Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar emprego formal em micro e pequenas empresas

Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar emprego formal em micro e pequenas empresas

Estudos de CNC e CNI estimam efeito bilionário em custos

A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro do Congresso com propostas que reduzem a jornada semanal para 36 horas e alteram a organização do trabalho. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a proposta pode ser votada em maio no Plenário, após diálogo com os setores.

Para a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) a mudança, como vem sendo discutida, traz risco direto para micro, pequenas e médias empresas, com impacto potencial sobre custo de contratação, emprego formal e preços ao consumidor.

“O debate sobre qualidade de vida é legítimo, mas o fim da escala 6×1, nos termos apresentados, tende a elevar custos, pode afetar a produtividade e pressiona micro, pequenas e médias empresas, que têm menos margem para reorganizar turnos e absorver aumento de despesa”, afirma Fábio Saraiva, presidente da Conaje.

A avaliação ocorre em um momento em que entidades empresariais passaram a divulgar estimativas de impacto. Um parecer técnico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a adequação pode elevar em 21% a folha salarial do comércio e gerar custo adicional de R$122,4 bilhões por ano no setor.

Na Câmara, duas PECs concentram o debate. A PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, prevê semana de quatro dias e jornada de 36 horas, sem redução salarial. A PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes, também fixa jornada de até 36 horas semanais e propõe implementação gradual.

As duas propostas tramitam de forma vinculada. A PEC 8/2025 foi apensada à PEC 221/2019 e aguarda andamento na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, CCJC.

O que dizem os estudos

No comércio, um parecer técnico-econômico da CNC simulou a adoção de um novo teto de 40 horas semanais. Como as propostas em debate não preveem redução nominal de salário, o estudo afirma que a adequação exigiria reorganização contratual e, em alguns cenários, contratações adicionais para manter o funcionamento regular dos estabelecimentos. O custo total de adaptação no setor foi estimado em R$122,4 bilhões por ano, com aumento imediato de 21% na folha salarial.

O mesmo parecer modela um possível efeito-preço. Segundo a CNC, no longo prazo, cada aumento de 1% na massa salarial do comércio pode gerar alta média de 0,6% nos preços ao consumidor final. Com base nessa relação, um aumento de 21% na folha poderia resultar em pressão de até 13% nos preços. O documento ressalta que o repasse integral tende a não ocorrer, porque a renda das famílias pode não absorver um reajuste dessa magnitude, o que empurra o ajuste para queda de vendas e outras medidas de redução de custos.

No recorte nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou estimativas de aumento de custos com empregos formais de até R$267,2 bilhões por ano em simulações de redução da jornada de 44 para 40 horas, com impacto mais pesado em empresas de micro e pequeno porte, sobretudo na indústria. Os números ganham peso diante do tamanho do emprego formal no país. A RAIS 2024 registrou 57.132.156 vínculos ativos em 31 de dezembro de 2024.

O que a Conaje defende

A Conaje diz que a melhoria das condições de vida do trabalhador exige um caminho sustentável e previsível, com redução do custo estrutural do emprego formal e foco na produtividade. “Sem análise de impacto e regras claras, o risco aparece no emprego formal, no estímulo à informalidade, no repasse de preços ao consumidor e na aceleração de automação como resposta de contenção”, diz Fabio Saraiva.

Segundo a entidade, o debate precisa incluir redução do custo de contratação, simplificação de obrigações e negociação coletiva setorial com regras de transição, além de políticas de qualificação profissional. A Conaje afirma que acompanha a tramitação das propostas e pretende contribuir com sugestões para preservar empregos e competitividade, com foco nas micro, pequenas e médias empresas.

Foto: Reprodução internet

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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