Empresas investem em tecnologias e consultorias para combater fraudes em currículos

69% dos recrutadores já descartaram candidatos por mentiras nos currículos
No cenário competitivo do mercado de trabalho, a tentação de “valorizar” o currículo é comum, mas as empresas estão cada vez mais vigilantes quanto às informações fornecidas pelos candidatos. Segundo uma pesquisa recente da consultoria de recursos humanos Robert Half, 69% dos recrutadores já descartaram candidatos por mentiras ou inconsistências nos currículos.
Os exageros mais frequentes incluem habilidades infladas (50%), cargos anteriores falsos (48%), fluência em idiomas superestimada (32%), distorções sobre experiências e realizações (29%) e histórico educacional inventado (26%). Para combater essas fraudes, empresas têm recorrido a consultorias especializadas, como o Grupo IAUDIT, que usa ferramentas digitais para verificar dados em tribunais, cartórios e na Receita Federal
“O número de empresas que buscam nossos serviços dobrou nos últimos dez anos”, afirma Rodolpho Takahashi, CEO do Grupo IAUDIT. “Quanto mais alto o cargo, maior a disposição da empresa em pagar para evitar cair nas mentiras dos candidatos.” O Grupo IAUDIT atende mais de 100 companhias, oferecendo soluções para identificar inconsistências em currículos e garantir a integridade do processo seletivo.
Para evitar contratações frustradas, a IAUDIT realiza um processo rigoroso de verificação, que inclui a checagem do histórico do candidato em outras empresas, certificando-se de que ele realmente trabalhou em estruturas semelhantes às que está pleiteando. Takahashi destaca que a demanda por esses serviços tem crescido, e a empresa foi recentemente procurada por uma companhia que havia contratado um diretor que não tinha sequer o ensino médio concluído. “O candidato foi tão convincente no discurso que conseguiu a vaga”, conta Takahashi. “A checagem deve ser atualizada, mesmo após a contratação.”
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Além disso, a importância da checagem de informações se estende a influenciadores considerados para publicidade, garantindo que todos os envolvidos tenham um histórico consistente e confiável.
Recentemente, a Robert Walters identificou um candidato a diretor comercial que alegava uma performance de 120% acima da meta de vendas. No entanto, uma verificação revelou que essa “performance” causou um aumento de 30% na taxa de rotatividade dos funcionários, levando a empresa a descartar o candidato.
As verificações de informações requerem autorização dos candidatos, permitindo aos recrutadores contatar empregadores anteriores para validar os dados fornecidos. A Fesa Group, por exemplo, realiza entrevistas com colegas de trabalho anteriores dos candidatos para confirmar suas qualificações.
Para evitar contratações frustradas, empresas como o Grupo UmaUma investem em tecnologias de inteligência artificial que cruzam dados de análises comportamentais, de habilidades e de experiências para detectar inconsistências. “Dá para perceber nos primeiros meses de trabalho quando alguém mentiu”, afirma Fabiana Fidalgo, líder de RH do Grupo UmaUma. “Admitir quem não é ideal pode levar a prejuízos significativos, incluindo custos de demissão e reinício do processo seletivo.”








