Investidores de alta renda reforçam estratégias de proteção diante de riscos do mercado

Investidores de alta renda reforçam estratégias de proteção diante de riscos do mercado

Momento exige resiliência e visão estratégica para transformar riscos em oportunidades

O universo dos investimentos de alta renda vive um momento de reposicionamento estratégico. O crescimento global da riqueza financeira segue consistente, mas os riscos que se acumulam no horizonte, de conflitos geopolíticos a juros em patamares elevados e mudanças tributárias no Brasil, estão levando investidores sofisticados a repensar suas carteiras e estruturas patrimoniais.

De acordo com o World Wealth Report 2025, a população global de indivíduos de alta renda (HNWI) cresceu 2,6% em 2024, impulsionada especialmente pelos ultrarricos nos Estados Unidos e na Ásia. Já o cenário brasileiro vai na direção oposta: o país registrou uma expressiva queda de 13,3% na população de milionários, o pior desempenho entre os principais mercados da América Latina. Além disso, projeções da consultoria Henley & Partners indicam que, em 2025, cerca de 1.200 milionários brasileiros deverão migrar para o exterior, transferindo aproximadamente US$ 8,4 bilhões em riqueza.

Segundo Mariana Gonzalez, planejadora financeira CFP® da Monte Bravo, essa combinação de retração e saída de capitais está moldando uma nova postura no investidor brasileiro de alta renda. “Os investidores dos segmentos alta renda e private demandam hoje mais do que performance: buscam estrutura, segurança e eficiência. Nesse sentido, 2025 é um ano para proteger e reposicionar patrimônio e isso se torna tão urgente quanto buscar rentabilidade”, destaca. 

Os três riscos que mais preocupam a alta renda, segundo a especialista, são:

  1. Geopolítica e comércio global

As disputas comerciais entre os Estados Unidos e a China, somadas aos conflitos regionais, aumentam a instabilidade nas cadeias de suprimentos e no fluxo internacional de capitais. “Nesse cenário, cresce a alocação em hedge funds globais, ativos de proteção como ouro e a valorização da gestão ativa, pela capacidade de reagir rapidamente às mudanças no ambiente internacional. Na prática, isso significa que as famílias de alta renda estão privilegiando ativos que conciliam proteção cambial e liquidez”, explica Mariana.

  1. Juros elevados e o ‘valuation gap’ no private equity

O ambiente de juros altos reduziu a liquidez em operações de private equity, gerando um descompasso entre compradores e vendedores. “Temos observado mais interesse em fundos secundários, que permitem adquirir cotas com desconto, e em private credit estruturado com covenant, que garante previsibilidade e segurança. Em um ciclo de incerteza, liquidez e histórico de entregas do gestor pesam mais do que promessas futuras”, avalia.

  1. Regulação e tributação no Brasil

As mudanças trazidas pela Lei 14.754/2023, que instituiu a tributação periódica para fundos exclusivos e investimentos no exterior, além da Resolução CVM 175, que remodelou a indústria de fundos, impactaram diretamente o investidor local. “Muitas famílias precisaram revisar estruturas patrimoniais e adaptar suas estratégias. A CVM trouxe flexibilidade para personalizar fundos, o que ajuda na eficiência da carteira. Já no campo tributário é essencial ter acompanhamento contínuo e especializado, a fim de evitar perda de eficiência com impostos desnecessários”, afirma a especialista.

Oportunidades em meio à incerteza

Apesar do cenário desafiador, 2025 também abre novas avenidas de investimento. No Brasil, emissões recordes de debêntures incentivadas e a forte expansão dos FIAGROs (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) consolidam o crédito privado e o agronegócio como classes preferidas entre investidores sofisticados, sobretudo pelos benefícios fiscais e garantias reais. “A inclusão desses ativos nos portfólios deixou de ser apenas um movimento tático e vem se consolidando como um eixo estrutural na estratégia desse perfil de investidor”, completa.

Por fim, a especialista ressalta que essas soluções só se tornam efetivas para quem conta com planejamento sólido e suporte profissional. “Esses recursos estão ao alcance de investidores preparados, com estrutura adequada e assessoria especializada. Esse acompanhamento confere segurança e eficiência nas decisões patrimoniais”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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