Redução da Selic: CNC alerta para entraves estruturais e necessidade de manter tendência de redução

Redução da Selic: CNC alerta para entraves estruturais e necessidade de manter tendência de redução

Decisão do Copom marca início do esperado ciclo de flexibilização monetária

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avalia que a nova taxa básica de juros Selic, reduzida em 0,25% nesta quarta-feira (18) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, abre espaço para que dentro de alguns meses a economia brasileira encontre melhores condições desenvolvimento sustentável e contínuo.

“Em nove meses com a maior Selic das últimas duas décadas, vimos o endividamento e a inadimplência do consumidor brasileiro baterem recordes”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros(foto).

“A redução confirmada nesta quarta era necessária e aguardada pelos setores produtivos, mas é apenas o começo do caminho que esperamos trilhar, com menos juros, mais previsibilidade e um cenário mais favorável ao crescimento do País.”

A nova Selic, de 14,75% ao ano, confirma o início de um ciclo de flexibilização monetária em ritmo moderado, em linha com a expectativa predominante do mercado nos últimos dias.

A decisão ocorre em um ambiente de elevada incerteza internacional, marcado pela escalada de tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo. A alta da commodity tem pressionado as expectativas de inflação em nível global, impondo limites à atuação de bancos centrais, especialmente em economias emergentes como o Brasil.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os ciclos de endividamento e encarecimento do crédito no mercado brasileiro ainda vão estabilizar antes de seguir a redução.

“O repasse da alta do barril de petróleo para a inflação brasileira é um fator incremental de incerteza em um ano de menor previsibilidade como 2026. O grau de repasse depende de diversos fatores como a política de preços da Petrobrás, a taxa de câmbio, carga tributária, adição de etanol. Embora tais fatores possam atuar como atenuantes, tal impacto atinge praticamente toda a cedia produtiva.”

Apesar do início do ciclo de cortes, o ambiente econômico ainda demanda cautela. A resiliência da atividade e do mercado de trabalho, combinada à volatilidade cambial e às pressões externas, mantém o desafio de convergência da inflação para a meta.

Efeitos positivos

Para o setor de comércio, serviços e turismo, a redução da Selic tende a produzir efeitos positivos de forma gradual, ao aliviar o custo do crédito e estimular o consumo das famílias. No entanto, a entidade destaca que a velocidade dessa recuperação dependerá não apenas da política monetária, mas também do avanço de uma agenda mais ampla de reforma institucional e ganho de eficiência econômica.

“A pressão inflacionária decorrente do cenário externo se soma a fatores domésticos que continuam a exigir prudência da política monetária. Entre eles, destacam-se os entraves estruturais associados ao chamado custo Brasil, que encarecem a produção, reduzem a competitividade e dificultam uma trajetória mais consistente de queda dos juros”, complementa Bentes.

Reformas pela eficiência

Nesse contexto, a CNC ressalta que o avanço de reformas estruturais — em especial a reforma administrativa — é fundamental para aumentar a eficiência do Estado e melhorar a qualidade do gasto público. Medidas nessa direção podem contribuir para reduzir incertezas fiscais, ampliar a confiança dos agentes econômicos e criar espaço para uma queda mais sustentada da taxa de juros no médio e longo prazo.

A decisão do Copom também reforça a importância da previsibilidade na condução da política econômica. Na avaliação da CNC, sinalizações claras sobre os próximos passos serão essenciais para orientar investimentos, fortalecer a confiança e sustentar um ambiente mais favorável à atividade produtiva ao longo de 2026.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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