Encontro celebra os 20 anos da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas

Encontro celebra os 20 anos da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas

Evento estimulou a criação de espaço para diálogos e construção conjunta da agenda aos pequenos negócios

A sede do Sebrae/PR, em Curitiba, recebeu representantes do setor produtivo, poder público e instituições de apoio aos pequenos negócios para discutir os 20 anos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e os desafios para as próximas duas décadas, nesta terça-feira (18).

A Lei Complementar nº 123/2006 estabeleceu um marco para o tratamento diferenciado aos pequenos negócios no Brasil. Ao longo das últimas duas décadas, a legislação deu base a avanços como o Simples Nacional, a simplificação de processos de abertura e legalização de empresas, o tratamento diferenciado nas compras públicas e instrumentos de acesso ao crédito. Hoje, os pequenos negócios representam 93,8% no total de 1.913.926 empresas mercantis no Paraná. Delas, 930 mil são microempreendedores individuais (MEI), 751 mil são microempresas (ME) e 165 mil empresas de pequeno porte (EPP).

Presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (Conampe) e da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Estado do Paraná (Fampepar), Ercílio Santinoni foi um dos participantes das mobilizações que antecederam a criação da Lei Geral e acompanhou o processo de construção e implementação da legislação.

“Foi um marco. Participamos desde o início das discussões e ajudamos na construção de artigos da legislação. Foi um avanço muito grande para as micro e pequenas empresas, especialmente pela simplificação e pelo Simples Nacional”, afirma Santinoni.

Além de avanços que permanecem relevantes, como o Simples Nacional e a criação do MEI, no Paraná, a mobilização também contribuiu para a criação do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado do Paraná (Fopeme), em 2008, ampliando o espaço de diálogo sobre políticas públicas e ambiente de negócios para as micro e pequenas empresas.

Olhar para o futuro

Duas décadas depois da criação da Lei Geral, o Sistema Sebrae inicia uma nova mobilização para identificar desafios e construir propostas para os próximos 20 anos. A metodologia prevê a escuta de empreendedores, gestores públicos, entidades e outros atores, com a sistematização de evidências e propostas que possam contribuir para uma agenda nacional.

O Paraná participou, juntamente com Rio Grande do Norte, Pernambuco e Mato Grosso do Sul, da construção da metodologia nacional que orientará esse processo de mobilização e escuta.

Para o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta, a construção coletiva foi determinante para os avanços conquistados até aqui e também será necessária para pensar o futuro.

“É importante olhar para esses 20 anos, para as conquistas que tivemos, e aproveitar este momento para pensar à frente. A Lei Geral criou condições para avanços importantes, como a simplificação e melhorias no acesso às compras públicas e ao crédito. Agora, precisamos somar os esforços com as instituições, empreendedores, poder público e identificar caminhos para que os pequenos negócios continuem crescendo, inovando e ganhando produtividade”, afirma Tioqueta.

A facilitação no acesso as compras públicas levou as micro e pequenas empresas a terem, atualmente, 36% do montante total das compras, o que totaliza R$ 11,1 bilhões no último ano. Entre os temas que podem fazer parte desse olhar para o futuro estão simplificação, tributação, acesso ao crédito, inovação e os impactos das novas tecnologias, como a inteligência artificial.

Para o coordenador-geral de Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Rafael Ayres, a velocidade das transformações reforça a importância de manter o diálogo entre diferentes instituições.

“Em 20 anos, muita coisa mudou e, com o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, essas mudanças acontecem cada vez mais rápido. Por isso, é importante manter um debate permanente sobre a legislação, sua interpretação, possíveis modificações e, principalmente, sua aplicação efetiva”, destaca Ayres.

A participação do TCE-PR no debate também traz a perspectiva do controle externo para questões relacionadas à inovação e à implementação de políticas públicas, com atenção à segurança jurídica dos gestores.

Agenda em construção

A mobilização pretende ampliar o processo de escuta e reunir contribuições de diferentes atores para subsidiar uma agenda para os próximos 20 anos da Lei Geral e das políticas públicas voltadas aos pequenos negócios.

Para Santinoni, a trajetória das últimas duas décadas demonstra que a legislação precisa acompanhar as transformações do ambiente de negócios. Durante sua implementação, a Lei Geral passou por aperfeiçoamentos e regulamentações que ampliaram seus efeitos para os pequenos negócios.

Mariana Jansen, diretora de Mercados e Novos Negócios da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços do Paraná (Seic), participou do encontro e conta que, mais do que reduzir burocracias, a Lei Geral ajudou a consolidar uma visão de que o pequeno negócio é estratégico para o desenvolvimento econômico.

“Ao facilitar sua entrada e permanência no mercado, cria-se um ambiente mais dinâmico, competitivo e capaz de gerar oportunidades em todas as regiões do Estado. Nesse sentido, a Seic entende a Lei Geral como uma importante base para a construção de um ambiente de negócios cada vez mais simples, competitivo e favorável ao empreendedorismo, especialmente para quem está começando ou buscando ampliar sua atividade”, explica.

Agora, a mobilização pretende levar esse processo de escuta aos territórios e reunir contribuições que possam subsidiar a construção da agenda para os próximos 20 anos.

Construção coletiva

A proposta de olhar para as próximas duas décadas também orientou as atividades do encontro. João Ramos realizou uma oficina com os participantes e apresentou objetos e tecnologias utilizados há cerca de 40 anos, como máquina de escrever, rádio e vitrola, para mostrar as transformações ocorridas no período e provocar uma reflexão sobre as mudanças que ainda podem acontecer nos próximos anos.

Na dinâmica “Carta do Futuro”, os participantes foram convidados a se imaginar em 2046 e registrar cinco pontos que gostariam de ver concretizados para os pequenos negócios. A atividade buscou conectar os aprendizados do passado aos desafios atuais e à construção de propostas para o futuro.

“A gente está falando de uma lei criada há décadas e que vem se atualizando. Por isso, a proposta foi olhar para o passado, entender os aprendizados que ele nos traz e projetar o futuro. Agora é o momento de olhar para o presente e pensar no que podemos começar a construir”, finaliza Ramos.

Essa reflexão também orienta mobilização iniciada neste ano. A proposta é ampliar os espaços de escuta, reunir experiências e identificar prioridades que possam contribuir para a evolução da Lei Geral e das políticas públicas voltadas aos pequenos negócios. Mais do que marcar os 20 anos da legislação, o movimento busca construir uma agenda que acompanhe as transformações do empreendedorismo e ajude a preparar o ambiente de negócios para as próximas duas décadas.

Crédito da foto: Eduardo Pereira.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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