Reajuste de medicamentos expõe desigualdade de acesso à saúde no Brasil

Preço final ao consumidor pode variar conforme estratégias comerciais, políticas de desconto e condições de mercado
Abril marca um período sensível para milhões de brasileiros que dependem de medicamentos de uso contínuo: a atualização anual dos preços de medicamentos. Regulada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), a medida estabelece limites para os reajustes aplicados pela indústria farmacêutica e, embora seja um mecanismo de controle, acaba evidenciando desafios mais amplos relacionados ao acesso à saúde no país.
Para Oscar Basto, Diretor de Negócios Pharma da Funcional, pioneira e líder em programas de acesso e adesão no Brasil, o tema vai além de uma atualização de preços. “O reajuste anual é um processo esperado e regulado, mas seus efeitos não são sentidos de forma igual pela população. Existe uma tendência de olhar apenas para o percentual autorizado, mas o ponto central é como esse movimento se traduz na prática para o paciente. O impacto não é homogêneo e depende de uma série de fatores que vão além da regulação”, afirma.
Em 2026, os percentuais autorizados seguem critérios técnicos que consideram fatores como inflação e dinâmica de mercado, com variações conforme o nível de concorrência entre os produtos, podendo chegar a até 5,06% para medicamentos com alta concorrência, 3,83% para aqueles com concorrência intermediária e 2,60% nos casos de menor competição. Nem todos os medicamentos necessariamente terão aumento efetivo, e o preço final ao consumidor pode variar conforme estratégias comerciais, políticas de desconto e condições de mercado.
Além disso, há componentes menos visíveis que influenciam diretamente o custo percebido. “Diferenças tributárias, logísticas e operacionais entre regiões fazem com que um mesmo medicamento tenha preços distintos no país, ampliando a desigualdade de acesso. O consumidor enxerga apenas o preço na gôndola, mas existe uma estrutura complexa por trás. Dependendo da região, o impacto pode ser significativamente maior, o que reforça um cenário desigual”, explica Basto.
Esse contexto ajuda a explicar por que o período de pré-alta costuma vir acompanhado de ansiedade por parte dos consumidores e pressão sobre o varejo farmacêutico, que precisa equilibrar estoques, margens e competitividade. Para quem depende de tratamentos contínuos, o principal risco está na interrupção ou no uso irregular dos medicamentos, especialmente diante de aumentos — reais ou percebidos — no custo.
Segundo o executivo, o desafio vai além do reajuste anual. “Estamos falando de um sistema com custos regulados, diferenças regionais e pressões econômicas constantes. O verdadeiro ponto de atenção é como garantir que o paciente consiga manter o tratamento de forma contínua nesse cenário”, afirma.
É nesse contexto que os Programas de Benefício em Medicamentos (PBMs) e o Benefício Farmácia se consolidam como ferramentas estratégicas para equilibrar o sistema. Mais do que reagir a aumentos pontuais, esses programas atuam como um mecanismo de previsibilidade e acesso, ajudando a reduzir o impacto financeiro ao longo de toda a jornada do paciente. “Os programas funcionam como um amortecedor, e organizam o acesso antes, durante e depois do reajuste, permitindo que o paciente tenha mais previsibilidade e condições reais de manter o tratamento”, explica Basto.
Na prática, programas deste tipo viabilizam subsídios, descontos estruturados e, no caso do Benefício Farmácia, até crédito para aquisição de medicamentos, o que pode permitir ao paciente se antecipar a períodos de maior pressão de preços e organizar melhor seu consumo. “Quando você reduz a barreira de entrada e dá previsibilidade, aumenta significativamente a adesão ao tratamento. Isso é ganho direto em saúde”, diz.
Para Basto, a discussão precisa evoluir. “A pauta não deve ser apenas o aumento de preço, mas como garantir acesso contínuo à saúde em um ambiente complexo. O Benefício Farmácia é uma das principais ferramentas para equilibrar essa equação, trazendo eficiência, previsibilidade e melhores desfechos para todos os envolvidos”, conclui o executivo.








