Ricardo Amorim alerta empresários sobre novo cenário global

Ricardo Amorim alerta empresários sobre novo cenário global

Na Convenção do Canal Indireto, economista defende adaptação como vantagem competitiva

A instabilidade geopolítica global, as mudanças tecnológicas aceleradas e a necessidade de adaptação constante dominaram a palestra inaugural do economista Ricardo Amorim na abertura oficial da 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – Abad 2026, que está sendo realizada em Atibaia (SP). Com o tema “Brasil em transformação: tendências econômicas e estratégias para um mercado cada vez mais desafiador”, o especialista traçou na noite desta segunda-feira (8) um panorama histórico e estratégico da economia brasileira diante de um cenário internacional marcado por incertezas.

Para uma plateia formada por cerca de mil empresários, atacadistas e distribuidores de todo o País, Amorim utilizou indicadores históricos, dados econômicos e exemplos geopolíticos para explicar como o Brasil pode transformar desafios em oportunidades. O economista percorreu acontecimentos que vão da crise do petróleo de 1973 ao avanço da Inteligência Artificial, destacando que grandes transformações globais costumam abrir espaço para novos ciclos econômicos.

Segundo ele, a crise internacional do petróleo foi determinante para o fortalecimento de políticas estratégicas no Brasil, como a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Se não fosse essa crise internacional do petróleo, a Embrapa não teria tido o apoio que teve para levar o Brasil até o lugar de segundo maior exportador do agronegócio, que foi ano passado, e este ano será o primeiro”, afirmou.

Vantagens competitivas

Ao abordar a transição energética, Amorim também lembrou a importância histórica do Proálcool e do etanol, tecnologias que voltam ao centro das discussões globais em razão da busca por fontes renováveis de energia. Para ele, o Brasil reúne vantagens competitivas raras em um mundo cada vez mais pressionado pela necessidade de segurança energética e alimentar.

O economista destacou ainda a relevância do petróleo brasileiro no cenário internacional, especialmente após o avanço da exploração do pré-sal. Segundo Amorim, o País ocupa atualmente posição estratégica no mercado global de energia.

“Ano passado o petróleo foi o produto que mais exportamos depois da soja e, este ano, em valor, será o primeiro devido ao preço”, observou Amorim.

O economista explicou que o Brasil  exporta óleo bruto e importa combustíveis refinados.

Mudanças geopolíticas

A palestra ganhou tom mais crítico ao abordar as mudanças geopolíticas internacionais. Amorim avaliou que o cenário global entrou em uma nova fase de imprevisibilidade, especialmente após o retorno de Donald Trump ao protagonismo político nos Estados Unidos. “Vivemos em um mundo de incerteza no qual o Trump não quer que se identifique qual será o próximo passo dele. Os caras estão perdidos, a regra do jogo agora muda toda semana”, disse.

Em palestras recentes sobre economia e inovação, Ricardo Amorim tem defendido que a velocidade das transformações será ainda maior nos próximos anos. Segundo ele, empresas que insistirem em modelos tradicionais correm o risco de perder competitividade rapidamente. “A maior ameaça não é a crise; é a incapacidade de mudar”, alerta  o economista ao tratar da necessidade de adaptação empresarial.

Apesar do cenário turbulento, Amorim avaliou que o Brasil possui uma vantagem histórica importante: a capacidade de operar em ambientes instáveis. “O mundo ficou mais parecido com aquilo que sempre fizemos: o planejamento de curto prazo. A gente foi treinado a jogar esse jogo há pelo menos 40 anos. Desenvolvemos o que o mundo todo precisa: a capacidade de adaptação”, destacou.

Amorim lembrou ainda que a economia brasileira e a da América Latina vivem um ciclo positivo, impulsionado principalmente pelo cenário externo favorável às commodities. No entanto, alertou que essas janelas de crescimento costumam ser temporárias. “Falam que o Brasil faz o voo da galinha, mas eu acho que fazemos o voo da pipa; é o vento externo que nos ajuda”, comparou.

Futuro dos negócios

Ao falar sobre o futuro dos negócios, o economista reforçou que a transformação digital e a Inteligência Artificial deixarão de ser diferenciais para se tornarem ferramentas obrigatórias de competitividade. Amorim tem defendido que “a Inteligência Artificial não substituirá pessoas, mas as pessoas que usam IA substituirão aquelas que não usam”.

Na avaliação do palestrante, empresas que conseguirem utilizar tecnologia para melhorar relacionamento, personalizar atendimento e transformar marketing em vendas terão vantagem significativa em um mercado cada vez mais competitivo. Para o público da ABAD 2026, sua principal recomendação foi clara: investir em Inteligência Artificial como ferramenta de fidelização de clientes, aumento de produtividade e crescimento dos negócios.

Crédito da foto: Luciana Cassia

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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