Por que trocar o crédito pelo débito em 2026?

Por que trocar o crédito pelo débito em 2026?

Uso mais frequente do débito ajuda a manter o orçamento sob controle

O cartão de crédito continua avançando no orçamento das famílias brasileiras e ganhando espaço nas compras do dia a dia. Levantamentos da Abecs mostram que o uso de cartões, principalmente o crédito, cresce ano após ano no comércio físico e no online. O movimento, porém, acompanha outro indicador: segundo o SPC, cerca de 80 milhões de pessoas terminarão o ano endividadas.

Para Breno Nogueira, influenciador e especialista em planejamento financeiro, a preferência pelo crédito no dia a dia cria uma sensação de renda maior do que a real. Ele destaca que o uso mais frequente do débito ajuda a manter o orçamento sob controle e reduz riscos, como perda de renda, acúmulo de parcelas e cobranças inesperadas.

O especialista também comentou sobre os principais problemas que grande parte dos usuários do cartão de crédito enfrentam — e por que é importante controlar ao máximo o uso. Confira:

1. O cartão transforma o salário em “pagador de fatura”

Quando o cartão de crédito concentra todas as despesas, o salário deixa de financiar a vida real e passa a servir apenas para pagar a fatura. Breno Nogueira explica que é assim que muitas famílias entram em um ciclo em que nada sobra no final do mês — e, sem sobra, o consumidor continua recorrendo ao cartão para sobreviver ao mês seguinte. A ausência de limite no crédito favorece esse comportamento, diferente do débito, que mostra o impacto do gasto imediatamente.

2. Gastos variáveis ficam invisíveis no crédito

Despesas que mudam conforme o dia — cafés, delivery, mercado rápido — deveriam ser monitoradas em tempo real. No crédito, normalmente, elas se acumulam sem “dor imediata”, só aparecendo 30 dias depois. Breno aponta que é justamente nesses gastos flexíveis que o débito funciona melhor: a falta do dinheiro no saldo força o consumidor a ajustar o ritmo no mesmo dia, evitando que essas compras se transformem em uma fatura difícil de pagar.

3. Parcelamentos competem com despesas essenciais

Compras parceladas criam um compromisso futuro que muitas vezes é esquecido. Quando as parcelas começam a se sobrepor, elas pressionam despesas fixas como aluguel, energia e saúde. Breno defende que o parcelamento não é o vilão, mas exige disciplina — algo que se perde quando o consumidor já está com a renda tomada por faturas volumosas. No débito, a compra é sentida na hora e evita que o orçamento seja comprometido por meses.

4. Muitos cartões dificultam o controle

Quanto mais cartões na carteira, maior o risco do consumidor perder o controle do que já gastou e de quanto ainda será cobrado. Isso aumenta a chance de inadimplência e de cobranças inesperadas. Para quem busca reorganizar as contas, Breno recomenda reduzir a quantidade de cartões ativos e priorizar o débito enquanto recupera margem financeira.

5. Limite não é renda — e essa confusão custa caro

Um dos erros mais comuns é tratar o limite do cartão como uma extensão do salário. Breno reforça que o crédito não representa um dinheiro disponível na conta, mas sim uma antecipação de uma renda que ainda virá. Quando o consumidor se apoia no limite para fechar o mês, qualquer imprevisto, perda de renda, queda de comissões, atraso de pagamento, vira um gatilho para o endividamento. “Quando o débito é priorizado, o consumidor volta a calibrar o orçamento com base no dinheiro real e não em uma projeção”, completa Breno.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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