Inadimplência atinge 9,45% em julho e cresce diante de cenário econômico

Inadimplência atinge 9,45% em julho e cresce diante de cenário econômico

Setores como roupas e calçados lideram atrasos, enquanto as tarifas dos EUA aumentam a pressão sobre o varejo brasileiro

A inadimplência voltou a subir no Brasil e acendeu um alerta para o setor varejista. De acordo com o Índice de Inadimplência do Meu Crediário, 9,45% dos consumidores estavam com contas em atraso em julho de 2025, resultado superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

 A combinação de juros elevados, perda de renda e incertezas econômicas internas já vinha pressionando famílias e empresas. Agora, o cenário ganhou um novo ingrediente de risco: a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos, que entrou em vigor no início de agosto.

Os efeitos da medida protecionista já começaram a ser sentidos. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), até 20 mil empregos podem ser perdidos caso as exportações para o mercado norte-americano sofram retração mais acentuada. O setor de calçados é um dos mais impactados, já que os Estados Unidos são o principal destino internacional do produto brasileiro. Somente no primeiro semestre, foram embarcados 5,8 milhões de pares, um crescimento de 13% em relação a 2024.

O impacto, porém, vai muito além do setor calçadista. Com insumos mais caros e o dólar pressionado, o crédito também se encarece, criando dificuldades adicionais para consumidores renegociarem dívidas ou honrarem parcelas já contratadas.

Segundo levantamento do Meu Crediário sobre o índice de inadimplência, a perda de poder de compra e o aumento do custo do crédito ampliam o risco de crescimento nos atrasos de pagamento ao longo dos próximos meses.

Panorama regional e setorial

O estudo mostra que o Sudeste lidera o ranking da inadimplência com 10,58% da população em atraso, seguido pelo Norte, com 10,53%. O Nordeste aparece com 9,82%, enquanto o Sul registra 8,92% e o Centro-Oeste mantém o menor patamar, em 8,55%.

No recorte por setores, roupas e calçados concentram o maior número de inadimplentes, com 11,25% dos consumidores em atraso. Esse dado reforça a vulnerabilidade do varejo de bens não essenciais em períodos de instabilidade, já que o consumidor tende a priorizar despesas básicas como alimentação e moradia.

Risco de efeito dominó

O movimento tarifário dos EUA também abre espaço para uma reação brasileira. Caso o governo opte por adotar medidas de reciprocidade, especialistas consultados pela SuperVarejo projetam uma queda de até 30% nas importações de produtos norte-americanos, o que poderia provocar um efeito dominó na cadeia de consumo interno.

Nesse ambiente de incerteza, lojistas enfrentam um dilema: ao mesmo tempo em que precisam manter estratégias de atração e fidelização de clientes, são obrigados a apertar o cerco na concessão de crédito para reduzir riscos de calote.

Vale ressaltar que entre as recomendações estão a adoção de análises mais rigorosas de crédito, a intensificação de negociações diretas com devedores e o investimento em relacionamento com clientes como forma de evitar perdas maiores no setor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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