Fim da “taxa das blusinhas” exige redução de custos para pequenos negócios

Fim da “taxa das blusinhas” exige redução de custos para pequenos negócios

Entidade reconhece alívio para o consumidor, mas alerta para a diferença de condições entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras

A aprovação pelo Congresso da medida que mantém zerado o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 reacende o debate sobre as condições enfrentadas pelos pequenos negócios brasileiros. Para a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), o alívio no preço pago pelo consumidor precisa ser acompanhado de ações que reduzam a desigualdade tributária entre empresas nacionais e grandes plataformas estrangeiras.

A Medida Provisória 1.357/2026 foi aprovada pela Câmara e pelo Senado na quinta-feira (3) e segue para sanção presidencial. A alíquota federal zero já está em vigor nesta faixa de valor para compras realizadas em plataformas certificadas pelo programa Remessa Conforme. O ICMS, cobrado pelos estados, continua incidindo sobre essas operações.

A Conaje reconhece que a isenção pode ajudar famílias pressionadas pelo custo de vida, mas avalia que a discussão não pode se limitar ao preço final da compra. Enquanto as compras internacionais de até US$ 50 feitas pelo Remessa Conforme estão isentas do imposto federal, empresas brasileiras continuam expostas a impostos, burocracia e custos operacionais que afetam sua capacidade de competir.

“Não existe desenvolvimento econômico sustentável quando é preciso escolher entre o consumidor e o empresário brasileiro. O caminho deve ser reduzir o custo para quem compra, diminuir a burocracia e a carga que sufoca quem empreende e criar condições para que o pequeno negócio brasileiro possa competir em igualdade”, afirma Fabio Saraiva, advogado e presidente da Conaje.

Os pequenos negócios somam 24 milhões de empresas e representam 95% do total de empresas ativas no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Sebrae. O segmento responde por 26,5% do Produto Interno Bruto nacional e gerou 80% das vagas de trabalho em 2025.

Perda de competitividade

A entidade alerta que a isenção, se não for acompanhada de medidas voltadas às empresas brasileiras, pode ampliar a diferença de custos entre os pequenos negócios e as grandes plataformas internacionais. O risco é que parte do consumo deixe de circular no comércio local, com possíveis efeitos sobre vendas, renda e empregos.

Para a Confederação, investimentos em tecnologia, inovação e diferenciação ajudam o pequeno empresário a competir, mas não corrige uma desigualdade estrutural. Por isso, a redução do Custo Brasil e a criação de condições tributárias mais equilibradas também precisam fazer parte do debate.

O texto aprovado pelo Congresso determina que o Ministério da Fazenda faça uma primeira avaliação dos efeitos econômicos da medida em até três meses. As análises seguintes deverão ocorrer em intervalos de, no máximo, seis meses. O Congresso também fará uma avaliação anual.

Os relatórios deverão considerar os impactos sobre emprego, renda, competitividade da indústria e do comércio, preços, volume de importações e arrecadação. Também foram incluídas obrigações para que plataformas e operadores logísticos combatam o subfaturamento, o fracionamento artificial de remessas e outras irregularidades.

A Conaje defende que esse acompanhamento produza respostas concretas caso sejam identificados prejuízos aos pequenos negócios. Entre as prioridades apontadas pela entidade estão a simplificação tributária, a redução do Custo Brasil, o acesso a crédito e tecnologia e a fiscalização das operações internacionais.

“Defendemos um Brasil onde comprar seja mais barato, empreender seja mais simples e competir seja mais justo, conclui Saraiva.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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