Indústrias aceleram venda direta online e transformam o e-commerce em estratégia de crescimento

Empresas investem em plataformas próprias e integração com ERPs para ganhar margem, ampliar canais de venda e reduzir dependência de distribuidores e marketplaces
O comércio eletrônico deixou de ser uma estratégia exclusiva do varejo para ganhar espaço também dentro das indústrias brasileiras. Em busca de maior controle sobre a operação, ampliação das margens e diversificação dos canais de venda, empresas dos mais diferentes segmentos têm acelerado projetos de venda direta ao consumidor e fortalecido sua presença em marketplaces, tornando o e-commerce parte da estratégia de crescimento e da transformação digital da manufatura.
Esse movimento acompanha a evolução da chamada Indústria 4.0, na qual integração de dados, automação e digitalização dos processos passam a conectar produção, logística, comercial e financeiro em um único fluxo de gestão. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro segue em expansão e deve movimentar mais de R$ 250 bilhões em 2026, impulsionado justamente pela digitalização dos negócios e pelo amadurecimento dos consumidores.
Para Vinicius Chaves, Diretor de Marketing e Produto da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, o avanço das vendas digitais representa uma mudança estrutural para a indústria, que passa a enxergar os canais online como uma extensão da própria operação.
“Hoje não basta só colocar produtos em um marketplace ou criar uma loja virtual. O desafio está em integrar pedidos, estoque, faturamento, logística, financeiro e produção para que toda a operação funcione de forma sincronizada. Quanto maior o volume de vendas digitais, maior também a necessidade de processos automatizados e informações em tempo real”, afirma Vinicius.
Segundo o executivo, esse cenário tem acelerado investimentos em plataformas de gestão capazes de conectar diferentes canais de venda em um único ambiente. A integração evita retrabalho e oferece maior visibilidade sobre indicadores de desempenho, permitindo que decisões comerciais e produtivas sejam tomadas com mais agilidade e, também, reduz erros operacionais.
Na prática, essa transformação já começa a aparecer dentro das empresas. Um exemplo é a Fiolux, fabricante nacional de materiais elétricos, que estruturou sua estratégia de verticalização digital integrando operações de e-commerce, marketplaces e gestão empresarial em uma única plataforma. A iniciativa permitiu ampliar a presença digital da empresa sem aumentar a complexidade operacional, mantendo sincronizados pedidos, estoque, faturamento e processos financeiros.
Para Chaves, esse tipo de projeto tende a se tornar cada vez mais comum à medida que as indústrias buscam reduzir a dependência de intermediários e fortalecer o relacionamento direto com clientes: “A verticalização das vendas não significa substituir distribuidores ou representantes comerciais, mas ampliar possibilidades de negócio. Empresas que conseguem operar diferentes canais de forma integrada ganham flexibilidade para atender mercados distintos, permitindo acompanhar o comportamento dos consumidores e responder mais rapidamente às mudanças da demanda”.
O avanço desse modelo também aumenta a importância dos sistemas de gestão empresarial. À medida que pedidos chegam simultaneamente por lojas virtuais, marketplaces e canais tradicionais, os ERPs, além de exercer funções administrativas, também começam a atuar como o centro da operação digital, consolidando informações.
“A transformação digital da indústria não acontece apenas dentro da fábrica, ela passa também pela forma como a empresa vende, atende clientes e administra informações. O e-commerce passou a integrar a estratégia de crescimento das organizações que desejam ganhar competitividade em um mercado cada vez mais conectado. Esse é o futuro”, conclui o porta-voz da Areco.








