Brasil tem 25,3 milhões de empresas ativas

Brasil tem 25,3 milhões de empresas ativas

Expansão é puxada pelos microempreendedores e amplia desafios de gestão

O Brasil alcançou 25,3 milhões de empresas ativas, segundo a segunda edição do estudo CNPJs do Brasil, produzido pela BigDataCorp, divulgados pelo site do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). O número faz parte de um universo de mais de 64 milhões de CNPJs registrados no país, marca inédita que reflete a rápida expansão da base empresarial.

O avanço é impulsionado principalmente pelo crescimento dos Microempreendedores Individuais (MEIs), categoria que tem facilitado o acesso de milhões de brasileiros à formalização, ao crédito e a direitos previdenciários.

Esse movimento se mantém mesmo em contextos adversos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a abertura e a manutenção de pequenos negócios continuaram apesar dos impactos da enchente que atingiu o estado em maio de 2024.

Levantamentos do Sebrae indicam que os pequenos negócios seguem como um dos principais pilares da economia nacional, com contribuição relevante para a geração de empregos, inovação e desenvolvimento local. A evolução do ecossistema empreendedor ocorre em paralelo a um endurecimento das regras de segurança e saúde.

Todas as organizações, do micro ao grande porte, devem agora se adequar à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Considerada a “norma matriz” da Segurança do Trabalho no Brasil,  a atualização estabelece as diretrizes gerais que fundamentam todas as demais exigências legais do setor, sendo de cumprimento obrigatório para a operação de qualquer negócio em território nacional.

Crescimento amplia responsabilidades das empresas

A expectativa dos empreendedores para o curto prazo é majoritariamente positiva, com parte significativa planejando expandir suas atividades e a maioria indicando intenção de manter o nível atual de operação.

Ao mesmo tempo, cresce o grupo que avalia reduzir ou encerrar negócios, sinalizando cautela diante de custos elevados e incertezas do ambiente econômico.

O crescimento acelerado da base empresarial amplia não apenas o peso econômico das empresas, mas também a complexidade de sua gestão. À medida que mais organizações passam a empregar, formalizar relações de trabalho e estruturar equipes, aumentam as responsabilidades relacionadas à governança, à gestão de pessoas e ao cumprimento de normas legais, especialmente entre empresas de pequeno e médio porte que operam com estruturas enxutas.

Nesse cenário, as empresas precisam estar atentas às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o escopo da gestão de riscos ocupacionais e passa a incluir fatores psicossociais, como saúde mental, clima organizacional e condições de trabalho.  A urgência é ratificada por dados oficiais de 2025, onde o Brasil registrou o recorde de 546 mil afastamentos, atingindo o maior índice em uma década.

O prazo para adequação vai até 26 de maio de 2026, período em que as organizações devem realizar o mapeamento estruturado desses riscos, preparar lideranças e estabelecer mecanismos formais de acompanhamento.

O descumprimento da norma pode resultar em multas que variam de R$ 2.396,35 a R$ 6.708,08 por infração, conforme a gravidade e o porte da empresa. As penalidades podem ser aplicadas por item violado, com risco de interdição de atividades e ações judiciais.

Em casos de reincidência, o valor das multas pode chegar a até 50 vezes o montante inicial, elevando significativamente o passivo financeiro e jurídico.

Gestão e conformidade prática

Diante desse contexto, a existência de um Canal de Acolhimento tem sido apontada como um dos instrumentos capazes de apoiar a gestão preventiva de riscos psicossociais. Segundo a Contato Seguro, que atua na estruturação desse tipo de canal no ambiente corporativo, a ausência de registros formais dificulta a identificação precoce de padrões e recorrências relacionados a conflitos, sobrecarga e situações sensíveis no trabalho.

Para Heloísa, especialista da área de Gente e Gestão, destaca que o processo vai além da burocracia, onde o pequeno e médio empresário também deve tratar a conformidade não como um peso, mas como proteção ao seu negócio.

“Esse tipo de solução não é apenas para as empresas gigantes do mercado. O Canal de Acolhimento da Contato Seguro foi feito para empresas de todos os tamanhos, que em vez de esperar um problema virar uma multa pesada ou uma ação na Justiça, permite que a companhia ouça o que está acontecendo no dia a dia, documente que está cuidando do ambiente e resolva tudo de um jeito mais seguro e ético. É transformar a obrigação da NR-1 em uma segurança real para o negócio e para as pessoas”, destaca Heloísa.

De acordo com a empresa, o objetivo é oferecer suporte às áreas de Recursos Humanos, frequentemente sobrecarregadas, permitindo que a gestão deixe de atuar apenas de forma reativa e passe a utilizar dados estruturados como apoio à tomada de decisão.

Com uma base empresarial cada vez mais numerosa e diversa, especialistas avaliam que o período de transição até a plena vigência da NR-1. É uma oportunidade para que empresas possam estruturar processos, reduzam vulnerabilidades e se preparem para um ambiente regulatório mais exigente, conciliando crescimento econômico com responsabilidade na gestão de pessoas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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