Vagas de nível júnior representam 31% do mercado de tecnologia

Vagas de nível júnior representam 31% do mercado de tecnologia

Pesquisa do Inteli mostra valorização de habilidades comportamentais e 21% das vagas exige comunicação; conhecimento em IA e inglês são aceleradores salariais mensuráveis

O perfil do profissional de tecnologia está mudando, e o mercado está exigindo mais soft skills e conhecimento técnico aprofundado para contrapor os avanços da IA. É o que mostra o Estudo em Carreiras de Tecnologia 2026, realizado pelo Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) em parceria com a WKS. Para avaliar o perfil buscado pelas empresas, a pesquisa analisou cerca de 20 mil vagas do setor de tecnologia publicadas em plataformas de recrutamento entre abril e junho de 2025, revisadas em 2026, além de ouvir mais de 100 profissionais que já trabalham na área.

A empregabilidade em tecnologia continua alta, impulsionada por um descompasso de mais de 30% entre a demanda (665 mil profissionais) e a oferta (464 mil profissionais) entre 2019 e 2024 (Brasscom, 2025). Ou seja, faltam 200 mil profissionais. A conclusão da pesquisa é que a tecnologia virou transversal e está em toda a economia, incluindo áreas como saúde, agro e finanças, e não mais apenas no núcleo das empresas de tecnologia.

Como reflexo, a pesquisa identificou que a transição de carreira e os bootcamps já aparecem em 36% dos perfis de profissionais que ingressam no mercado, uma resposta ao desafio de preencher as vagas de nível pleno ou sênior, que respondem por 59% da amostra de vagas. A principal porta de entrada dos profissionais na área de tecnologia ainda é o estágio (39%) e 31% das vagas analisadas são de nível júnior, incluindo quem entra como estagiário, aprendiz ou iniciante.

“O que percebemos hoje não é só a falta de profissionais, mas a falta de profissionais completos e com a qualificação esperada pelo mercado. O  interessante é que o nível de senioridade aparece mais associado a capacidades comportamentais do que tempo de experiência ou formação mais avançada”, explica Lucas Niemeyer, coordenador da pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura do Inteli.

Isso aparece na descrição das vagas, com a valorização das soft skills: Comunicação (21%), Criatividade (17,8%), Organização (15,1%), Trabalho em Equipe (11,4%) e Liderança (7,6%). A Comunicação é mencionada em 7.126 vagas como a habilidade de traduzir tecnologia em impacto de negócio. Já a criatividade é citada em 6.042 vagas como diferencial de antecipar problemas e pensar fora do óbvio.

Lideranças das áreas de Recursos Humanos, Tecnologia, Educação e Regulação ouvidas na pesquisa confirmam a expectativa de contratar pessoas com habilidades como leitura de cenários, flexibilidade e adaptabilidade, e a capacidade de “traduzir” o que está sendo feito em linguagem menos técnica.

“O profissional desejado pelo mercado precisa ser ambidestro e combinar habilidades comportamentais com profundo conhecimento técnico”, avalia Lucas. Entre as hard skills que aparecem nas vagas, ferramentas de nuvem (Cloud) estão em 13,8% e metodologias ágeis são requisito de 6,7% das vagas.

Domínio do inglês e IA impactam salários

Domínio do inglês e conhecimento em Inteligência Artificial impactam o salário e as possibilidades de trabalho em empresas globais. Entre as vagas analisadas com faixa salarial aberta, profissionais com inglês têm presença muito maior na faixa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. A proporção chega a 46,2%, contra 22,3% entre as vagas que não exigem o idioma. A velocidade de mudança em cargos expostos à IA é 2,3 vezes maior do que em outros cargos.

As vagas que mencionam o conhecimento em IA tem o dobro de ofertas acima de R$ 10 mil (16,2% contra 8,1%). Mas há uma desconexão entre a percepção do mercado e a realidade das contratações. Embora a Inteligência Artificial seja valorizada por 79% dos profissionais, a maior parte das vagas ainda está em áreas como desenvolvimento de software e infraestrutura, que juntas representam a base da operação tecnológica das empresas e somam quase 60% das oportunidades.

O mercado com tanta oferta de vagas também se reflete na mobilidade de carreira. A pesquisa mostrou que 47% dos profissionais pretendem mudar de emprego em breve, principalmente porque este é o fator apontado como principal fator de crescimento na carreira. Também revela que 25% trocariam de emprego por 35% a mais de salário e 56% já trocou de emprego nos últimos 12 meses.

Os dados completos da pesquisa podem ser conferidos no link: https://www.inteli.edu.br/estudo-de-carreiras-em-tecnologia-2026/

Destaques:

  • IA deixa de ser diferencial e vira requisito: Para 79% dos profissionais, IA é a área mais relevante do mercado, mas quase 60% das vagas são para desenvolvimento e infraestrutura.
  • IA e inglês têm impacto direto no salário: Quem fala inglês tem 2x mais chance de ganhar R$ 5-10 mil. Quem sabe IA tem 2x mais chance de ganhar mais de R$ 10 mil.
  • Comunicação é a habilidade mais demandada: Saber se comunicar (21%) é a habilidade mais pedida nas vagas. Conhecimento técnico é importante, mas o profissional precisa saber usar tecnologia com pensamento crítico e capacidade de decisão e não apenas operar ferramentas.
  • Oportunidades além da tecnologia: Tecnologia virou área transversal na saúde, finanças, varejo, indústria, logística, agronegócio, educação e setor público. O profissional desejado tem repertório técnico e entendimento de problemas reais desses setores.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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