Especialista explica como investir em ativos tokenizados em mercado que já soma R$ 500 milhões no Brasil
Investidores que diversificam a carteira devem observar cinco cuidados ao aplicar em imóveis, precatórios e consórcios
O mercado brasileiro de investimentos alternativos vive um novo capítulo com a tokenização de títulos reais, como imóveis, precatórios e cotas de consórcios. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que mais de R$ 500 milhões já foram registrados em blockchain, em operações que reduzem burocracias e ampliam o acesso a classes de investimento antes restritas a grandes aplicadores.
Em 2025, empresas como Vórtx QR, Liqi e BB Asset lideram iniciativas com tokens fracionados, que permitem a investidores pessoa física aplicar em partes menores de ativos de alto valor. As transações são liquidadas em tempo real e registradas de forma imutável em blockchain, o que reforça segurança e transparência.
O movimento segue uma tendência global. Relatório da consultoria Boston Consulting Group (BCG) projeta que o mercado de ativos tokenizados pode alcançar US$ 16 trilhões até 2030, o equivalente a 10% do PIB mundial. Para o especialista em Embedded Finance e integração de serviços financeiros a plataformas digitais, Luis Molla Veloso, o avanço da modalidade pode redefinir a forma como o brasileiro se relaciona com o mercado de capitais.
“Trata-se de uma inovação que democratiza o acesso a aplicações antes restritas. A possibilidade de fracionar imóveis, recebíveis ou cotas de consórcios amplia a base de investidores e cria liquidez em mercados historicamente ilíquidos. Setores como o imobiliário, o agronegócio e a infraestrutura possuem grande potencial de expansão”, avalia o especialista.
Regulamentação

A CVM e o Banco Central têm acelerado iniciativas regulatórias para garantir segurança jurídica e reduzir riscos. No início do ano, a autarquia publicou orientações sobre ofertas públicas de tokens de recebíveis, e o BC trabalha em diretrizes para integração entre blockchain e o Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Entre os desafios, Veloso destaca a necessidade de normas mais claras sobre a natureza jurídica das cotas digitais e a harmonização tributária.
“A regulação ainda está em construção. A segurança sobre enquadramento e tributação será essencial para atrair mais emissores e investidores institucionais”, afirma Veloso.
Na projeção do especialista, o Brasil deve assistir à expansão da tokenização para setores estratégicos como infraestrutura e agronegócio, criando um novo mercado de capitais mais inclusivo e digital. “O grande desafio será alinhar inovação e segurança jurídica, garantindo clareza tributária e confiança do investidor. Quem começar a se posicionar agora terá vantagem em um mercado que deve crescer de forma exponencial até o fim da década”.
Como investir em ativos tokenizados, segundo Luis Veloso:
- Verifique a origem – entenda se o título está lastreado em imóvel, precatório, consórcio ou outra cota real, e se há documentação jurídica adequada.
- Consulte a regulação – certifique-se de que a emissão segue orientações da CVM e que a plataforma de negociação está em conformidade.
- Avalie a liquidez – aplicações fracionadas ampliam acesso, mas nem sempre contam com mercado secundário. Planeje o prazo do investimento.
- Considere a tributação – ganhos podem estar sujeitos a imposto de renda; informe-se sobre as regras aplicáveis a cada tipo de ativo.
- Diversifique – utilize a tokenização como parte da estratégia de portfólio, sem concentrar todo o capital em uma única aplicação.
“Assim como em qualquer modalidade de investimento, a tokenização exige análise criteriosa. O investidor deve olhar para o lastro, a governança e a regulação antes de entrar. A grande vantagem é que agora ele pode acessar ativos antes restritos, mas isso não elimina a necessidade de cuidado”, conclui Veloso.
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