Bem-estar no trabalho: cinco iniciativas que mais ganham espaço nas empresas brasileiras

O que as organizações estão oferecendo além do plano de saúde para atrair, engajar e reter talentos
O cuidado com a saúde organizacional deixou de ser um conjunto de benefícios isolados e passou a integrar a estratégia de gestão de pessoas nas empresas brasileiras. Segundo o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, 88% dos colaboradores afirmam que valorizam o bem-estar no trabalho tanto quanto o salário, e 86% dizem que vão considerar apenas empresas que priorizam o tema ao buscar um novo emprego.
A resposta das empresas tem sido ampliar o conceito de cuidado. Oito em cada dez organizações brasileiras já desenvolvem ações voltadas à qualidade de vida dos colaboradores — e metade pretende ampliar esses investimentos nos próximos 12 meses, segundo a 32ª Pesquisa de Benefícios Corporativos da Mercer Marsh Benefícios. A disputa agora é menos sobre o que está no pacote de benefícios e mais sobre como o cuidado se traduz no dia a dia. Veja quais iniciativas lideram esse movimento:
1 – Apoio psicológico
A saúde mental lidera a lista de prioridades em 62% das organizações brasileiras, o maior índice entre todas as categorias mapeadas pela Mercer Marsh. A percepção é confirmada pelo comportamento dos profissionais: 68% da Geração Z e 59% dos Millennials consideram a terapia fundamental para o bem-estar, segundo o Wellhub. O formato mais comum é o atendimento por videochamada, que reduz barreiras relacionadas à agenda e ao deslocamento. Além do suporte individual, os programas ampliam o diálogo sobre saúde emocional dentro das organizações, contribuindo para reduzir os estigmas que ainda cercam o tema no ambiente de trabalho. O foco passou a incluir prevenção, acompanhamento e redução de riscos, como estresse crônico, ansiedade e burnout, hoje entre as principais causas de afastamento do trabalho.
2- Programas financeiros
O estresse financeiro é uma das causas mais silenciosas da queda de produtividade. Segundo a SalaryFits, 66% dos trabalhadores brasileiros relatam aumento de estresse em razão do endividamento, e 37% afirmam ter baixa capacidade de concentração. A resposta corporativa tem sido estruturar iniciativas de educação e apoio em momentos de vulnerabilidade econômica, como orientação financeira, jurídica e previdenciária, integrando a estabilidade financeira à saúde mental e ao desempenho profissional.
3- Saúde preventiva
A prevenção vem substituindo modelos focados apenas no tratamento de doenças. Acompanhamento médico contínuo e check-ups periódicos fazem parte da agenda de 43% das empresas ouvidas pela Mercer Marsh. As organizações mais avançadas deixaram de seguir calendários genéricos de campanhas para atuar com base nas condições de saúde dos colaboradores. Nesse modelo, entram iniciativas como monitoramento de doenças crônicas, campanhas de vacinação e programas de autocuidado, com foco na redução de afastamentos e no cuidado de longo prazo.
4- Apoio à parentalidade
Gestantes e famílias passaram a integrar as iniciativas de bem-estar de 44% das organizações, segundo a Mercer Marsh. O suporte vai do acompanhamento pré-natal ao retorno ao trabalho após a licença — um período importante para a permanência das mulheres nas empresas. O tema ganhou força à medida que a gestação, a chegada dos filhos e as rotinas de cuidado passaram a ser reconhecidas como fatores que influenciam diretamente a permanência, o engajamento e a satisfação dos profissionais. A flexibilização das rotinas e a extensão de benefícios a dependentes também avançam nesse contexto.
5- Telemedicina e médico de família
A telemedicina consolidou-se como porta de entrada para o sistema de saúde corporativo, ampliando o acesso rápido à orientação e aos cuidados médicos e reduzindo a necessidade de atendimentos de urgência. O avanço mais relevante é a integração com modelos de atenção primária, como o médico de família, que permite o acompanhamento contínuo, a prevenção e uma visão mais integrada da saúde do colaborador ao longo do tempo.
Quando bem-estar vira estratégia
Na prática, muitas organizações já reúnem essas iniciativas em programas estruturados de bem-estar. É o caso do Grupo Marista, cujo Programa de Qualidade de Vida organiza as ações em quatro pilares: Corpo e Mente, Saúde Financeira, Formação e Desenvolvimento e Vida em Harmonia. Os benefícios incluem plano de saúde e odontológico, acesso a academias e estúdios, psicoterapia, acompanhamento de gestantes e de pessoas com doenças crônicas, ações de educação financeira, incentivos à educação e ao desenvolvimento profissional, além de modalidades de trabalho remoto e híbrido e benefícios voltados ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, como a folga de aniversário. Parte dos serviços também é oferecida a familiares e dependentes.
Colaboradores com acesso a programas estruturados de bem-estar avaliam melhor a própria saúde mental (61%) do que aqueles sem acesso (40%), aponta o Wellhub. Os reflexos também se manifestam no engajamento. Dados da Gallup mostram que profissionais que se sentem apoiados têm cinco vezes mais chances de estar engajados, 49% menos probabilidade de buscar outro emprego e são sete vezes mais propensos a recomendar a empresa como um bom lugar para trabalhar. Em contrapartida, 85% dos profissionais afirmam que deixariam uma empresa que não priorizasse seu bem-estar.
“Saúde não é apenas a ausência de doença: é a capacidade de viver, trabalhar e se relacionar com mais equilíbrio, significado e qualidade de vida. Para isso, é preciso criar condições para que as pessoas cuidem de si de forma contínua e encontrem apoio em diferentes momentos da vida. O bem-estar deixou de ser uma ação pontual para se tornar parte da cultura organizacional, construída diariamente por meio da prevenção, da escuta e do desenvolvimento das pessoas”, afirma a responsável pelo Programa de Qualidade de Vida do Grupo Marista, Luciana de Souza Augusto.
Crédito da foto: Divulgação Grupo Marista








