Veículos usados: eficiência da loja é determinada na captação de estoque e não na venda

Veículos usados: eficiência da loja é determinada na captação de estoque e não na venda

Ferramentas de análise em tempo real substituem indicadores estáticos para reduzir riscos financeiros na composição de estoque de lojistas independentes

O processo de avaliação e compra de veículos seminovos e usados no Brasil passa por uma transição metodológica, impulsionada pela consolidação de ferramentas de análise de dados em tempo real. Historicamente balizado pelo conhecimento empírico de mercado dos comerciantes e por tabelas de referência com atualização mensal, o setor enfrenta oscilações de demanda que exigem maior previsibilidade operacional. Diagnósticos do segmento apontam que a eficiência financeira de uma loja de veículos é determinada na etapa de captação do estoque, e não no momento da venda ao consumidor final.

A dependência de indicadores estáticos, como a tabela FIPE, tem gerado distorções operacionais devido à lentidão no registro das flutuações de mercado. Como o índice tradicional trabalha com uma janela temporal retroativa e médias nacionais, ele não capta especificidades regionais imediatas. Fatores como a saturação de determinados modelos de utilitários esportivos (SUVs) na cidade de São Paulo ou o aumento repentino de demanda por veículos na região Sul do país — decorrente de fatores climáticos e perdas de frota — criam cenários de preços distintos que demandam atualizações diárias.

De acordo com o diretor executivo da AutoAvaliar, Elias Marrochel, o preço final de um automóvel é estabelecido pela disposição de compra do consumidor regional, o que invalida tentativas de retenção de estoque para cobrir custos de aquisição incorretos.

“Vender barato pode ser estratégia de giro, mas comprar errado destrói qualquer margem, porque o cliente final não quer saber o quanto você pagou no carro, ele só vai pagar o preço real de mercado”, explica Marrochel.

Plataformas de precificação

Para mitigar a defasagem dos indicadores tradicionais, o setor de tecnologia automotiva desenvolveu plataformas de precificação dinâmica, como o sistema CarInvest. Por meio da funcionalidade Visual Price, a ferramenta realiza o cruzamento automatizado de variáveis comerciais. O algoritmo analisa o comportamento digital dos consumidores locais, a quilometragem do veículo avaliado, a margem de lucro pretendida pelo estabelecimento e o tempo médio estimado de giro para aquele modelo específico na região geográfica da loja.

O fornecimento dessas informações subsidia o avaliador no momento da negociação com o proprietário do veículo, conferindo base estatística à proposta de compra. O modelo matemático visa impedir o represamento de capital em veículos de baixa rotatividade, cuja permanência no pátio por períodos superiores a 30 dias gera custos operacionais e depreciação técnica. A digitalização do processo atua de forma complementar à experiência do profissional de compras, oferecendo segurança institucional diante de mudanças macroeconômicas repentinas.

A introdução de sistemas integrados de dados busca equalizar a capacidade de planejamento entre os pequenos lojistas independentes e as grandes redes de concessionárias, que possuem canais diretos de inteligência de mercado junto às montadoras. A automação da coleta de dados de oferta e procura regional estabelece um padrão de conformidade técnica para as operações de compra e venda.

“Os dados não anulam o feeling do lojista, mas servem como uma boia de salvamento; se você está nadando do jeito que sempre nadou e vem uma cabeça d’água, você não se salva se não souber usar a informação para se posicionar melhor”, analisa Marrochel.

O monitoramento digital constante redefine o conceito de rentabilidade no comércio de usados. A orientação atual de mercado prioriza a velocidade de rotação do estoque em detrimento de margens de lucro brutas elevadas em transações isoladas. Ao alinhar o valor de captação aos dados reais de demanda, os estabelecimentos comerciais reduzem o índice de ociosidade do capital de giro e mantêm a liquidez operacional necessária para a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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