Presidente do BNDES defende ajuste fiscal sustentável

Presidente do BNDES defende ajuste fiscal sustentável

Mercadante afirma que há espaço para melhorar as contas públicas, mas defende medidas consistentes para garantir redução sustentável dos juros sem comprometer crescimento e políticas sociais

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu nesta segunda-feira (14), a necessidade de o país avançar no ajuste das contas públicas, que deve ser feito de forma estruturada e compatível com a manutenção do crescimento econômico e das políticas sociais. A afirmação ocorreu durante evento do Grupo Esfera, em São Paulo (SP).

“Tem que avançar no fiscal e no monetário”, disse. “Agora, tem que fazer isso mantendo o crescimento, mantendo políticas sociais e, portanto, é um processo progressivo e que tem que ser feito com qualidade.”

Ao criticar propostas baseadas em cortes amplos e imediatos, Mercadante afirmou que medidas desse tipo podem funcionar como discurso de campanha, mas precisam ser avaliadas à luz de sua capacidade de produzir resultados efetivos na gestão pública. “Essa coisinha de motosserra é boa para fazer campanha. Vamos ver como é que termina, alguns governos aqui próximos, para ver se é isso que o Brasil precisa”, afirmou.

Segundo Mercadante, há espaço para melhorar a situação fiscal e que esse avanço é necessário para criar condições para uma trajetória sustentável de redução da taxa de juros. “Eu acho que tem espaço para melhorar o fiscal, sempre tem e vai ter que fazer para ter uma trajetória de queda na taxa de juros”, afirmou.

Para ele, o país também precisa aprimorar a coordenação entre política fiscal e política monetária. E avaliou que, diante do nível de atividade econômica e da inflação dentro da meta, existem condições para acelerar a redução dos juros, desde que acompanhadas de uma trajetória fiscal sustentável. “Os juros têm que cair de forma sustentada e isso é absolutamente vital”, disse.

Crítica a corte de R$ 40 bilhões na folha

No evento, Mercadante contestou especificamente a proposta de redução de R$ 40 bilhões na folha de pagamento do setor público. “Como é que você vai cortar metade da folha de pagamento?”, questionou, ao observar que a folha civil da União seria da ordem de R$ 90 bilhões.

O presidente do BNDES afirmou que a relação entre a folha de pagamento e o PIB foi reduzida durante o atual governo, ao mesmo tempo em que houve recomposição salarial de categorias que passaram anos sem reajustes. “Você tem que enfrentar isso com responsabilidade, com uma coisa consistente”, afirmou.

Emendas e responsabilidade fiscal

Na avaliação do presidente do BNDES, a discussão fiscal também precisa envolver a relação entre Executivo e Legislativo, especialmente no que diz respeito às emendas parlamentares. Mercadante defendeu que os recursos tenham rastreabilidade completa, desde a aprovação até a prestação de contas, e sejam direcionados para projetos considerados prioritários no planejamento orçamentário. “Tem que ter uma fiscalização da emenda, da hora que é aprovada até o último centavo da prestação de conta”, afirmou.

Para ele, os recursos públicos devem estar vinculados às grandes prioridades nacionais definidas no orçamento, e não apenas às escolhas individuais dos parlamentares.

Crédito da foto: Lula Marques

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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