Crise de liquidez atinge empresas listadas e escancara uso estratégico da recuperação judicial na B3

Crise de liquidez atinge empresas listadas e escancara uso estratégico da recuperação judicial na B3

Gol, Azul e Oi recorrem à Justiça nos EUA enquanto mais de 7 milhões de empresas brasileiras enfrentam dificuldades para manter operações ativas

A crise de liquidez que afeta 7,3 milhões de empresas no Brasil, segundo dados do Serasa e do governo federal, também alcançou as companhias listadas na Bolsa de Valores. Embora o problema afete com mais intensidade micro e pequenas empresas, que somam R$ 170 bilhões em dívidas vencidas, gigantes como Gol (GOLL54), Azul (AZUL4) e Oi (OIBR3) protagonizaram novos capítulos de recuperação judicial apenas na última semana.

“Falta orientação qualificada. Muitos empresários não sabem que há caminhos legais para evitar a falência”, afirma Marcos Pelozato, advogado e contador com 14 anos de atuação na área de reestruturação empresarial.

Para ele, a baixa adesão à recuperação judicial no Brasil reflete desconhecimento e desinformação entre os próprios tomadores de decisão. “O empresário, muitas vezes, não tem clareza sobre os caminhos que pode seguir quando começa a enfrentar dificuldades”, aponta o especialista.

Os episódios mais recentes reforçam a tendência. Na última semana, a Oi anunciou a migração do processo de Chapter 15 para Chapter 11 nos Estados Unidos, mecanismo que amplia a proteção judicial frente aos credores. Três dias depois, a Azul obteve aval da Justiça americana para dar seguimento ao seu plano de reestruturação. Já a Gol encerrou seu processo de RJ no exterior com uma capitalização de R$ 12 bilhões, mas causou ruído ao negociar ações emitidas a R$ 0,01 em lotes de mil, criando uma valorização aparente que chegou a mais de R$ 700 por papel.

Mesmo em recuperação judicial, essas companhias seguem com ações negociadas na B3. Embora fiquem de fora de índices como o Ibovespa, permanecem listadas e suscetíveis a movimentos especulativos. Segundo levantamento mais recente, a B3 registra o maior número de empresas em recuperação judicial desde a promulgação da Lei 11.101/2005, que disciplina esse tipo de reestruturação.

Para Pelozato, o uso da recuperação judicial ainda enfrenta resistência no Brasil. “Há um estigma em torno deste tema no Brasil, como se fosse uma confissão de fracasso. Mas é um mecanismo legal e legítimo, inspirado no modelo norte-americano, que tem como objetivo preservar negócios viáveis”, afirma.

Segundo dados compilados pelo Mapa de Empresas do governo federal, cerca de 2 milhões de empresas encerram atividades todos os anos no país, com mortalidade de 60% nos primeiros cinco anos de existência. Ainda assim, em 2024, foram apenas 2.273 pedidos formais de recuperação judicial, número irrisório diante da quantidade de encerramentos.

“O Brasil tem um mercado com alto índice de falência precoce, e ainda assim a recuperação judicial é tratada como último recurso. Precisamos mudar essa cultura e incentivar que empresários busquem ajuda especializada antes de chegar ao colapso”, defende o advogado.

Ele aponta ainda que o mercado de reestruturação está aquecido, mas carece de profissionais qualificados. “Quanto mais advogados e contadores estiverem preparados para orientar empresários, mais chances teremos de salvar empresas, empregos e gerar impacto positivo na economia”, conclui.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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