Brasil lidera fusões e aquisições na América Latina

Brasil lidera fusões e aquisições na América Latina

Foram 850 operações no valor de R$ 55.1 bilhões

Apesar de um contexto global marcado pela incerteza macroeconômica, volatilidade cambial e tensões comerciais, a América Latina fechou 2025 com um desempenho sólido em fusões e aquisições. O Brasil voltou a se afirmar como epicentro regional: com 850 operações totalizando US$ 55,1 bilhões concentrou a maior parte da atividade tanto em volume quanto em valor.

Segundo o relatório Unlocking potential: Latam M&A and PE activity in FY 2025, o valor total das operações direcionadas a ativos latinoamericanos alcançou US$114,3 bilhões, um aumento de 16% em relação a 2024, enquanto o número de transações reduziu-se levemente para 1.345, seguindo a tendência global de menos operações, porém de maior tamanho.

No entanto, o protagonismo não implica simplicidade para fechar negócios. A desaceleração do crescimento e os ajustes macroeconômicos reduziram margens e acrescentaram complexidade às negociações, especialmente em ativos intensivos em capital.

A maior transação do ano foi a aquisição pela PRIO, uma empresa energética upstream com sede no Brasil, de 60% dos ativos de petróleo e gás no campo local Peregrino, provenientes do grupo energético norueguês Equinor.

México e Colômbia completam o pódio de interesse, com transações relevantes em energia e ativos de infraestrutura que demonstram a contínua atração da região para capitais internacionais.

O motor que realmente impulsionou o aumento do valor foi o setor de energia, mineração e utilities (EMU). Com US$ 42,6 bilhões mobilizados, o setor cresceu 25% em valor em relação a 2024. A corrida por ativos de renováveis, redes e transmissão acelerou diante da crescente demanda energética ligada ao avanço da inteligência artificial e centros de dados, além da transição energética global. Não por acaso, a maior operação do ano foi a aquisição pela GE Vernova dos 50% restantes da Prolec no México por US$ 5,3 bilhões, uma transação emblemática que ressalta a urgência de reforçar a infraestrutura de rede na região.

Capitais privados

O apetite de Private Equity também se destacou de forma notável: em 2025 os capitais privados fecharam operações no total de US$ 19,8 bilhões, o que representa um aumento de 106% em relação ao ano anterior, embora o volume de transações de PE tenha caído para 189. Grande parte desse dinamismo veio de aquisições de grande porte no segmento de renováveis e infraestrutura: a compra majoritária da Serena Energia pela Actis e GIC (US$ 2,8 bilhões) ou a aquisição da Orygen no Peru são exemplos de como investidores financeiros estão capitalizando o crescimento de ativos operacionais em energia limpa.

No entanto, o mercado não está isento de riscos. As variações nas políticas tarifárias —com efeitos desiguais entre países—, as pressões inflacionárias e as restrições de financiamento ampliam as lacunas de avaliação entre compradores e vendedores. Nesse cenário, os tomadores de decisões europeus, norte americanos e locais recorrem com mais frequência a soluções transacionais de transferência de risco — como Seguros de Representações e Garantias (Reps & Warranties Insurance) para passivos desconhecidos bem como seguros para riscos fiscais e outras contingências identificadas — para otimizar as negociações ou até mesmo viabilizar uma transação. Essa combinação de capital, soluções de transferência de riscos e conhecimento local tornou-se a receita para executar com maior segurança.

Os setores de tecnologia e telecomunicações permanecem ativos, especialmente pela consolidação entre operadores que buscam acelerar os rollouts de 5G e fibra. Em 2025 o segmento TMT foi o que registrou maior número de transações (278), impulsionado por operações como a compra da unidade colombiana da Telefónica pela Millicom, que aponta para consolidação regional e busca por economias de escala para investimentos digitais. Ao mesmo tempo, o crescimento do nearshoring impulsiona a demanda por ativos logísticos e centros de dados, aquecendo o segmento imobiliário e de infraestrutura.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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