73% das empresas de tecnologia têm dificuldade para contratar

Desafio no SAP vai além da escassez
A evolução do ecossistema SAP está ampliando a procura por profissionais capazes de trabalhar com novas arquiteturas, soluções em nuvem, integração de sistemas e interfaces mais intuitivas. O desafio, no entanto, não está apenas em encontrar desenvolvedores que conheçam a plataforma, mas em formar equipes preparadas para conduzir projetos de modernização sem comprometer sistemas essenciais para as empresas.
Esse movimento deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. A SAP manterá a manutenção principal das aplicações centrais do Business Suite 7 até o final de 2027, com opção de manutenção estendida entre 2028 e 2030. Diante desse cenário, as organizações que ainda utilizam essas aplicações precisam planejar a transição para o SAP S/4HANA e preparar suas equipes para trabalhar com tecnologias e modelos de desenvolvimento mais recentes.
A transição ocorre em um mercado que já enfrenta dificuldades de contratação. Segundo o levantamento global Experis Tech Talent Outlook, referente ao segundo trimestre de 2026, 73% dos empregadores do setor de Tecnologia e Serviços de TI enfrentam dificuldades para encontrar os profissionais qualificados de que precisam.
Para Roberto Pinetti, consultor e especialista em SAP com mais de 15 anos de experiência, o problema não está necessariamente na falta de pessoas que conheçam o sistema, mas na distância entre as competências disponíveis e aquelas exigidas pela nova geração da plataforma.
“Existem muitos profissionais com experiência em SAP, mas parte deles construiu a carreira em um modelo de desenvolvimento muito diferente do atual. Hoje, não basta dominar a linguagem ou saber fazer uma customização. É necessário entender de nuvem, integração, experiência do usuário, segurança e arquiteturas que permitam atualizar o sistema sem criar problemas no futuro”, explica.
O especialista aponta cinco desafios para a formação da nova geração de profissionais SAP:
1. Modernizar sistemas sem interromper a operação
Como o SAP concentra processos essenciais, sua modernização precisa ocorrer sem comprometer o funcionamento da empresa. Para Pinetti, o profissional deve conhecer tanto os sistemas anteriores quanto as novas tecnologias para conduzir essa transição com segurança.
“É preciso entender o ambiente existente e saber como levá-lo para uma arquitetura mais atual sem interromper a operação”, afirma.
2. Desenvolver soluções sem sobrecarregar o núcleo do sistema
O acúmulo de customizações no núcleo do SAP dificulta atualizações e aumenta os custos de manutenção. Nesse contexto, ganha espaço o conceito de Clean Core, que busca preservar a estrutura principal da plataforma e facilitar futuras evoluções.
3. Priorizar a experiência do usuário
Sistemas complexos e pouco intuitivos aumentam o risco de erros e o tempo de treinamento. Por isso, o domínio de tecnologias como SAP Fiori, RAP, Event Mesh e outras técnicas do Clean Core é importante para desenvolver aplicações mais simples e alinhadas à rotina dos usuários.
4. Integrar o SAP a diferentes tecnologias
Atualmente, os sistemas de gestão precisam trocar informações com plataformas de logística, vendas, finanças, recursos humanos, análise de dados e serviços em nuvem. Isso exige profissionais com conhecimentos em APIs, mensageria e integração em tempo real para garantir que os dados circulem de forma segura e padronizada.
5. Acelerar o aprendizado sem perder a qualidade
Diante das constantes mudanças tecnológicas, processos bem definidos, documentação e mentoria são essenciais para atualizar as equipes, compartilhar conhecimento e manter o padrão das entregas. Para o especialista, mais do que ampliar as contratações, é necessário investir no desenvolvimento dos profissionais e combinar a experiência acumulada com as novas tecnologias.
“O conhecimento tradicional continua sendo importante, pois muitos sistemas ainda dependem dele. A próxima geração de profissionais SAP será formada por quem conseguir construir essa ponte entre a experiência acumulada e as novas tecnologias”, conclui Pinetti.








