Copa do Mundo: como driblar os obstáculos para faturar mais no período

Copa do Mundo: como driblar os obstáculos para faturar mais no período

Torneio deve transformar o comportamento do consumidor e exigir mais planejamento, inteligência de dados e agilidade dos lojistas

A Copa do Mundo costuma ser associada a crescimento das vendas, aumento do consumo e maior movimentação do comércio, mas a realidade do varejo é mais complexa. Enquanto alguns segmentos tradicionalmente se beneficiam do evento, outros enfrentam oscilações no fluxo de clientes, mudanças nas prioridades de compra e desafios para manter a rentabilidade durante o período de competição.

Com a Copa se aproximando, os varejistas de moda começam a olhar para o evento não apenas como uma oportunidade comercial, mas também como um teste de capacidade operacional. A competição será realizada entre junho e julho e contará com um formato ampliado, reunindo 48 seleções, o que deve prolongar o engajamento dos consumidores e ampliar os impactos sobre o comportamento de compra.

De acordo com análises do Santander, o varejo de moda está entre os segmentos que podem enfrentar maior pressão durante a Copa, especialmente pela redução do fluxo de consumidores em lojas físicas nos dias de jogos. Já categorias como alimentos, bebidas, eletrônicos e artigos esportivos costumam registrar crescimento relevante nos anos da competição.

Ainda assim, o setor de moda tem uma oportunidade única de transformar o interesse gerado pelo evento em resultados concretos, desde que exista planejamento para acompanhar as mudanças do mercado.

A ascensão da moda casual impulsionada pelo clima da Copa

Ao contrário do que acontecia em edições anteriores, quando o consumo se concentrava em camisas oficiais e produtos diretamente ligados ao futebol, o comportamento do consumidor vem se tornando mais diversificado. A expectativa para 2026 é de crescimento da procura por peças casuais inspiradas no universo esportivo, roupas confortáveis para encontros entre amigos, coleções temáticas, acessórios e produtos que remetam às cores da seleção brasileira sem necessariamente reproduzir elementos oficiais do torneio.

O movimento acompanha uma tendência já consolidada no mercado por busca de roupas versáteis que possam ser usadas tanto em ocasiões informais quanto no dia a dia. O chamado casual esportivo ganha força ao unir conforto, identidade cultural e conexão emocional com um dos eventos mais relevantes para os brasileiros.

Essa mudança amplia o leque de oportunidades para marcas de moda, que podem explorar campanhas temáticas e lançamentos alinhados ao momento sem depender exclusivamente de produtos relacionados ao futebol.

O desafio está menos na venda e mais na operação

Se a Copa pode gerar novas oportunidades de consumo, ela também cria desafios importantes para a gestão do negócio. A demanda tende a se concentrar em períodos específicos, tornando mais difícil prever volumes de venda e planejar estoques.

Para Alex Marques, diretor comercial da Data System, empresa especializada em soluções de gestão para o varejo, o principal diferencial das empresas estará na capacidade de interpretar rapidamente os sinais do mercado.

“O varejista que trabalha apenas olhando para o histórico tradicional de vendas corre o risco de errar tanto no excesso quanto na falta de estoque. Hoje, tecnologia e análise de dados são fundamentais para interpretar o comportamento do consumidor em tempo real e reagir rapidamente às mudanças do mercado”, comenta Marques.

A velocidade da informação também exige respostas mais rápidas das equipes comerciais. Em um cenário altamente conectado, uma tendência pode nascer durante uma partida e gerar interesse imediato entre os consumidores.

“Hoje, uma tendência pode surgir durante um jogo e gerar demanda poucas horas depois, além da influência que algum jogador pode gerar durante a competição. As marcas que conseguem conectar informação, estoque, logística e canais de venda têm mais capacidade de transformar esse interesse momentâneo em resultado efetivo”, explica Marques.

Integração entre canais será decisiva para capturar oportunidades

Outro aspecto que deve ganhar relevância durante a Copa é a experiência omnichannel. Com consumidores acompanhando partidas, eventos sociais e atividades de lazer, a jornada de compra tende a se tornar ainda mais dinâmica e digital.

Nesse contexto, a integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais deixa de ser apenas uma estratégia de conveniência e passa a ser uma necessidade operacional. O consumidor espera encontrar o mesmo produto disponível em diferentes canais, com facilidade para comprar, retirar ou receber em casa.

Para as marcas de moda, isso significa que a preparação para a Copa começa muito antes do apito inicial, pois envolve planejamento de coleções, análise de comportamento de consumo, gestão eficiente de estoques e capacidade de adaptação rápida às mudanças de mercado.

Em um ambiente no qual consumidores estão cada vez mais seletivos e conectados, os lojistas que conseguirem equilibrar criatividade, experiência e eficiência operacional terão mais chances de transformar datas sazonais em crescimento sustentável para os negócios.

O resultado mais importante para o varejo não será definido dentro dos estádios, ele será construído na capacidade das marcas de entender o consumidor, antecipar movimentos e responder com agilidade às oportunidades que surgem ao longo da competição.

Crédito da foto: Gemini Generated

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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