Fundos multimercados são boa opção para diversificar o portfólio

Fundos multimercados são boa opção para diversificar o portfólio

Fundos podem ser compostos por ativos que vão de ações a CDBs, passando por títulos públicos, derivativos e até moedas e commodities

O número de brasileiros que veem no mercado de capitais uma forma de complementar suas economias está crescendo. Em janeiro de 2022, a B3 chegou à marca de 5 milhões de contas de pessoas físicas abertas em corretoras do país. Ainda, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o volume financeiro investido pelos brasileiros em títulos no primeiro trimestre de 2022 chegou a R$2 trilhões, recorde da série histórica da entidade, com início em 2014.

O que também cresceu foi a diversificação. De acordo com a B3, se em 2016 três a quatro pessoas físicas (75%) detinham somente ações, em 2021 o percentual foi de 35%. Para quem deseja diversificar o portfólio, uma boa opção são os fundos multimercados, que, como o próprio nome sugere, aloca o capital dos cotistas em diversas opções, tanto em renda fixa, com regras de rendimento definidas antes da aplicação, quanto em renda variável, cujo retorno não pode ser determinado no momento da compra. Assim, esses fundos podem ser compostos por ativos que vão de ações a Certificados de Depósito Bancário (CDBs), passando por títulos públicos e derivativos, entre outros.

Diretor de Gestão e sócio da gestora independente CTM Investimentos, Daniel Alberini (foto) explica que a lógica seguida é a mesma de outros tipos de fundos de investimento: são reunidos recursos de diversas pessoas, sendo que a soma desse dinheiro forma o patrimônio que será aplicado por uma instituição ou profissional – o gestor.

De forma resumida, é como se os fundos fossem um condomínio, uma entidade, em que os investidores são os cotistas e onde os ganhos e perdas serão compartilhados na proporção do valor investido. Nesse contexto, são os gestores que administram o patrimônio, segundo as normas já estabelecidas para o fundo. A principal diferença é que os fundos multimercados têm um leque de opções muito maior.

É importante lembrar ao investidor que o ambiente de fundos no Brasil é regulamentado através da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o que confere ampla regulação e segurança aos investidores. Na dúvida, qualquer investidor pode consultar o site da autarquia para averiguar o fundo e a gestora do fundo e sua regulamentação junto à CVM.

“Os fundos multimercados podem até mesmo investir em moedas, como dólar, euro, libra e iene, para citar algumas, e em commodities, como ouro, prata, petróleo, etc. A gama de operações é bastante ampla e relevante, permitindo que se recorra a várias estratégias. Os fundos multimercados, desta forma, têm um grau de flexibilidade maior do que os de ações”, afirma Alberini.

Importante ressaltar que ainda que o fundo seja multimercado, ele possui uma segregação. Às vezes, o gestor tem uma estratégia específica, focando só num tipo de ação. Interessante, portanto, analisar o fundo e conversar com a equipe de gestão para entender qual é o racional por trás dos investimentos.

Riscos e vantagens

Além da diversificação do portfólio, os fundos multimercados têm como principais vantagens a gestão profissional e as estratégias flexíveis de investimentos. Riscos, por sua vez, são a liquidez, atrelada ao fato de que alguns desses fundos podem ter prazos de resgate consideravelmente longos, e os riscos do próprio mercado e de crédito.

Alberini ainda acrescenta que um ponto fundamental a ser observado é se o fundo utiliza alavancagem. De maneira simplificada, trata-se de um fundo que aplica em ativos sem ter, necessariamente, o dinheiro disponível, como se fosse um empréstimo, multiplicando o valor dos aportes e impulsionando os investimentos sem a necessidade de um maior capital inicial.

“Por mais que possa ser bastante rentável, essa modalidade de fundo traz riscos relevantes. Ao mesmo tempo que acelera o ritmo de ganho, eventualmente acelera também o ritmo de perda”, pontua o diretor de Gestão da CTM Investimentos.

Taxas e tributações

Taxas que incidem sobre os fundos multimercados incluem a de administração, para remunerar a instituição que cuida da gestão, distribuição e administração do fundo; de performance, dependendo dos índices de referência do mercado financeiro que as aplicações superarem; e de saída, no momento de resgatar a cota, comumente cobrada quando há um prazo estipulado.

Quanto à tributação, a maioria dos fundos multimercados são tributados como os de renda fixa, podendo incidir Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrado se o resgate ocorrer num período menor do que 30 dias, contados a partir da aplicação, e Imposto de Renda (IR), que segue uma tabela regressiva de alíquotas – quanto mais tempo o volume permanecer aplicado, o valor que deverá ser pago ao governo será menor.

Quem pode investir?

Alberini diz que qualquer pessoa pode investir num fundo multimercados, sendo crucial estudar as opções disponíveis e verificar quais se adequam melhor ao perfil e objetivos. Conversar com especialistas, gestores e corretores é essencial.

Sobre o valor mínimo de aplicação, o sócio da CTM Investimentos pontua que há desde fundos que exigem centenas de milhares de reais a fundos que permitem aplicações mais baixas, na casa dos R$1 mil, caso do fundo da própria CTM.

“Vale olhar para as plataformas de investimento ou diretamente com o gestor do fundo. De qualquer forma, os fundos multimercados são uma classe que deveria caber para todos que desejam diversificar sua carteira. O primeiro passo para quem deseja começar a tomar um pouco mais de risco são os fundos multimercados”, finaliza o especialista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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