Tecnologia, dados e o desejo do comprador: o tripé inteligente do mercado imobiliário curitibano

Carlos Eduardo Canto, Geninho Thomé e Guilherme Werner durante Fórum de Competitividade do WTC Curitiba. Foto: Jean Arbaiter
Fórum do WTC Curitiba aponta mercado sênior e financiamento para baixa renda como oportunidades crescentes no setor
Ao lado do avanço tecnológico e da evolução na análise de dados, a maior inteligência estratégica do setor imobiliário continua sendo a capacidade de compreender as pessoas e suas aspirações. A opinião foi expressa por grandes nomes do setor durante encontro realizado pela World Trade Center Curitiba (WTC Curitiba), no Lounge GT Building da mostra CASACOR 2026.
O Fórum de Competitividade sobre Inteligência Estratégica no Novo Mercado Imobiliário contou com três debatedores convidados: os empresários Geninho Thomé, presidente da GT Company, Carlos Eduardo Canto, presidente da Confraria Imobiliária, e Guilherme Werner, sócio da Brain Inteligência Estratégica.
O painel abordou o futuro das cidades, o comportamento do consumidor e os principais gargalos habitacionais. Mediado por Canto, o debate reforçou que o mercado imobiliário não é feito de concreto, mas sim de pessoas que buscam um lugar para viver seus sonhos. “As ferramentas mudaram, a tecnologia mudou, os dados evoluíram, mas as pessoas continuam procurando exatamente as mesmas coisas: um lugar para viver seus sonhos”, destacou o mediador.
Essa visão humanizada é compartilhada por Geninho Thomé, fundador da GT Building, que traçou um paralelo entre sua trajetória na odontologia — onde devolvia a autoestima através do sorriso — e sua atuação na incorporação imobiliária. “O propósito continua: trabalhar em prol de acomodar melhor as pessoas. O foco é construir algo para acomodar uma família, para que ela viva feliz”, afirmou o empresário, que defende a busca diária pela excelência e pelo afeto na construção de lares.
O cenário polarizado e desafiador de Curitiba
Guilherme Vargas, sócio da Brain Inteligência Estratégica, apresentou dados robustos sobre o comportamento do consumidor brasileiro. Segundo pesquisas da empresa, a intenção de compra segue em patamar elevado, com 48% das famílias brasileiras desejando adquirir um imóvel. No entanto, o mercado de Curitiba apresenta particularidades e desafios estruturais severos, especialmente no que diz respeito à oferta e demanda:
Entre eles, Vargas destacou o déficit na produção de habitação de interesse social, para baixa renda. Enquanto mais de 50% da população local só tem capacidade financeira para comprar imóveis na faixa do programa Minha Casa Minha Vida, a cidade lança apenas entre 5% e 7% (menos de 8%, segundo o Sinduscon) de seus produtos nesse segmento.
O presidente do Sinduscon-PR, Marcelo Braga, alertou que a legislação de Curitiba inviabiliza financeiramente a construção de unidades de baixa renda dentro dos limites do município. Como consequência, essa população é expulsa para a região metropolitana, gerando um descompasso urbano e sobrecarregando o transporte coletivo.
Diante desse cenário, a capital paranaense polarizou sua oferta. De um lado, tornou-se a capital que, proporcionalmente, mais lança imóveis compactos no país. Do outro, consolidou um forte mercado de luxo (acima de R$ 2 milhões) e superluxo (acima de R$ 4 milhões), que hoje concentra cerca de 15% de toda a oferta da cidade.
Já o segmento de média renda vive um descompasso entre o desejo do consumidor e a realidade financeira, sendo fortemente impactado pelas altas taxas de juros do país. É o segmento apelidado no painel como o produto de “quem quer não pode comprar, e quem pode não quer”.
Oportunidades no mercado sênior
O debate também chamou a atenção para duas grandes frentes de oportunidade para investidores e incorporadores: o mercado sênior e os incentivos governamentais para baixa renda. O envelhecimento acelerado da população brasileira — onde um novo “60 mais” surge a cada 38 segundos — abre um mercado gigantesco e não cíclico. A capital paranaense sofre com uma carência de mais de 20mil unidades habitacionais específicas para esse público, que busca segurança, convivência, dignidade e autonomia.
Para mitigar o problema do valor de entrada — o maior obstáculo para a compra do primeiro imóvel pelas famílias de baixa renda —, o estado do Paraná e a prefeitura de Curitiba criaram programas de subsídios que são referência nacional. O governo estadual, por meio da Cohapar, concede um subsídio de R$ 80 mil para pessoas acima de 60 anos adquirirem imóveis de até R$ 280 mil no Minha Casa Minha Vida.
E para o público geral de interesse social há um subsídio estadual de R$ 20 mil para compras cadastradas na Cohab, ao qual se somam mais R$ 10 mil de aporte da prefeitura de Curitiba, totalizando R$ 30 mil em incentivos na capital.
Sem risco de bolha
Afastando os temores do mercado sobre uma possível “bolha imobiliária”, Guilherme Vargas detalhou que o Brasil possui bases sólidas. Diferente de países que sofreram crises imobiliárias, onde a relação crédito/PIB superava os 50%, o Brasil possui uma taxa de apenas 11,8%. Além disso, menos de 10% do estoque de imóveis de Curitiba está pronto (em comparação com os mais de 35% registrados em 2012/2015), o que prova que o estoque vem sendo saudavelmente consumido ao longo do ciclo de obras. O investimento no país é majoritariamente patrimonialista e de uso próprio, e não especulativo.
A presidente do WTC Curitiba, Daniella Abreu, destacou que o evento mostrou que o mercado imobiliário paranaense segue “forte, maduro e seguro para investidores e compradores, desde que pautado pela solidez das marcas, pela qualidade dos projetos e, acima de tudo, pelo respeito às necessidades humanas”.








