86% da Geração Z prioriza crescimento, enquanto 66% dos boomers valorizam o equilíbrio

Estudo mostra que prioridades no ambiente de trabalho refletem o estágio de carreira e não conflito geracional
Um novo levantamento da consultoria global de soluções em talentos Robert Half revela que as prioridades profissionais variam de forma significativa ao longo da trajetória de carreira. Enquanto 86% dos profissionais da Geração Z apontam crescimento e promoção como principal foco, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o aspecto mais valorizado entre os Baby Boomers (66%).
Os dados também indicam que essas diferenças estão menos relacionadas à identidade geracional e mais ao momento de vida e estágio de carreira. Esse aspecto é fundamental em um momento em que as organizações buscam redesenhar suas estratégias de atração e retenção de talentos. Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e com maior mobilidade, as empresas enfrentam o desafio de alinhar suas propostas de valor ao empregado às expectativas de uma força de trabalho em constante evolução.
Tabela comparativa entre gerações
| Prioridade | Geração Z | Geração Y | Geração X | Baby Boomers |
|---|---|---|---|---|
| Crescimento e promoção | 86% | 58% | 39% | 13% |
| Estabilidade e segurança | 47% | 51% | 52% | 47% |
| Reconhecimento e propósito | 44% | 36% | 39% | 27% |
| Flexibilidade | 28% | 31% | 27% | 32% |
| Equilíbrio vida pessoal/profissional | 19% | 58% | 64% | 66% |
| Explorar novos interesses | 25% | 16% | 31% | 41% |
| Requalificação e atualização | 8% | 9% | 15% | 13% |
A pesquisa mostra que profissionais no início da carreira tendem a priorizar desenvolvimento e progressão, enquanto perfis mais experientes passam a valorizar cada vez mais estabilidade, propósito e qualidade de vida. Segundo Erika Moraes, gerente da Robert Half, essa mudança acompanha transformações naturais, como a maturidade profissional e o aumento das responsabilidades pessoais.
“Há uma tendência de simplificar demais o debate sobre gerações, mas os dados apontam para uma realidade diferente. O que muda de forma mais consistente são as prioridades ao longo da vida pessoal e profissional. Quando as organizações entendem essa lógica e a incorporam às suas práticas de gestão de pessoas, conseguem aumentar o engajamento e reter talentos-chave de forma mais eficaz”, acrescenta.
Em um campo laboral que pode reunir até quatro gerações, políticas rígidas que desconsideram essas nuances frequentemente geram desalinhamento. Isso afeta negativamente a produtividade e a retenção de talentos, além de impactar indicadores importantes do negócio, como custos de reposição e preservação do conhecimento estratégico.
“Não é preciso criar políticas individualizadas para cada geração. Em vez disso, as empresas devem construir sistemas suficientemente flexíveis para apoiar os profissionais à medida que evoluem dentro da organização e ao longo de suas carreiras. Os resultados reforçam que crescimento, estabilidade, reconhecimento e equilíbrio não são prioridades concorrentes, ainda que sua importância varie conforme as diferentes fases da vida profissional”, orienta Moraes.
Nesse contexto, destacam-se as empresas que desenvolvem práticas mais adaptáveis, sem fragmentar sua cultura organizacional. Algumas das estratégias mais eficazes incluem:
- Desenvolvimento personalizado ao longo da jornada profissional
- Modelos de reconhecimento alinhados a diferentes expectativas
- Comunicação clara sobre crescimento, remuneração e benefícios
- Capacitação de líderes para lidar com equipes diversas








