Durante a Copa, a disputa pela venda acontece dentro das conversas

Com consumidores concentrados no celular durante os jogos, WhatsApp e canais conversacionais se consolidam como ambientes decisivos para transformar atenção em receita em tempo real
A Copa do Mundo de 2026 deve reforçar uma transformação que já vem mudando a dinâmica do varejo digital: a conversa se tornou um dos principais ambientes de compra do consumidor. Durante os jogos, quando milhões de brasileiros acompanham partidas pelo celular enquanto navegam nas redes sociais, pesquisam produtos e interagem com marcas, canais conversacionais passam a desempenhar papel decisivo na conversão de vendas e na geração de receita.
O comportamento já foi observado nas últimas edições do torneio e tende a se repetir em 2026. Dados do Radar Simplex mostram que 81% das compras realizadas durante a Copa aconteceram por meio de smartphones. Ao mesmo tempo, 54% dos torcedores interagiram com marcas nas redes sociais durante o evento. Entre os consumidores, 73% pretendiam realizar compras e 72% buscavam promoções relacionadas ao torneio, segundo levantamentos sobre as Copas de 2018 e 2022 reunidos a partir de fontes como Meta, Radar Simplex, Reclame Aqui, IUGU e Olist.
O resultado é um cenário em que intenção de compra, atenção e interação acontecem simultaneamente, criando uma oportunidade única para que as empresas transformem interesse em venda no exato momento em que a decisão acontece.
“Durante a Copa, o consumidor está com o celular na mão e a atenção dividida entre o jogo, as redes sociais e as compras. A conversa se tornou o lugar onde essas jornadas se encontram. É cada vez mais comum que descoberta, atendimento e venda aconteçam dentro da mesma interação”, afirma Marcelo Pugliesi, CEO da Hi Platform.
Na prática, ações como recuperação de carrinhos abandonados, envio de ofertas personalizadas, atendimento imediato, acompanhamento de pedidos e até etapas completas da compra podem acontecer sem que o consumidor precise abandonar a experiência que está vivendo naquele momento.
Velocidade de resposta
Em períodos de alta atenção, a velocidade de resposta passa a influenciar diretamente os resultados comerciais.
A tendência acompanha o crescimento da venda conversacional, modelo que integra comunicação, relacionamento e conversão em uma mesma jornada. Nesse contexto, a conversa deixa de ser apenas um canal de atendimento e passa a funcionar como um verdadeiro ponto de venda digital.
“Preço continua importante, mas velocidade passou a ser decisiva. Em eventos como a Copa, muitas vendas são definidas pela marca que responde primeiro, tira a dúvida primeiro e facilita a compra primeiro. O consumidor não interrompe mais sua jornada para comprar. A compra acontece enquanto ele conversa”, destaca Pugliesi.
A oportunidade é especialmente relevante diante do potencial de consumo gerado pelo torneio. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise, estima que cerca de 99,2 milhões de brasileiros devem realizar compras motivadas pela Copa do Mundo de 2026. Entre os itens mais procurados estão bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%), cervejas (59%) e camisas oficiais ou temáticas (61%).
Além do aumento da demanda, o estudo mostra uma forte migração para os canais digitais. Segundo o levantamento, 67% dos consumidores pretendem realizar compras online, sendo 51% por aplicativos de entrega e 42% por lojas virtuais. Para as marcas, isso significa que a disputa pela preferência do consumidor acontece cada vez mais em ambientes digitais e conversacionais.
Inteligência Artificial
A Copa de 2026 também deve marcar o primeiro grande evento esportivo global da era dos agentes de inteligência artificial. Empresas passaram a utilizar IA para identificar intenção de compra, personalizar ofertas, automatizar interações e apoiar decisões comerciais em tempo real, ampliando a capacidade de conversão sem comprometer a experiência do consumidor.
Para a Hi Platform, a Copa evidencia uma transformação que continuará acelerando mesmo após o encerramento do torneio. A capacidade de transformar atenção em conversa e conversa em receita tende a se tornar um dos principais diferenciais competitivos para empresas que atuam em mercados digitais.
“Durante muito tempo as empresas trataram a conversa como um canal de suporte. Hoje ela é um canal de crescimento. A Copa apenas torna essa transformação mais visível porque comprime em poucas semanas uma mudança de comportamento que veio para ficar”, conclui o CEO.








