BNDES tem lucro recorrente de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre

BNDES tem lucro recorrente de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre

Lucro é menor do que o registrado no mesmo período de 2022

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve lucro líquido recorrente de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2023. Esse lucro é calculado desconsiderando eventos extraordinários, como resultado com alienações de ativos, provisão para risco de crédito e receitas com dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JCP).
No mesmo período do ano passado, o valor registrado foi de R$ 2,3 bilhões. O recuo decorre principalmente do menor saldo médio de Tesouraria — em virtude, principalmente, de liquidações antecipadas de dívidas junto ao Tesouro Nacional feitas no último trimestre de 2022. Os números foram apresentados pelos diretores Alexandre Abreu e Nelson Barbosa nesta terça-feira, 16, em coletiva de imprensa no escritório do BNDES em São Paulo.
O produto de intermediação financeira recorrente atingiu R$ 4,4 bilhões, valor 12% menor frente ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado exclui operações de desinvestimento da carteira de renda variável e resultados obtidos com investimentos em coligadas — entre outros efeitos de caráter esporádico –, além de receitas com dividendos/JCP e reversões ou constituições de provisão para risco de crédito (PRC).

Lucro líquido 

O lucro líquido no primeiro trimestre de 2023 foi de R$ 4 bilhões, impactado por receitas com dividendos/JCP de R$ 2,4 bilhões (basicamente Petrobras) e pela reversão líquida de R$ 700 milhões  de créditos provisionados em exercícios anteriores — principalmente honra de R$ 300 milhões pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).
A carteira de crédito e repasses, líquida de provisão, totalizou R$ 468,1 bilhões, representando 68,3% dos ativos totais em 31 de março de 2023, mesmo patamar de 31 de dezembro de 2022. A mesma estabilidade verificou-se no saldo da carteira de crédito expandida (inclui debêntures), em R$ 479 bilhões. O efeito da apropriação de juros e atualização monetária foi atenuado pelo retorno líquido das operações (liquidações foram superiores aos novos desembolsos).
A carteira de participações societárias totalizou R$ 57,5 bilhões em 31 de março de 2023, queda de 8,3% no trimestre, resultado, principalmente, da redução do valor de mercado de empresas investidas no trimestre, em especial, JBS, Eletrobras e Petrobras.
Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 685,8 bilhões em 31 de março de 2023, aumento de R$ 2 bilhões (0,3%) em relação a 31 de dezembro de 2022.

Desempenho

Os desembolsos totais, incluindo debêntures, outros ativos de crédito, operações de renda variável e não reembolsáveis, cresceram 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e somaram R$ 19,1 bilhões neste primeiro trimestre. Todavia, houve queda de 44,8% frente aos R$ 34,6 bilhões desembolsados nos últimos três meses de 2022.
A inadimplência (+ 90 dias) manteve-se em patamar baixo, oscilando de 0,13% em 31 de dezembro de 2022 para 0,06% em 31 de março de 2023, inferior à inadimplência do Sistema Financeiro Nacional – SFN (3,33% geral e 0,53% para grandes empresas, ambas na mesma data).
A boa qualidade da carteira de crédito e repasses foi mantida, com 94,2% das operações classificadas nos mais baixos níveis de risco (entre AA e C) em 31 de março de 2023. Esse percentual permanece superior ao registrado pelo Sistema Financeiro Nacional:  91% em 31 de dezembro de 2022 (última informação disponível).

Fontes de recursos

Em 31 de março de 2023, FAT e Tesouro Nacional representavam 58% e 7,1%, respectivamente, das fontes de recursos do BNDES, mesmo patamar do fechamento do último exercício. O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional atingiu R$ 46,6 bilhões, ligeira redução de 2,3%.
O FAT manteve-se como principal credor. No trimestre, ingressaram R$ 5,5 bilhões do FAT Constitucional, e foi apropriado o montante de R$ 1,8 bilhão referente aos juros, líquidos dos pagamentos ordinários. O saldo do fundo com o BNDES em 31 de março de 2023 foi de R$ 378,9 bilhões.
O passivo junto aos organismos internacionais e detentores de títulos externos do BNDES ainda em aberto totalizou R$ 26,3 bilhões, queda de 4% no trimestre, em função do efeito da desvalorização do dólar americano (que reduziu o saldo devedor dos contratos) e de amortizações ordinárias desses empréstimos.
O patrimônio líquido atingiu R$ 132 bilhões, em 31 de março de 2023, sem alteração relevante em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2022.

Limites prudenciais

Base para o cálculo dos limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central, o Patrimônio de Referência totalizou R$ 171 bilhões em 31 de março de 2023, ante R$ 175,5 bilhões em 31 de dezembro de 2022. A variação reflete os impactos da redução de R$ 5,3 bilhões do FAT como Capital de Nível 2, seguindo cronograma definido pela Resolução CMN nº 4.679/2018.
O Índice de Basileia manteve-se em situação confortável, oscilando de 34,6% ao final de dezembro de 2022 para 33,1% em março de 2023, muito acima dos 10,5% exigidos pelo Banco Central.
Para acessar as demonstrações financeiras completas do BNDES e suas subsidiárias, acesse o Portal de Relações com Investidores: bndes.gov.br/relacoes-com-investidores.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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