interessados nesses ativos, pensando em eventuais ajustes no regime atual de ofertas públicas que destrave esse mercado de forma responsável”, opina o advogado. Para o especialista, mudanças mais efetivas na regulação da CVM ainda esperam por novas legislações. “Elas só devem acontecer após a aprovação do projeto de lei 4.401/21 ou algum outro esforço legislativo que trace as balizas para a regulamentação do mercado de criptoativos no Brasil”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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