Setor de alimentos deve liderar vendas no comércio durante a Copa do Mundo

Setor de alimentos deve liderar vendas no comércio durante a Copa do Mundo

Torneio de futebol que começa no dia 11 de junho deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, 6,5% a mais do que na última edição

Faltando 10 dias para o início da Copa do Mundo de Futebol Masculino, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o evento a ser realizado na América do Norte deverá gerar um impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do comércio varejista brasileiro.

O montante representa um aumento real de 6,5% em relação ao faturamento consolidado de quatro anos atrás, registrado na edição de 2022. O avanço total é impulsionado pelo maior dinamismo do mercado de trabalho e pela inflação menor, fatores que compensam o encarecimento do crédito que acabou por travar a tradicional corrida por novos televisores.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destaca que o consumo associado ao lazer segue como importante motor das vendas em datas específicas do calendário.

“A cada quatro anos, a mobilização em torno do futebol impulsiona especialmente o comércio de eletroeletrônicos, ainda que o poder de compra do consumidor esteja abaixo do esperado. Essa relativa retração tem uma explicação direta: as severas condições de financiamento. Desde setembro de 2025, a economia brasileira enfrenta um dos mais intensos ciclos de aperto monetário dos últimos vinte anos, com juros básicos em patamar superior ao que seria adequado para estimular o crescimento”, afirma Tadros.

Diante do crédito mais caro, a tendência é que as vendas em determinados segmentos reajam de forma diferenciada, concentrando-se fortemente no consumo imediato de alimentos, bebidas e artigos de menor valor.

Expectativa por setor

A CNC detalha o seguinte desdobramento do faturamento extra de R$ 4,32 bilhões entre as principais atividades do varejo, com Hiper e Supermercados liderando a lista. O ramo de produtos alimentícios e bebidas deve responder por quase 70% das vendas, totalizando R$ 3,97 bilhões. Os impactos positivos coincidem com o mês do início do Mundial.

Na sequência, Vestuário e Acessórios, segmento que deve alcançar o segundo maior impacto, com faturamento estimado em R$ 803,7 milhões. Depois, Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, com lojas especializadas, que incluem a venda de eletroeletrônicos menores e devem responder por R$ 262,6 milhões.

Por fim, Informática e Comunicação, com expectativa de movimentação de R$ 198,5 milhões e Móveis e Eletrodomésticos, com previsão de R$ 80,2 milhões. Diferentemente dos demais, o efeito líquido se dá de forma defasada, ocorrendo dois meses antes para móveis e um mês antes para eletrodomésticos.

Pesquisa, mas não compra

Segundo levantamento realizado pela CNC com base no Google Trends, houve aumento pontual de 8,4% na procura por Smart TVs em lojas on-line no mês de maio, na comparação com o mês imediatamente anterior. Apesar dessa reação com a proximidade do evento, a busca por esse produto segue 15,6% abaixo daquela verificada às vésperas da Copa de 2022, ficando também aquém dos patamares observados nos anos de 2014 e 2018.

Um paradoxo econômico marcará o comportamento de compra dos brasileiros para este torneio. De acordo com o IPCA-15, houve queda de 18,9% no preço médio dos televisores entre o Mundial de 2022 e o deste ano. Apesar disso, o barateamento não tem sido suficiente para estimular a aquisição ou a troca de aparelhos por parte dos consumidores no varejo.

O otimismo moderado da CNC para o varejo geral apoia-se em alguns outros números importantes que a PNAD Contínua do IBGE nos mostra: entre o segundo trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação no País recuou substancialmente de 9,3% para 6,1%, enquanto a massa de rendimento médio real avançou 28,8%. Isso e uma inflação menor do que o esperado são um bom sinal para o varejo, compensando essas taxas de juros excessivas”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Mesmo com o início do processo de flexibilização, as barreiras atuais superam o cenário de quatro anos atrás. A taxa Selic atual, de 14,5% ao ano, segue significativamente acima daquela observada às vésperas do Mundial de 2022, que era de 12,75%. Além disso, o menor estímulo às compras a prazo se revela por meio da taxa média de juros das operações envolvendo crédito às pessoas físicas, que atualmente é superior a 61% ao ano. Em meados de 2022, essa mesma taxa média de juros se situava abaixo dos 50% ao ano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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