Média salarial do setor de tecnologia chega a R$ 5,6 mil

Média salarial do setor de tecnologia chega a R$ 5,6 mil

Levantamento mostra crescimento na média salarial, redução de ações trabalhistas e maior foco em benefícios e cargos estratégicos

A Pesquisa Salarial Nacional do Setor de Tecnologia, realizada com dados de 2025 pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), apresenta sinais mais claros de estabilização no mercado brasileiro de tecnologia após um período marcado por forte expansão, demissões em massa e reestruturações no setor. Os dados consolidados de 2025 indicam um ambiente mais equilibrado para empresas e profissionais – se comparado aos resultados de 2024 -, com desaceleração da pressão salarial observada no pós-pandemia, redução de conflitos trabalhistas e amadurecimento das estratégias de retenção de talentos. Realizada em 2025 juntamente da Plooral, a edição 2026 é uma iniciativa da ACATE em parceria com a SinSalarial.

A média salarial do setor alcançou R$ 5,6 mil em 2025, crescimento de 3,85% em relação ao ano anterior no comparativo entre empresas participantes das edições de 2024 e 2025. O índice acompanha a recomposição inflacionária do período e demonstra um movimento mais conservador das empresas de tecnologia, que passaram a priorizar sustentabilidade financeira e crescimento operacional mais previsível. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta que as empresas seguem ampliando suas equipes, mas em áreas estratégicas como análise de dados e inteligência artificial, após o período de reestruturação vivido pelo setor.

As variações no mercado também aparecem no comportamento dos salários entre diferentes cargos e áreas. Funções ligadas à liderança técnica, engenharia de dados e inteligência artificial tiveram crescimento salarial expressivo, enquanto cargos operacionais ou impactados por automação passaram por desaceleração ou retração de remuneração. Entre os destaques da pesquisa, posições ligadas à engenharia de dados registraram crescimento salarial superior a 20%, enquanto cargos de liderança técnica avançaram mais de 30% no comparativo anual. Por outro lado, funções como engenharia de software e marketing digital registraram queda superior a 10% na remuneração média.

A mudança também pode ser observada na composição das equipes. Profissionais seniores passaram a ocupar participação proporcional maior nas áreas core de tecnologia e desenvolvimento, enquanto posições juniores perderam espaço relativo, movimento associado ao avanço da inteligência artificial e à automação de tarefas operacionais. A pesquisa interpreta esse cenário como um reflexo de empresas mais seletivas nas contratações, priorizando profissionais com maior capacidade estratégica e técnica.

Para Diego Ramos, presidente da ACATE, o setor vive uma transição importante depois de anos de forte volatilidade nas relações de trabalho e na dinâmica de contratação. “O mercado de tecnologia passa por um processo de amadurecimento. As empresas seguem crescendo e contratando, mas agora de forma mais estratégica e sustentável. O que vemos é uma busca maior por eficiência operacional, retenção de profissionais-chave e decisões de remuneração mais conectadas à realidade do negócio”.

Benefícios ganham protagonismo

Além da remuneração fixa, os benefícios passaram a desempenhar papel cada vez mais relevante nas estratégias de retenção e atração de talentos. A pesquisa mostra que modelos flexíveis de benefícios se consolidaram no setor de tecnologia, refletindo uma demanda crescente por personalização e maior autonomia dos profissionais. Entre as empresas que oferecem benefícios flexíveis, cerca de dois terços operam em modelo totalmente flexível.

Os dados revelam também o avanço consistente das iniciativas voltadas à saúde mental e bem-estar corporativo. Oito em cada dez empresas com programas estruturados de bem-estar oferecem apoio psicológico em modelos que combinam atendimento tradicional e plataformas digitais. O levantamento aponta que esse tipo de benefício passou a integrar estratégias de compliance, cultura organizacional e retenção de talentos, deixando de ser visto como acessório e integrando estratégias de RH de forma consolidada.

Carolina Farah, CEO e fundadora da SinSalarial e diretora da Vertical Peopletech da ACATE, afirma que “o aumento dos quadros de ansiedade e as exigências da NR-1 aceleraram a adoção de políticas mais estruturadas de bem-estar e apoio psicológico dentro das organizações. As empresas passaram a entender que saúde mental deixou de ser um tema periférico”.

Menos judicialização e turnover mais equilibrado

Outro indicador que reforça o movimento de estabilização do setor é a redução das reclamações trabalhistas. Após um pico registrado em 2024, associado ao ciclo de reestruturações e demissões em massa do período pós-pandemia, o índice retornou em 2025 a patamares próximos aos observados anteriormente. O percentual de reclamações trabalhistas caiu de 11,79% para 4,70%, uma redução superior a 60%. Segundo a pesquisa, o resultado está relacionado ao amadurecimento dos processos internos de RH, maior clareza nas políticas corporativas e consolidação dos modelos de trabalho adotados pelas empresas.

Os indicadores de turnover também mostram um ambiente mais previsível. A pesquisa aponta estabilidade no turnover geral e redução das demissões involuntárias, sugerindo que o setor entra em uma fase menos marcada por ajustes bruscos e mais orientada à retenção seletiva e à gestão de longo prazo das equipes.

Pesquisa Salarial Nacional do Setor de Tecnologia 2026

IndicadorResultado
Média salarial do setor de tecnologiaR$ 5,6 mil
Crescimento salarial médio+3,85%
Redução das reclamações trabalhistasMais de 60%
Empresas com apoio psicológico estruturado8 em cada 10
Empresas com benefícios flexíveis em modelo totalmente flexívelCerca de 2/3
Áreas com maior valorização salarialDados, IA e liderança técnica
Tendência do mercadoEstabilização após reestruturações e layoffs

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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