Boom silencioso dos galpões logísticos ganha força no Brasil e sustenta entregas cada vez mais rápidas

Boom silencioso dos galpões logísticos ganha força no Brasil e sustenta entregas cada vez mais rápidas

Estudo aponta mais de 360 mil m² absorvidos no 1º trimestre de 2026

O avanço das entregas rápidas no Brasil tem por trás um movimento menos visível, mas cada vez mais estratégico: a expansão consistente dos galpões logísticos de alto padrão no entorno das grandes cidades. Esse “boom silencioso” segue ganhando força em 2026, sustentado pelo crescimento do e-commerce, da digitalização do varejo e pela busca por operações mais eficientes.

De acordo com o relatório MarketBeat Industrial do primeiro trimestre de 2026, da consultoria Cushman & Wakefield, o mercado brasileiro registrou absorção líquida de 360.027 m² no período, mantendo o ritmo de expansão mesmo em um cenário econômico ainda desafiador, com juros elevados e maior seletividade por parte das empresas.

Além disso, o volume de novas locações permaneceu elevado, somando 565.006 m² no trimestre, o que reforça o dinamismo do setor e a continuidade da demanda por espaços logísticos modernos e bem localizados.

“O mercado segue resiliente, com ocupantes cada vez mais criteriosos, mas ainda bastante ativos na busca por qualidade, especialmente em regiões estratégicas”, afirma Dennys Andrade, Head de Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield.

São Paulo se consolida como principal hub logístico

A região Sudeste manteve sua liderança no mercado, concentrando praticamente toda a absorção do período, com destaque absoluto para São Paulo. O estado respondeu por 270.784 m² de absorção líquida, reafirmando sua posição como principal polo logístico do país. Já o volume de novas locações atingiu 389.893 m², indicando forte atividade operacional e confiança dos ocupantes no mercado paulista.

Regiões como Guarulhos, Cajamar e Sorocaba seguem como protagonistas, concentrando a maior parte da demanda e refletindo a importância dos grandes eixos logísticos para operações de distribuição.

Outro destaque é o volume expressivo de pré-locações, que ultrapassa 600 mil m² no estado, sinalizando continuidade da demanda e sustentação do crescimento ao longo do ano.

Vacância em queda

O estudo também mostra um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda. A taxa de vacância nacional caiu para 5,62%, uma retração relevante em relação ao fim de 2025, indicando alta ocupação dos ativos disponíveis.

Em São Paulo, esse indicador é ainda mais baixo, atingindo 5,24%, o que reforça a pressão por espaços logísticos em regiões consolidadas.

Com menos áreas disponíveis, os preços seguem sustentados. O valor médio pedido no Brasil chegou a R$ 28,94/m², com São Paulo liderando entre os estados, com R$ 32,59/m². Em alguns submercados premium, como Guarulhos e Grande ABC, os valores já ultrapassam R$ 40/m², refletindo a combinação de localização estratégica, qualidade construtiva e alta demanda.

Varejo e operadores logísticos puxam expansão

O crescimento do setor segue diretamente ligado à transformação do consumo no país. No primeiro trimestre, os segmentos de comércio, atacado e varejo lideraram a demanda, com 189.949 m² ocupados, seguidos pelos operadores logísticos, com 98.237m².

A presença de grandes empresas de e-commerce e distribuição, como marketplaces e operadores de última milha, tem impulsionado a ocupação de galpões cada vez mais próximos dos centros urbanos, reduzindo prazos de entrega e aumentando a eficiência logística.

Mercado segue absorvendo oferta

Do lado da oferta, o mercado recebeu 202.339 m² de novos empreendimentos no trimestre, com forte concentração no Sudeste, que respondeu por mais de 90% desse volume.

São Paulo liderou as entregas, seguido por Minas Gerais, com destaque para regiões como Contagem, Betim e o Sul de Minas, que vêm ganhando relevância como alternativas logísticas fora dos grandes centros. Mesmo com a entrada de novos projetos, o mercado segue absorvendo boa parte desse estoque, o que contribui para a manutenção da vacância em níveis baixos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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